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Aluguel na Avenida Paulista já caiu 11%


Cenário de constantes manifestações e vandalismo, imóveis da via que conecta o Paraíso à Consolação perdem valor de mercado


  Por Redação DC 11 de Março de 2016 às 09:30

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


A Avenida Paulista está perdendo o charme. Antes considerada polo financeiro e empresarial da capital do Estado, está perdendo a atratividade para o mundo corporativo. Mais de 20% dos imóveis comerciais da via estão ociosos.

Este é um dos resultados de um levantamento recente da Associação Paulista Viva. Para Alexandre Tirelli, vice-presidente da entidade, esse é um reflexo do grande número de manifestações em horários comerciais que vêm acontecendo desde 2013. 

Ícone da cidade, a Avenida Paulista é também ponto de encontro de manifestantes das mais variadas causas.

Para Tirelli, não é o excesso de eventos que atrapalha o fluxo comercial da região, mas a falta de aviso prévio e os excessos no vandalismo.

“A lei garante a liberdade de expressão, mas também obriga a autorização prévia para manifestações”, diz. “A Prefeitura não tem exigido que os grupos tomem providências com antecedência para realizar essas manifestações.”

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Com isso, muitos compromissos comerciais acabam prejudicados pela dificuldade de acessar a região em dias de manifestação - grandes ou pequenas.

“Há dias em que você vê grupos de 15 pessoas fechando a Paulista e inviabilizando todo o trânsito, por exemplo”, aponta Tirelli. “Ao mesmo tempo, os escritórios estão recebendo clientes e fechando negócios. Com todo o entorno da avenida prejudicado pela manifestação, o empresário acaba perdendo entre 4 e 5 horas do dia sem conseguir tirar o carro da garagem para dar continuidade às atividades.”

De fato, toda essa complicação no tráfego tem tornado os empresários “refratários à Avenida Paulista”, nas palavras de Eduardo Schaeffer, CEO do Zap Imóveis.

“É isso que a constatamos em contato com o mercado.” O próprio Zap Imóveis mudou de endereço no ano passado -e avenida ícone da capital foi descartada exatamente em razão disso. “Tive muitas reuniões canceladas no ano passado por motivos similares.”

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Uma das evidências deste movimento é a queda abrupta no preço dos aluguéis de imóveis comerciais na região. Segundo dados do Zap Imóveis, o valor do aluguel pedido caiu 11% entre dezembro de 2014 e abril de 2015, quando encontrou um novo piso. 

É fato que a queda de preço dos alugueis não é isolada - outros polos empresariais como a Berrini, por exemplo, também tiveram seus valores minorados. No entanto, o tamanho da queda é discrepante: no caso da Berrini, o valor pedido para locação caiu apenas 4% por metro quadrado.

REDUÇÃO DO IPTU

Com esse argumento em mãos, Tirelli pleiteia, junto à prefeitura, a redução do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) para os imóveis comerciais da Avenida Paulista.

“O que hoje acontece é que não temos total condição de usar a Avenida Paulista”, diz. “Em bairro onde é comprovada a ineficiência do serviço público no fornecimento de infraestrutura, há uma compensação. No caso dos pontos onde há alagamento, por exemplo, a compensação pode chegar até a isenção total do imposto.”

No último reajuste do IPTU, segundo Tirelli, houve reajustes de até 25% na região, o que, na opinião dele, seria um contrassenso. “As empresas precisam de uma compensação para continuar usando a Paulista, não o contrário.”

FOTO: Leonardo Aguiar/Flckr/Creative Commons