Negócios

Altos e baixos do varejo norte-americano


Desde o início de 2017, mais de 20 grandes varejistas declararam falência, à medida que mais clientes passaram a comprar on-line. A Forever 21, que passa por problemas, teve apenas 16% de suas vendas pelos meios digitais em 2019


  Por Mariana Missiaggia 14 de Janeiro de 2020 às 07:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


A cada ano, a consolidação do comércio eletrônico se torna mais consistente - ele já está entre nós desde o início da década de 1990. E embora a ideia de comprar on-line esteja cada vez mais incorporada aos hábitos de consumo, as lojas físicas têm a pronta-entrega como sua principal vantagem nessa competição.

Contudo, as logísticas de distribuição, especialmente do mercado norte-americano que permitem ao cliente receber uma compra em poucas horas, têm complicado a vida dos empresários que mantêm negócios físicos nos Estados Unidos. 

Um levantamento feito pela Coresight Research, empresa que desenvolve pesquisas e dados com foco em varejo e tecnologia, aponta que em 2019 foram abertas 4,4 mil novas lojas nos Estados Unidos, número que supera em mais de mil a quantidade de operações inauguradas em 2018. Ao mesmo tempo, 9,3 mil lojas fecharam as portas no último ano - 59% a mais do que as 5,8 mil unidades fechadas em 2018. Além das falências anunciadas, como da Toys´R´Us, há redes enxugando suas operações, enquanto outras crescem. 

Desde o início de 2017, mais de 20 varejistas dos Estados Unidos declararam falência, à medida que mais clientes passaram a comprar on-line. A falência da Forever 21 é um sinal da desaceleração nas vendas em geral, logo após sua expansão bem-sucedida em mais de 50 países nos últimos anos.

Especialistas dizem que a Forever 21 é mais uma das varejistas afetadas pelas novas maneiras de consumir. Mesmo muito antenada com um público mais jovem, o canal on-line da marca não é o forte da companhia, que gerou apenas 16% de suas vendas pelos meios digitais no último ano. Enquanto isso, outras lojas on-line e empresas que vendem roupas de segunda mão, como a ThredUp, nos Estados Unidos, tiveram um grande crescimento. 

Já as vendas da J.C. Penney, rede de lojas de departamentos, caíram 7,5% nas últimas oito semanas de 2019 - uma temporada de vendas que pode ter sido determinante para o futuro da varejista. Desde setembro do último ano, a rede de 117 anos tenta negociar com os credores algumas formas de aliviar suas dívidas, que estão avaliadas em aproximadamente U$ 4 bilhões.

Além das negociações, a empresa tenta de tudo, desde remodelar seus provadores, treinar a equipe de vendedores e desenvolver novas maneiras de atrair clientes. Cerca de 175 lojas foram fechadas nos últimos três anos e a empresa também deixou de vender algumas categorias, como a de eletrodomésticos.

Outro exemplo desse cenário é o da varejista Game Stop, que comercializa videogames novos e usados, além de acessórios. Considerado o principal nome americano do ramo, atualmente, a varejista opera cerca de 5,6 mil lojas em 14 países, com cerca de 4 mil nos Estados Unidos e no Canadá. Até o terceiro trimestre de 2018, eram 7,1 mil unidades. De acordo com seu último relatório de ganhos, as vendas da GameStop caíram mais de 45% em 2019, levando a uma queda de 24,7% na receita do terceiro trimestre de 2019.

TEVE QUEM FATUROU

Ao mesmo tempo em que muita gente perdia, 2019 foi o ano da maior transação da história do varejo americano de luxo. A LVMH, dona da Louis Vuitton, comprou a Tiffany por US$ 16,7 bilhões. A aquisição representa uma grande oportunidade para penetração no segmento de joias para a LVMH.

E 2020 também pode ser outro ano movimentado para esse mercado. Algumas notícias repercutem a hipótese de que a Amazon está planejando uma plataforma de vestuário de luxo – a ser lançada primeiramente nos Estados Unidos. Até então, a companhia não nega e nem confirma.

Especialistas da área apontam que se isso for verdade, a gigante digital terá um longo caminho a percorrer, já que sua história ainda está muito ligada ao oposto do setor de luxo. A líder mundial de comércio eletrônico vende principalmente marcas genéricas, com itens básicos, por meio de vendedores terceiros e não tem a qualidade e exclusividade que essa classe procura.

QUEM TAMBÉM ESTÁ TENTANDO

Na última semana, a Bed Bath & Beyond informou que as vendas do terceiro trimestre caíram 9% - de U$ 3 bilhões para U$ 2,8 bilhões. Segundo um comunicado da companhia, o prejuízo líquido foi de U$ 38,6 milhões, ante um lucro de U$ 24,4 milhões no mesmo trimestre do ano anterior.

No texto divulgado pela empresa, Mark Tritton, presidente da Bed Bath & Beyond, diz que apesar de insatisfatórios, esses resultados reforçam a necessidade de mudar e fortalecer as prioridades e propósito da marca, reconstruindo um modelo moderno e durável para crescimento rentável a longo prazo.

O executivo recém-chegado da Target, onde ajudou a construir um modelo de varejo de relevância a longo prazo entre os consumidores e o crescimento da lucratividade, tem como missão realizar a mesma transformação na Bed Bath & Beyond.

Apesar dos números ruins, a empresa conseguiu bons resultados durante o período de cinco dias, do Dia de Ação de Graças à Cyber Monday – pós-Black Friday. As vendas de produtos de banho cresceram 5% nas lojas físicas e outros 13% no canal digital. O dado, segundo a companhia, reforça a ideia de que a Bed Bath & Beyond tem o potencial de impulsionar o crescimento do tráfego e das vendas no futuro.

FOTO: Pixabay





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