Negócios

Alta de preços explica baixo crescimento de vendas


De acordo com o IBGE, alimentos tiveram aumento de 40,04% em 2018, o que impactou as vendas em supermercados


  Por Estadão Conteúdo 09 de Fevereiro de 2019 às 09:34

  | Agência de notícias do Grupo Estado


As vendas dos supermercados cresceram menos do que o previsto. No início de 2018, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) previa aumento de 3% em termos reais no faturamento anual do setor.
 
Em julho, depois da greve dos caminhoneiros, revisou a projeção para 2,53% de crescimento real Os dados finais do ano passado revelam que a taxa real foi bem menor, não passando de 2,07%, ligeiramente superior à do primeiro semestre (2%), sempre descontando a inflação.

A Abras atribui essa evolução à greve dos caminhoneiros, que teve um efeito muito mais profundo na economia do que geralmente se pensa, e às incertezas que cercaram o período eleitoral, que teriam afetado a confiança dos consumidores.

Esses fatores certamente influíram, mas se deve levar em conta também que o desemprego continua em patamar ainda elevado, contendo a renda de milhares de famílias, obrigadas a sacrificar até a compra de produtos essenciais.
 
Embora muitos milhares tenham reconquistado suas colocações, os salários pagos, em média, foram reduzidos, em função direta da maior oferta de mão de obra, o que afetou o padrão de consumo das famílias.

Não se pode deixar de considerar ainda que, como mostraram os dados do IBGE, o item Alimentos teve aumento de 40,04% em 2018, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o ano em 3,75%. Essa alta afetou o consumo, incluindo o de alguns produtos importantes para a mesa do brasileiro.

Há um dado, citado pela Abras, que confirma esse quadro. No mês de dezembro, as vendas dos supermercados tiveram alta real de 3,93%, como consequência direta de novos empregos criados e do pagamento do 13.º salário, que fortaleceram sensivelmente as vendas no fim de ano.

Apesar da frustração em 2018, a Abras é otimista com relação a 2019, ano para o qual voltou a projetar crescimento real de vendas de 3%.
 
A entidade confia em que, com a posse do novo governo, comprometido com medidas econômicas que sustentem o crescimento, tais como controle de gastos públicos e simplificação tributária, haverá melhora do ambiente de negócios Isso pode ter impacto positivo nos níveis de emprego e de renda, com efeitos diretos sobre as vendas.
 
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