Negócios

AliExpress quer emergir live commerce no varejo brasileiro


Novo formato que une transmissões ao vivo e entretenimento ganhou força na China e movimentou U$ 157 bilhões em 2019. No Brasil, estratégia estará aliada à imagem de influenciadores


  Por Mariana Missiaggia 28 de Outubro de 2020 às 21:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Dentre os novos hábitos que o brasileiro adquiriu ao longo de 2020, um é quase unanimidade: assistir lives. Depois de tanto ter assistido a shows, apresentações e tantas conversas, o brasileiro ainda deve somar uma nova função às transmissões ao vivo, a de comprar.

Acompanhar produtos sendo testados ao vivo e ter todas as dúvidas do consumidor respondidas em tempo real são os atrativos de um modelo já bem difundido na China, e que o AliExpress, marketplace internacional do Grupo Alibaba, quer incorporar ao comportamento de consumo brasileiro. Além disso, a ideia da nova plataforma do site de compras é associar influenciadores às principais marcas do canal.

“As pessoas podem ver nossos produtos em tempo real e, principalmente receber informações de uso de pessoas que falam seu idioma e com quem se identificam", diz Yan Di, country manager da AliExpress.

Na china, o modelo de negócio movimentou U$ 157 bilhões em 2019 e foi impulsionado pela pandemia do novo coronavírus e a expansão da rede 5G. Com boa conexão e sem poder sair de casa, mais de 500 milhões de chineses assistiram a esses conteúdos só este ano, de acordo com o instituto iResearch. Segundo o Alibaba, a cada dia, 300 mil lojistas fazem transmissões ao vivo em sua plataforma. 

Nas palavras de Yan Di, a ferramenta cria uma nova experiência sensorial para o comércio eletrônico e particularmente, quando se trata de um marketplace internacional, gera mais confiança nas pessoas.

Outra vantagem é fazer com que o consumidor fique mais tempo no site e, possivelmente, interagindo e comprando mais produtos. No meio desse processo, o consumidor também conhece melhor as marcas e passa a confiar mais nelas.

Na operação chinesa, os influenciadores são convidados a visitar as fábricas onde os produtos são feitos e mostram como acontece toda a produção. 

UM MARKETPLACE CADA VEZ MAIS BRASILEIRO

O Brasil está sempre entre os cinco maiores mercados da empresa e, neste ano, a AliExpress comemora seu 10º aniversário no país. Como forma de melhorar os serviços, a AliExpress fechou novos acordos de frete aéreo e lançou novas opções de entrega e pagamento.

A empresa começou a fretar três voos semanais para trazer mercadorias da China ao Brasil. A medida reduziu o tempo médio de entrega que era de três meses para dez dias, em alguns casos. 

Embora a maior distância já tenha sido superada, Yan diz ser preciso avançar em outro desafio: a logística interna. Segundo o executivo, o tempo de entrega dentro do país pode, muitas vezes, superar o tempo de chegada dos produtos até a fronteira, e por isso, a companhia tem apostado em trabalhar com parceiros locais de entrega.

Outra novidade para o público brasileiro foi a redução de U$ 30 para U$ 15 para obtenção do frete grátis, devoluções gratuitas acima de U$ 10 e atendimento humanizado em português. 

Outro avanço importante para o consumidor brasileiro, segundo Yan Di, aconteceu em março deste ano, quando a AliExpress passou a aceitar que as compras com cartão de crédito sejam parceladas em até 12 vezes.

Além das ações de curto prazo, o executivo revela que a AliExpress mantém em andamento o planejamento de ter um centro de distribuição no Brasil, a exemplo do que a Amazon, B2W e Magalu vem realizando. 

Embora considere a ação importante em termos de infraestrutura e logística, Yan Di diz que o maior entrave do marketplace no Brasil ainda é a baixa participação do comércio eletrônico nas vendas totais. No ano passado, o comércio eletrônico representou 5% do varejo total no Brasil, e quase 30% na China.

"Com a pandemia, a participação das vendas on-line aumentou. Com alta de 47% no primeiro semestre, o comércio eletrônico pode dobrar sua participação no varejo total no ano", diz.

O executivo cita que no Brasil há 41 milhões de consumidores no comércio eletrônico – 7,3 milhões que compraram pela primeira vez este ano, segundo a pesquisa Webshoppers, realizada pela Ebit|Nielsen.

Mesmo sem revelar números do negócio, o ano de 2020 foi o melhor para a operação brasileira, que sentiu aumento de até 130% em algumas categorias relevantes, como por exemplo, webcams e tapetes de ioga.

No Brasil, a plataforma é popular entre os mais jovens – 60% dos usuários têm menos de 30 anos de idade e gastam cerca de R$ 1.900 por mês com compras on-line, segundo o diretor.

 





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