Negócios

ACSP cobra soluções para os problemas dos comerciantes do centro


Questões como a falta de segurança e iluminação, calçadas esburacadas, entre outras, foram discutidas com o presidente da São Paulo Urbanismo


  Por Wladimir Miranda 06 de Dezembro de 2018 às 08:00

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


Os problemas que afetam os comerciantes da região central de São Paulo foram discutidos na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), nesta terça-feira (4/12).

Antonio Carlos Pela, coordenador geral do Conselho de Política Urbana (CPU) e vice-presidente da ACSP, recebeu o presidente da São Paulo Urbanismo, José Armênio de Brito Cruz.

Em discussão, as demandas dos lojistas do centro em relação ao Projeto de Intervenção Urbana (PIU).

Os empresários da região central de São Paulo têm inúmeras reinvindicações a fazer ao poder público. Os problemas que enfrentam –falta de segurança, calçadas esburacadas, iluminação precária, entre outros -, dificultam suas atividades, provocando o fechamento de bares, restaurantes. entre outros estabelecimentos comerciais.

Como representante dos comerciantes, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a pedido da São Paulo Urbanismo, fez reuniões com os lojistas.

Em outubro, a entidade enviou um documento a José Armênio de Brito Cruz, com as principais reclamações e sugestões de melhorias feitas pelos empresários.

No documento, a ACSP ressaltou que os comerciantes do centro não acreditam em iniciativas do poder público.

Na avaliação dos empresários consultados pela ACSP, projetos importantes para a área central nunca receberam a devida atenção de administrações anteriores, como o Circuito de Compras e o projeto Nova Luz.

Dez questões foram levantadas pelos comerciantes em relação à região. Destas, a mais relevante é a reestruturação econômica. Os empresários enxergam o Centro como um motor do desenvolvimento territorial. Para tanto, seriam necessários investimentos para a "estruturação de redes ou zonas interconectadas de serviços que possam ser os atrativos para empregos locais e da requalificação de serviços já existentes."

José Armênio fez menção ao problema do horário de funcionamento dos estabelecimentos na região.

“Diversas cidades do mundo já enfrentaram essa realidade, tentando fazer com o que o comércio tenha uma sobrevida maior para além das 19h30. É uma condição das circunstâncias que estamos vivendo hoje. Isso fez com que planejássemos um desenvolvimento habitacional”, afirmou.

Outro ponto destacado é a mobilidade urbana. Os comerciantes cobraram um projeto de microviário e de microacessibilidade (organização de faixas de veículos, ônibus, motocicletas, vagas para bicicletas, mobiliário urbano, faixas de pedestres), além da padronização das calçadas. Está incluído nesse tema ainda a necessidade de se organizar os estacionamentos da área central e a logística de carga e descarga.

A necessidade de melhorar a qualidade da infraestrutura disponível nos espaços públicos também lembrada pelos empresários.

Eles pedem melhorias no uso de tecnologias, como é o caso de rede wi-fi gratuita, disponíveis no centro. Apontam ainda a necessidade de recuperação da iluminação pública, limpeza urbana e pedem novas soluções para a coleta de lixo e recicláveis.

LEIA NA ÍNTEGRA DOCUMENTO DA ACSP ENCAMINHADO À PREFEITURA

Outros itens levantados pelos lojistas no documento são: habitação, vulnerabilidade social, incentivos específicos, articulação entre os polos comerciais, desburocratização, governança e turismo.Os lojistas veem como positivos lançamentos imobiliários na área, que atendam quem hoje trabalha no centro e mora longe, de forma a reduzir problemas de mobilidade e qualidade de vida.

“O comércio tem papel importante, visando não apenas ao projeto urbanístico, mas também à melhoria do ambiente de negócios. A gente acredita que a requalificação do centro vai gerar insumo para a melhoria de experiências, com a densidade populacional, trazendo mais gente para morar aqui e dando mais funcionalidade para o comércio”, disse Armênio.

Ao final do encontro, Pela disse que a São Paulo Urbanismo demonstrou boa vontade em resolver as demandas dos comerciantes.

“A São Paulo Urbanismo tem condições de resolver as questões levantadas pelos empresários da região central. Mas, claro, não é um problema fácil. A curto e médio prazo as questões serão resolvidas”, afirmou.

José Armênio Brito Cruz afirmou que o projeto está em fase de consultas públicas.

“Um de nossos objetivos é conseguir suporte financeiro para viabilizar a reurbanização da região central. A possibilidade de captar recursos é grande”, disse o presidente da São Paulo Urbanismo.

De acordo com Rita Gonçalves, coordenadora do PIU Setor Central, até o fim de 2018 a SP Urbanismo deverá divulgar um documento consolidado com todas os diagnósticos e propostas oriundas da ACSP e das demais entidades que colaboraram com o projeto. O documento da ACSP foi entregue em 29/10.

“Sabemos que haverá incentivos ao retrofit nos imóveis da área central. São incentivos que estão sendo concebidos para essa questão. Há também discussões com a CET sobre mobilidade e acessibilidade. Eles têm uma leitura boa sobre abastecimento de restaurantes, uma proposta combinando minicentros de distribuição com edifícios-garagem na região. Estamos elaborando com a CET para ver em que logradouros eles seriam localizados”, disse Rita.

 

*Com Patricia Gomes Baptista/Imprensa ACSP

FOTO E VÍDEOS: William Chaussê/Diário do Comércio