Negócios

A startup que criou um Airbnb para lojas temporárias


Marketplace que intermedeia a locação de espaços de curta duração, a PopSpaces surgiu para facilitar a vida de negócios como a Eulíricas, de Camila Lordelo (na foto)


  Por Karina Lignelli 20 de Dezembro de 2018 às 08:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


A ‘uberização’ de diversos modelos de negócio já é realidade. Mas por que não se inspirar em um outro modelo inovador, como o Airbnb, para tornar a locação de espaços de varejo mais acessível tanto para grandes como para pequenas marcas, seja para lançar um novo produto ou para testar o e-commerce no varejo físico?

Essa foi a ideia da POPSPACES, startup criada pelo empreendedor Yuri Saiovici, quando ele trabalhava com economia compartilhada e projetos de cidades inteligentes e conectadas em Barcelona, na Espanha.

Ao voltar e observar os efeitos da crise sobre o varejo brasileiro e a grande quantidade de espaços ociosos que sobraram depois dela -em especial em São Paulo, onde há mais de 130 mil imóveis para aluguel e compra -Saiovici descobriu um nicho a explorar: a intermediação de aluguel de espaços temporários, que viram lojas pop-up

Apesar de ser um modelo ainda em expansão no Brasil, seja por estratégias pontual ou permanente, no caso de grandes marcas, como a Sephora, localizar o espaço certo para seu negócio pode ser frustrante por conta das negociações, agendamentos, orçamentos e todo o processo burocrático que isso envolve, diz Saiovici.

Principalmente para os pequenos negócios. "Existe um desencontro grande entre empreendedores e o mercado imobiliário", afirma. "O objetivo é que as marcas, independente do tamanho e nicho de mercado, consigam tirar suas ideias do papel com mais  facilidade, e um dos meios é locar espaços por dias semanas ou meses."

SAIOVICI: "O FUTURO DO VAREJO É
O MARKETING DE EXPERIÊNCIA"

Além de soluções para o varejo, eventos corporativos, moda, artes e gastronomia, a POPSPACES, que se tornou um marketplace que conecta marcas aos locadores, também oferece acesso a uma lista de fornecedores, e serviço de concierge com consultoria personalizada, com dicas para escolher os melhores lugares e potencializar os resultados. 

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"O futuro do varejo é o marketing de experiência", diz o fundador da POPSPACES. "Por isso nosso grande foco é ajudar a empoderar e executar as ideias de qualquer tipo de empreendedor: ele pode aproveitar o apelo de uma Oktoberfest com um estande, por exemplo, já sabendo qual o preço (do investimento), e com a noção que a conta vai fechar."

Com cinco meses de atividade - período de validação do modelo, segundo Saiovici -, a POPSPACES, que no seu estágio inicial recebeu um aporte de R$ 300 mil da agência de live marketing Netza, até agora fechou dez intermediações. 

"Queremos encerrar 2018 com a captura de 100 espaços em São Paulo e, em 2019, expandi-la para capitais como Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre e Belo Horizonte", afirma ele, que prefere não revelar o faturamento por motivos estratégicos. "Nesse momento, estamos em fase de captação de recursos para ampliar a plataforma."

TUDO PELA EXPERIÊNCIA

A POPSPACES já começou atendendo um portfólio diversificado, que inclui desde grandes clientes, como uma marca de luxo do setor automotivo, até agências de marketing e microempreendedores. Entre eles, está a Eulíricas, marca de jóias e criações artesanais estampadas com os versos de sua criadora, a redatora publicitária Camila Lordelo.

Nascida em 2013, a marca fazia sucesso principalmente no Instagram, onde conquistou um público cativo. Mas, com o crescimento da marca, e consequentemente, das vendas, ela teve que explorar outros canais. 

"A Eulíricas começou devagarzinho, já que minha matéria-prima é a poesia. Os pedidos eram feitos apenas sob encomenda", conta Camila. "Mas com o tempo, o trabalho foi se espalhando, aumentando e de dezenas, passei a produzir centenas de peças." Foi quando ela abriu uma loja online, para facilitar as vendas e encurtar o processo. 

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Quando criou a marca, Camila diz que pensava que ela seria direcionada para um público pequeno e de nicho, "90% feminino", como ela diz ser. "Mas percebi que, com o tempo, minha marca conseguia alcançar qualquer pessoa."

Ao abrir o ateliê para receber clientes, a empreendedora entendeu que era hora de migrar para uma loja fisica. Então, surgiu a oportunidade de abrir uma pop-up de 20m2 na Vila Madalena (Zona Oeste da capital paulista), que funcionou entre os dias 6 e 9 de dezembro últimos.

DETALHE DE PEÇA DA EULÍRICAS

Antes de virar pop-up, o espaço abrigou durante anos o escritório de uma fabricante de plásticos. "Foi muito bom, porque assim pudemos testar a localização e o público do entorno", conta. "O investimento foi super acessível, o retorno excelente, e o feedback dos clientes foi o melhor possível", afirma ela, sem revelar valores. 

Além de querer repetir a experiência pop-up, Camila sinaliza que uma loja permanente virá em breve, para completar a integração da Eulíricas nos canais on e offline. E foi a experiência pop-up que confirmou essa necessidade. 

"Para quem vende online, é muito importante ter um lugar com a sua cara e se conectar com o seu público, propondo uma nova experiência para o cliente que só costuma ver o produto no ambiente virtual", acredita. 

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Para Yuri Saiovici, da POPSPACES, além de ajudar a tirar a ideia de Camila do papel, foi uma boa oportunidade para o dono do imóvel rentabilizar um espaço ocioso, que acabou impactando o empreendedorismo local.

"A ofertas de espaços nós já temos. Mas nossa meta é atrair cada vez mais empreendedores para equilibrar esse número", finaliza. O varejo agradece. 

FOTOS: Divulgação