Negócios

A Preçolândia chega aos 40 anos administrando crises


A expressão, do fundador Arab Chafic Zakka, resume como a rede de lojas de utilidades domésticas cresceu e se tornou exemplo de gestão no varejo, enfrentando as ciclotimias da economia brasileira


  Por Karina Lignelli 16 de Maio de 2018 às 08:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Para uma rede varejista que, no início de 2016 e em plena crise econômica, planejava abrir oito lojas até 2018, o resultado foi melhor que o previsto: foram nove inaugurações. Duas em ruas, sete em shoppings. 

É dessa forma, contornando crises, que a Preçolândia, especializada em utilidades domésticas, chega aos 40 anos de atividade. E com direito a um grande evento comemorativo e uma ação promocional de descontos iniciada um mês atrás, no site e nas lojas físicas, onde a rede faz questão de mostrar aos clientes que faz aniversário, “mas quem ganha o presente é você.”

Fundada em 1978 pelo comerciante de origem libanesa Arab Chafic Zakka, no bairro da Água Rasa (Zona Leste da capital paulista), a varejista, cuja primeira unidade ainda funciona no mesmo endereço, chega a 2018 com 31 lojas e um e-commerce “que vale por três delas", conforme diz. Agora, pretende encerrar o ano com 40, e chegar a 50 até 2019.

Comandada atualmente por Zakka, que também é membro do Conselho Superior da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), e seus filhos Michel e Jean, a Preçolândia se mostra como exemplo de gestão familiar ao completar quatro décadas vendendo “produtos bons com bons preços."

ZAKKA: CRISE É PARA ENFRENTAR

Preço, aliás, sempre foi o grande foco da empresa – tanto que, há cerca de três anos, a Preçolândia criou um departamento exclusivo só para cuidar disso. E com o apoio valioso da Fundação Dom Cabral para profissionalizar a gestão, logo nos primeiros indícios da recessão econômica.

E deu certo: nesse período, a empresa se reconfigurou, reviu processos, estruturas e conseguiu baixar preços e margens de custos. "Quando a empresa cresce muito, tem de se organizar e colocar especialistas para fazer uma reestruturação necessária àquele momento", afirma seu Arab, forma pela qual é chamado amistosamente por seus filhos e pelos funcionários.

“Não tem muito o que fazer: quando tem crise, tem que passar por cima.”

A iniciativa levou a Preçolândia a conseguir detalhar a rentabilidade de cada loja. E sem precisar fechar nenhuma em shoppings, onde estão localizadas, em sua maioria, conforme sinalizava, na época. “Conseguimos renegociar todos os contratos”, conta.

Sem divulgar valores, o fundador diz que a rede teve um “crescimento razoável” em 2017, puxado pelas lojas novas e mesmo diante do momento de retomada incipiente da economia.

Ao fazer um rápido balanço sobre as últimas quatro décadas para o varejo e indagado sobre como a Preçolândia conseguiu enfrentar a última crise, o empresário lembrou os variados planos econômicos do passado e a alta da inflação, que volta e meia reaparece.

A PRIMEIRA LOJA, NA ÁGUA RASA

“A vida no Brasil é administrar crises. E todas as vezes, procurar a melhor saída para enfrentar.” 

Quanto às perspectivas para 2018, Zakka acredita que será um pouco melhor. “Apesar da Copa, acho que vamos crescer um pouco mais.”

Questionado se as incertezas políticas-eleitorais não vão atrapalhar o varejo, o empresário devolve com outra pergunta, do alto de mais de meio século de experiência no comércio: "Você leva a política em consideração quando tem de fazer as coisas do dia a dia?"

E conclui: “O povo já está calejado. Então, o negócio é trabalhar e ir levando”.

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