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A franquia que não quer abrir uma unidade a cada esquina


A rede de escolas de inglês Minds, fundada pela ex-costureira Leiza Oliveira (na foto), faturou 74 milhões em 2017 e não tem pressa de crescer


  Por Thais Ferreira 30 de Janeiro de 2018 às 08:00

  | Repórter tferreira@dcomercio.com.br


A Minds cresce a passos curtos, mas seguros. É o que afirma a fundadora Leiza Oliveira.  A rede de escolas de inglês completou 10 anos e 72 unidades no ano passado com faturamento de R$ 74 milhões – crescimento de 6% em relação ao ano anterior.

Apenas três novas unidades foram abertas no período. Netse ano, a expectativa é de 9 a 10 novas escolas.

O número bem abaixo das consolidadas Wizard e  Yázigi, ambas da multinacional Person, que abriram 35 e 21 unidades respectivamente em 2017, de acordo com os dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF).

A falta de interessados na franquia não é o motivo para a expansão tímida da rede, de acordo com Leiza.

Na contramão das grandes marcas, Leiza não acredita que ter um grande número de escolas seja benéfico para a empresa.

“Não quero ter uma unidade em cada esquina, porque isso gera competição entre os franqueados”, afirma. “Calculamos que em uma grande cidade como São Paulo cabem no máximo 25 unidades da Minds”.

HISTÓRIA

Leiza sabe o que está falando. Há mais 20 anos ela trabalha com escolas de idioma. Já fez de tudo um pouco: começou como recepcionista, depois passou para a área comercial e já foi franqueada de uma grande rede.  Atualmente, preside a Minds e é uma das conselheiras do comitê de educação da ABF.

Antes de ingressar no mundo dos idiomas, porém, ela ganhava dinheiro costurando lingeries que ela mesma vendia para amigas em Maringá, cidade do interior do Paraná.  

“Comecei a costurar com 11 anos. Aos 16, já tinha vontade de empreender e já fabricava e vendia minhas próprias peças. Aprendi tudo com minha mãe que também era costureira”, conta.

O dinheiro das vendas foi usado para pagar o curso de magistério e a faculdade de contabilidade. Mas a lousa e o giz não atraíram Leiza, que optou pelas planilhas e projetos do setor comercial.

Durante os anos em que foi franqueada, ela aprendeu sobre gestão de uma escola de idiomas e percebeu que o modelo de franquias não atendia às suas necessidades.

“Elas [franqueadoras] eram muito engessadas, muita coisa não ia para frente”, diz. “Sentia que quando mais precisava da franquia, ela me abandonava”.

PROFESSORA DA MINDS: A REDE FATUROU
R$ 74 MILHÕES em 2017

MINDS

Com experiência acumulada, muitas anotações e planos, ela decidiu arregaçar as mangas e fazer uma franquia do seu jeito.

Augusto Jimenez, formado em psicologia e amigo de Leiza, se tornou sócio nessa empreitada.

Fundaram a primeira unidade da Minds, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em 2007. Junto com um centro de treinamento para professores.

A primeira unidade própria foi o piloto para a rede de franquias. “Era um grande desafio porque nossos competidores tinham mais de 50 anos de mercado”, afirma Leiza.

Para se diferenciar em um mercado competitivo, os sócios criaram uma metodologia própria. Eles sabiam que, além da parte econômica, o maior motivo de desistência dos alunos era a falta de tempo.

Por isso, eles criaram um sistema em que o aluno tem uma grade de aulas disponíveis e pode agendar o horário que for mais conveniente para aquela semana.

A flexibilidade de horários, o curso enxuto de 18 meses e o método de ensino que une tecnologia com técnicas tradicionais formam o tripé da empresa.

Após um primeiro ano promissor, a Minds deu a partida em seu plano de expansão. Em 2009, foram abertas 18 unidades. Hoje, Leiza acredita que na época deu um passo maior que a perna.

Apesar da experiência no ramo e de uma unidade bem-sucedida, muitos problemas apareceram na gestão das franquias.

“O caixa nem sempre batia e o sistema de agendamento de aulas tinha problemas”, diz. “Tivemos que adaptar o programa de gestão que criamos apenas para uma unidade para a rede toda”.

MERCADO

Entre 2012 e 2013, os grandes eventos internacionais que estavam por vir –a Copa do Mundo e a Olimpíada do Rio de Janeiro – movimentaram o mercado de ensino de idiomas.

A demanda cresceu principalmente porque diversas empresas investiram no treinamento de profissionais para atender aos estrangeiros. Na mesma proporção aumentaram também o número de escolas.   

“Depois desse período, várias marcas desapareceram”, diz Leiza.  Outras redes foram compradas por grandes grupos ou por outros concorrentes.

 “Muitas redes de escolas de inglês se tornaram editoras”, diz Leiza. “Elas estão mais preocupadas com a venda do material didático do que com o aprendizado do aluno”.

Ela afirma enfaticamente que a maior preocupação da Minds é a formação dos alunos com os franqueados. 

FOTO: Divulgação