Negócios

A expansão meteórica das franquias do método Kumon


Mesmo com mais de 1500 endereços, a rede não para de crescer. A expectativa é ter aberto cerca de duas novas unidades por semana até dezembro. Na foto, Julio Segala, diretor de marketing da empresa


  Por Thais Ferreira 08 de Agosto de 2017 às 13:00

  | Repórter tferreira@dcomercio.com.br


Novas redes de franquias costumam se espalhar rapidamente. A novidade é um bom chamariz para atrair franqueados e clientes. Mas uma veterana está desafiando esse clichê.

A rede de educação Kumon, que completa 40 anos no Brasil, passa por um processo de expansão ambicioso.

Nos últimos 30 dias, foram abertas 21 novas unidades.  Até o fim do ano, a expectativa é somar 100 novos endereços. Cerca de duas novas franquias a cada semana. 

Por isso, não é de espantar que o Kumon esteja na lista das 10 maiores franquias do Brasil – única nesse ranking que atua no setor de educação.

Em todo o mundo, a empresa está presente em mais de 50 países e alcançou a marca de 4,35 milhões de alunos.

SALA DA KUMON: NÃO HÁ LOUSA E NEM GIZ

O que é Kumon, mesmo?               
É um método de ensino desenvolvido pelo professor Toru Kumon em 1958, em Osaka, no Japão.

Inicialmente, o sistema foi criado para ajudar o filho, que estava com dificuldades para resolver questões de matemática.

Com base nessa experiência, ele desenvolveu um método de repetição de exercícios em períodos cronometrados, que ajudam a fixar conteúdos.

Os alunos evoluem sozinhos de acordo com suas próprias capacidades. 

“É uma forma de desenvolver o autodidatismo nos estudantes”, afirma Júlio Segala, diretor de marketing do Kumon Brasil.

O filho de Kumon, por exemplo, estava no sexto ano, mas conseguia resolver exercícios do ensino médio.

Impressionados com os resultados, pais de outros alunos ficaram interessados nesse sistema. Aos poucos, o método se transformou em um próspero negócio.

No Brasil, o Kumon chegou em 1977. A primeira unidade foi instalada em Londrina, no Paraná, um dos redutos da colônia japonesa no Brasil.

Até hoje, a franquia pioneira ainda está no mesmo endereço e pertence à mesma pessoa.

Nos primeiros anos, o sistema era mais difundido entre os alunos que tinham descendência nipônica. Com ajuda do boca a boca, os brasileiros também aderiram ao método de ensino.

Hoje, a rede soma mais de 1500 unidades, que ensinam conteúdos de português, matemática, japonês e inglês para mais de 160 mil alunos.

Diferente de uma escola tradicional, o Kumon não utiliza lousa, giz e nem professores.

Há apenas uma sala em que alunos de diferentes idades ficam misturados e resolvendo exercícios. Um orientador auxilia os estudantes. O clima lembra o de uma biblioteca.

Ao contrário do que muita gente pensa, o Kumon não é um reforço escolar. “É um método para desenvolver habilidades acadêmicas para que os alunos aprendam sozinhos”, afirma Segala.

KUMON: PRIORIDADE PARA UNIDADES NA RUA

Mudança do modelo

O atual período de expansão da rede só foi possível graças a um processo de restruturação: “Durante alguns anos, a empresa estava na clausura”, afirma Segala. 

Foi o momento de rever o crescimento das franquias, ajustar processos e criar uma base sólida para voltar a crescer.

Nesse período, o Kumon adotou um novo sistema de treinamento para capacitar os franqueados.  Hoje, eles assistem a aulas online que são transmitidas diretamente do Japão para se aprimorarem no método.

Outra mudança foi nos pontos escolhidos para abrir novas unidades.

No passado, os franqueados podiam usar salas comerciais para as aulas e o modelo de franquia era mais simples.

Agora, a rede abre novas unidades apenas em pontos comerciais de rua. Uma das justificativas é que esses locais ajudam a dar mais visibilidade para a marca.

A restruturação terminou em 2015. E, no ano seguinte, a empresa voltou a crescer: foram 55 unidades abertas. A expectativa em 2018 é inaugurar 130.

Com tantos endereços e com um projeto de expansão audacioso, uma das preocupações dos franqueados é com a competição entre as unidades. 

Segala afirma que não há raios de exclusividade, mas que a franqueadora estuda atentamente os endereços para que ninguém se sinta prejudicado.

Para posicionar as unidades, o Kumon utiliza uma ferramenta geomarketing para localizar lugares em que ainda não há presença da rede.

“Fizemos um estudo que mostra que os pais não gostam de se deslocar muito para levar as crianças para as aulas”, diz Segala.  Por isso, é comum encontrar três ou quatro escolas de Kumon em um mesmo bairro de São Paulo.

Caroline Bittencourt, diretora de inteligência de mercado do Grupo Bittencourt, especializado em consultoria de franquias, acredita não é errado uma rede crescer rápido, se houver uma base sólida. 

"A franqueadora tem que estar bem estruturada para dar o suporte necessário para toda a rede e ajudar que a unidades tenham retorno financeiro", diz Caroline. 

MÉTODO AJUDA ALUNOS A SE TORNAREM AUTODIDATAS

O sucesso do método e da rede

A rede Kumon é fenômeno raro no mundo: uma rede de ensino que conseguiu se adaptar a países com realidades educacionais, culturais e sociais distintas entre si.

Para Segala, isso se deve à simplicidade do método: “Com lápis, borracha e papel, é possível desenvolver qualquer aluno”, diz. “O propósito de transformar estudantes em autodidatas se encaixa tanto nas sociedades mais tecnológica, quanto nas mais simples.”

Mas a empresa não está parada no tempo. A ideia de utilizar novas tecnologias para aprimorar o método não está descartada.

A rede também terá que se modernizar para competir num mercado que está cada vez mais concorrido.

De acordo com Caroline, o setor deu salto e deve continuar crescendo.

Se há alguns anos as escolas de inglês reinavam sozinhas no mundo das franquias de educação, hoje, há diversas opções para quem quer abrir uma unidade no setor.

Diversas redes estão apostando em cursos de gastronomia, robótica, programação, ensino profissionalizante e aulas de reforço.

Há diversas oportunidades. Muitas se aproveitam das inúmeras falhas do ensino público e particular brasileiro.

“É um setor que tem grande potencial de crescimento para os próximos anos”, afirma Caroline. “Principalmente, as redes que atenderem as novas demandas dos alunos, que desejam cada vez mais interação e novas tecnologias.”

FOTOS: Divulgação/ Kumon