Negócios

85% dos pedidos de falência são de pequenos negócios


Dados da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) mostram que as empresas do setor de serviços e de pequeno porte estão entre as que mais fecham as portas


  Por Thais Ferreira 02 de Julho de 2015 às 17:26

  | Repórter


A crise pegou o varejo. Basta olhar em pontos comerciais tradicionais – como a rua Oscar Freire, o bairro do Bom Retiro e a região da Rua 25 de março – para ver faixas de “passa-se o ponto”. 

Os números confirmam esse cenário negativo. Os pedidos de falência acumularam alta de 9,2% no 1º semestre de 2015, em relação ao mesmo período de 2014, de acordo com dados da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito).

Na comparação mensal, o número de pedidos de falências aumentou 31,3% em relação a junho do ano anterior.  

As falências decretadas também subiram e registraram aumento de 31,9% em relação ao ano anterior. Na comparação com junho de 2014, o número cresceu 94,8%. 

Entre as principais razões que explicam esse crescimento significativo está a fraca atividade econômica, que reduz a capacidade de geração de caixa das empresas.

Estão contribuindo também o aumento nas taxas de juros e a restrição ao crédito que encarecem o capital de giro, piorando os indicadores das empresas. 

OS MAIS AFETADOS 

A crise financeira é mais sentida pelos negócios de menor porte. As pequenas empresas representam cerca de 85% dos pedidos de falências e 91% das falências decretadas. 

“Historicamente, as pequenas empresas são as mais afetadas durante um período de retração do consumo e de crédito mais caro. Elas têm mais dificuldade de acesso ao crédito porque não tem o mesmo poder de negociação das grandes”, afirma Flávio Calife, economista da Boa Vista SCPC.  

Na divisão por setor da economia, as empresas de prestação de serviços foram as que representaram o maior número de casos nos pedidos de falência, seguido pelo setor industrial e pelo comércio.

“Na comparação com o ano anterior, no entanto, o maior crescimento foi registrado pelo comércio que saltou de 23% para 26%”, diz Calife.  “A indústria teve redução de 36% em 2014 para 34% e os serviços foram de 41% para 40%.” 

Sem sinal de melhora no cenário macroeconômico no curto prazo, a Boa Vista SCPC espera que os indicadores de falências encerrem o ano com números superiores aos de 2014.

“Não vemos possibilidade de mudanças dentro dos próximos meses. É possível que esse ano os pedidos de falência cheguem a 13%”, afirma Calife. 

 

 





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