Negócios

6 tendências potencializadas pela pandemia


Mais ansiosos e imediatistas do que nunca, os brasileiros sofreram com circunstâncias sanitárias, financeiras e econômicas que acabaram refletindo no comportamento de compra


  Por Mariana Missiaggia 22 de Setembro de 2021 às 06:30

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


A pandemia estabeleceu consequências no bolso, nos hábitos e na mente do brasileiro, e assim ditou uma nova realidade ao varejo. Pautado por incertezas, o novo perfil do consumidor começa a dar indícios ao empresariado de como se darão as compras daqui para a frente.

Mais ansiosos e imediatistas do que nunca, os brasileiros sofreram com circunstâncias sanitárias, financeiras e econômicas que acabaram refletindo muito no comportamento de compra, que hoje são vistas como tendências que desenham o cenário do consumo no pós-pandemia.

A edição 2021 do Latam Retail Show trouxe à luz novos conceitos, estratégias e iniciativas que tendem a revolucionar totalmente a experiência dos consumidores com as marcas a partir de agora. Veja quais são elas: 

LIVE COMMERCE

Modelo que vem se destacando no Brasil e movimentou cerca de U$ 200 bilhões na China em 2020, o live commerce ainda deve manter o número de lives em disparada por um tempo.

Desde o início da pandemia, o formato funcionou bem para marcas que patrocinaram shows ao vivo e, assim, divulgavam seus produtos e serviços.

Durante a Latam, Elio Silva, diretor-executivo da Riachuelo, contou que esse cenário fez com que a Riachuelo apostasse no formato realizando cada vez mais transmissões do tipo.

“Queremos investir num trabalho quase que diário de lives, pois isso se tornou uma febre. A ideia é criar lives temáticas dentro de nossas próprias lojas”.

Comprar on-line por meio de transmissões ao vivo, enquanto os clientes interagem com os influenciadores e vendedores, já se tornou um padrão para nomes como Farm e Nespresso.

MARCAS PRÓPRIAS

Conhecidas por oferecer preços mais acessíveis, as marcas próprias foram usadas pelos supermercados como uma ferramenta em meio à crise. Houve aumento da oferta dessa opção nas gondolas e o consumidor passou a dar preferência a ela nos últimos anos. 

Para Enéas Santana, presidente do DIA no Brasil, com a queda de renda, houve mudança de hábitos do consumidor e redução da cesta. Por essa razão, o brasileiro só compra o que realmente precisa numa tentativa de controlar seus gastos.

De acordo com o executivo, o assunto é tratado como prioridade dentro da rede e é sempre relacionado ao atual comportamento do consumidor.

“A marca própria cria fidelização. Enquanto a média de participação de marcas próprias no segmento oscila entre 6% e 7%, na rede DIA esse número representa 30%". 

ESG

Práticas ambientais, sociais e de governança, conhecidas como ESG (na sigla em inglês, Environment, Social and Governance), vêm recebendo maior atenção mundial por estarem associadas a negócios sólidos, baixo custo de capital e resiliência contra riscos associados a clima e sustentabilidade.

Durante o Latam, Luiza Helena Trajano, do Magazine Luiza, destacou que práticas ambientais, sociais e de governança devem ser vistas com muita atenção pelo empresariado. “Quem não entrar no ESG não tem mais valor no mercado”.

Para a executiva, a sigla é fundamental para as organizações no mundo atual e é papel da liderança transformar a mentalidade do mercado, colaboradores e também consumidores.

Por isso, Luiza destaca a importância de garantir a diversidade dos conselhos das companhias para lidar com pautas mais desafiadoras e estabelecer uma cultura efetiva de ESG nas empresas.

E-COMMERCE E APPS

"Fomos do planejado para o inesperado". É assim que Ana Szasz, diretora de restaurante da Rappi, define o crescimento do e-commerce e do delivery no último ano, quando ninguém estava preparado para essa demanda.

De acordo com os números da Nielsen, as vendas do e-commerce brasileiro ultrapassaram R$ 53 bilhões no primeiro semestre de 2021 - um recorde. Houve um crescimento de 31% em relação ao mesmo período em 2020. Um total de 42 milhões de pessoas compraram pelo e-commerce, sendo que desses, 6,2 milhões eram novos usuários.

Para Ana, as práticas de compra pela internet e comida via delivery foram ressignificadas durante a pandemia e se tornaram uma necessidade.

A executiva destaca que foi durante a pandemia que os aplicativos de entrega, que até então tinham mais relevância para os restaurantes, entraram de maneira intensa no setor de produtos básicos.

As parcerias com supermercados que não possuíam uma plataforma de venda foram importantes no processo de adaptação e necessárias diante das restrições impostas pela crise sanitária mundial.

CONSUMIDORES CANSADOS

Há 20 meses convivendo com a pandemia, o consumidor precisou abrir mão de alguns hábitos de consumo, como aqueles ligados a viagens e lazer.

Por isso, muitos pretendem, no curto prazo, investir na compra de itens pessoais, como roupas, calçados e cosméticos, e em tratamentos voltados à saúde física e mental, de acordo com a pesquisa “O Consumidor Brasileiro Pós-Pandemia: Prioridades de Consumo”, realizado pela Globo e apresentado com exclusividade durante o Latam Retail Show.

Após 53% dos brasileiros declararem que cortaram gastos em função da pandemia, em 2020, a pesquisa revela que o otimismo voltou. Cansados de deixar seus desejos em segundo lugar, os consumidores devem priorizar suas vontades nos próximos três meses.

O estudo aponta que há maior intenção de consumo justamente nos produtos e serviços dos quais as pessoas mais abriram mão durante a pandemia. Autocuidado, turismo e lazer, além de bebidas alcoólicas, se destacam entre as compras no curto prazo.

DARK WAREHOUSE

Com ecossistemas cada vez mais dependentes de bons prazos de entrega, os centros de distribuição enfrentam desafios cada vez mais complexos, especialmente pelos prazos de entrega dos produtos.

Para aumentar a eficiência desse sistema, o conceito de dark warehouse foi citado por inúmeros varejistas durante a Latam.

Para atender a omnicanalidade e o padrão de entregas em 24 horas, muitos têm buscado maior eficiência no armazém. Daí o dark warehouse - armazéns que funcionam sem a necessidade de trabalhadores operando no interior, pois todos os processos são automatizados e acontecem no escuro.

Ou seja, espaços nos quais as tarefas de armazenagem ou preparação e expedição de pedidos são orientadas por software, encarregados de efetuar as operações. Pode haver intervenção humana mínima em processos, como recebimento de mercadorias, na fase de embalagem ou rotulagem.

 

FOTO: Freepik






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