Negócios

6 dicas para vender semijoias pelo Instagram


Caio Gazin, diretor da atacadista de semijoias Gazin, que teve aumento de 12% no faturamento durante a pandemia, compartilha os aprendizados da empresa na relação com as redes sociais


  Por Mariana Missiaggia 05 de Agosto de 2020 às 07:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Com 82 milhões de usuários no Brasil, o acesso ao Instagram cresceu 40% nos últimos meses. Mais que uma ferramenta de entretenimento e inspiração, a rede se tornou uma plataforma de compra e venda.

Muito explorado, o setor de moda e beleza representa 33% das interações do Instagram, segundo um estudo recente da Socialbakers. Além de alcançar maior público, quando bem explorada, a presença on-line traz muito engajamento.

Acumulando mais de 300 mil seguidores, a Gazin, empresa de atacado de semijoias, percebeu que tinha força no Instagram, mas segundo Caio Gazin, diretor da marca, não se sentiam a vontade para usá-lo como ferramenta de venda. Divulgar o preço, por exemplo, lhe parecia algo inviável, por isso, a página até então funcionava como um catálogo.

CAIO GAZIN COMPARTILHA ARENDIZADOS DA ATACADISTA
NO INSTAGRAM

“Entendíamos que não podíamos nos portar com apelo de venda e falar algumas informações. Abrindo o nosso preço de atacado, complicaria a vida dos meus clientes porque o consumidor final não entende todos os custos envolvidos.”

Hoje, a página é pensada para criar desejo, e para facilitar a venda de quem compra da Gazin. Tendo em sua lista de seguidores as duas pontas – quem compra e quem vende, a ideia da atacadista é se tornar uma referência conceitual. A partir dali, os seguidores saem em busca de quem comercializa aquelas peças no varejo.

Durante uma transmissão ao vivo no Instagram com a influenciadora e especialista em vendas Bianca Hernandes, Caio compartilhou alguns aprendizados importantes para a empresa na relação com as redes sociais.

MOSTRE COMO USAR E NÃO O QUE COMPRAR

Mais importante do que o anúncio de uma nova peça é contextualizá-la. A foto de um colar em um manequim ou em cima de uma mesa pode passar desapercebida pelo feed de muitos usuários. Já uma foto bem produzida, de uma mulher bem vestida para determinada situação pode despertar na consumidora o desejo ou até mesmo a necessidade de ter a mesma experiência.

“A cliente não vai comprar a fama da marca, ela vai comprar o momento, a experiência que aquela foto está transmitindo. Não limite sua peça a uma ocasião. Mostre toda a versatilidade do que você vende”, diz Caio.

SEJA O INFLUENCIADOR DO SEU NEGÓCIO

O empresário destaca que a identificação com a marca vai muito além daquilo que se vende. Os consumidores se sentem mais seguros em realizar uma compra sabendo quem responde por aquela empresa. Lembre-se que o Instagram é, acima de tudo, uma rede social. E nela é preciso interagir com as pessoas de forma humanizada. Seus seguidores querem saber quem é você e conhecer seus bastidores para se identificar com a sua marca.

Fale tudo o que você entende sobre o que vende, convide pessoas que também dominem o tema para produzir conteúdo, tirar dúvidas e dar boas sugestões de consumo.

Para quem está começando e ainda não se sente à vontade diante da câmera, Caio aconselha começar apenas filmando e narrando seus produtos, assim os clientes começam a se conectar com a sua voz. Aos poucos, vá aparecendo na frente do espelho mostrando alguma peça, tire fotos, divida sua fala com vendedores e com o tempo, você estará acostumado a aparecer.

“É importante que seu cliente associe sua imagem ao seu negócio. Meu Instagram pessoal era fechado até o começo deste ano. Quando fui alertado de que minha vida não pode ser separada do meu trabalho. Pois, uma coisa leva a outra e isso mudou a perspectiva”, diz Caio.

NÃO TENHA MEDO DE MOSTRAR SEU PREÇO

Diminuir os obstáculos entre a loja e o cliente é essencial, mas muitos empreendedores insistem em deixar essa relação cheia de atritos.

Quem consome pelas redes sociais está em busca de velocidade e praticidade. O cliente quer visitar uma página e encontrar todas as informações disponíveis imediatamente. Informar o preço de cada peça de forma clara é tão importante quanto informar sobre material, cores, tamanhos, prazo de entrega e afins. Fazer o cliente aguardar ou perguntar por direct cria mais etapas no processo de compra, que muitas vezes acaba sendo interrompido por falta de informação.

“O carrinho e o valor da compra precisam estar sempre visíveis para gerar uma experiência prazerosa e se transformar em venda”, diz.

USE O PODER DAS HASHTAGS

Muito utilizada no Twitter, as hashtags tem um poder multiplicador no Instagram. Utilizada como uma espécie de marcador, com o poder de agrupar todas as fotos do mundo que são marcadas pelo mesmo termo, a hashtag atinge comunidades específicas, aumenta a visibilidade da publicação, gera relevância e cria uma facilidade na relação de consumo.

Um exemplo: uma loja de roupas especializada em vestes para mulheres evangélicas pode reunir todo seu acervo nas seguintes hashtags, #modagospel #modaevangelica #roupasparaculto. Essa organização facilita toda a busca por peças especializadas. Dessa forma, como uma espécie de galeria, também é possível visualizar todas as pessoas que também já marcaram suas fotos com esse termo.

VENDA REALIDADE

Ao assumir a direção da Gazin, Caio recorda que precisou tomar algumas decisões, como, por exemplo, diminuir a importância dada a linha de festas da marca e aumentar a coleção de peças casuais.

“Quantos brincos de festa uma mulher tem guardados? E com qual frequência ela consome isso? Transferi a mesma pergunta para as peças de dia a dia e tive como resposta escala e recorrência”.

O empreendedor destaca que em tempos de crise, a revenda de semijoias surge como alternativa para complementar a renda e tem potencial para se tornar a renda principal das famílias em um momento de demissões em massa e a redução do mercado convencional de carteira assinada.

No primeiro semestre deste ano, a Gazin registrou aumento de 12% em seu faturamento previsto para o período. Foram mais de 1,4 milhão de peças vendidas, ultrapassando a meta de 1,2 milhão - reflexo do crescimento no número de revendedores. Também foram contratados 12 novos funcionários em junho, o que equivale a um aumento de 4% no time de vendas do e-commerce e nos pontos físicos da marca.

LEIA MAIS: Pequenos usam novo recurso do Facebook para vender

FOTOS BEM ELABORADAS

Usar o Instagram como ferramenta de venda à distância exige uma certa produção. Caio pontua que investir num celular com uma boa câmera é obrigatório. Cenários limpos, bem iluminados, elementos de composição, explorar as configurações da câmera do celular, descobrir os diferentes modos de disparo são algumas das dicas do empresário para criar gatilhos de venda.

"A ferramenta é gratuita, faça testes e analise qual obteve o maior número de curtidas e interações. Tente identificar um padrão de engajamento para definir o que agrada mais ao seu público".

 

FOTO: Pixabay





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