Leis e Tributos

Pedidos de recuperação judicial caem 36,4% no primeiro semestre


Na indústria e no comércio, os pedidos de recuperação judicial na capital paulista no primeiro semestre de 2017 recuaram mais do que a média. As quedas foram de 44,4% e 64,7%, respectivamente


  Por Redação DC 03 de Agosto de 2017 às 16:48

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


O número de pedidos de recuperação judicial na capital paulista caiu 36,4% nos primeiros seis meses de 2017 na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 88 pedidos, em 2016, contra 56, neste ano, de acordo com dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). 

“Houve uma melhora na gestão financeira das companhias, o que demonstra uma preocupação com a organização das contas, de forma que não assumissem dívidas ou compromissos que não pudessem ser pagos. O fluxo de caixa está mais equilibrado”, avalia Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

Ele acrescenta que o resultado foi ajudado pela alta de 1% do PIB no primeiro trimestre de 2017 em relação ao quarto trimestre de 2016, interrompendo um ciclo de oito quedas trimestrais consecutivas.

“Em geral os dados são bons e apontam que a economia está saindo da recessão, mas ainda não podem ser projetados em função do agravamento das crises política e institucional que o País enfrenta”, pondera Burti.  

SETORES

Na indústria e no comércio, os pedidos de recuperação judicial no primeiro semestre de 2017 caíram mais do que a média: os recuos foram de 44,4% e 64,7%, respectivamente. Na contramão, no setor de serviços houve um aumento de 47,4%.

Quanto às falências, o resultado do semestre foi puxado pela indústria, cujos pedidos recuaram 29,9% na mesma base de comparação. No comércio, a retração foi de 10%. Já nos serviços, houve uma expansão de 2,7%.

Na opinião de Alencar Burti, os números demonstram um primeiro sinal de que a situação de calamidade do País pode estar se revertendo, especialmente pela recuperação da indústria.

Há um alívio, diz, na situação financeira das empresas produtoras de bens, que podem comercializar seus produtos dentro e fora do Brasil.

Indústria e comércio são setores mais dinâmicos e acompanham mais a melhora da conjuntura. A produção industrial subiu 0,9% no primeiro trimestre e as retrações estão diminuindo na indústria e no varejo.

Já o setor de serviços, explica, obteve o pior desempenho nos indicadores de recuperação judicial e falências porque “depende exclusivamente do mercado interno e ainda não está reagindo devido à taxa de desemprego, que segue muito elevada, obrigando muita gente a cortar gastos com restaurantes, planos de saúde e escola particular.

O levantamento da ACSP tem como base dados fornecidos pela Boa Vista/SCPC.

DIFERENÇAS

O processo de recuperação judicial é uma forma de a empresa que passa por dificuldades financeiras recorrer ao Poder Judiciário com o objetivo de equilibrar suas contas e continuar a atuar no mercado. 

Assim, quem pede a recuperação judicial é a empresa devedora. Nesse caso, a responsabilidade do empresário se antecede ao que vai acontecer e ele pede a recuperação para não fechar as portas do seu negócio. 

Já a falência é um processo que visa a promover a arrecadação de todos os bens da empresa, a realização do ativo (transformação dos bens em dinheiro) e o pagamento aos credores. Neste caso, quem solicita é o credor.  

FOTO: Thinstock