Leis e Tributos

Handbook engrossa lista de varejo em recuperação judicial


Rede paulista de moda jovem se junta às 611 empresas do setor em processo de recuperação judicial


  Por Estadão Conteúdo 03 de Fevereiro de 2017 às 10:35

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


A Handbook, uma rede paulista de moda jovem, acaba de ampliar a lista de varejistas que recorrem à recuperação judicial devido à retração nas vendas do comércio.

Diante das dificuldades, nada menos que 611 companhias do setor tiveram de pedir recuperação no ano passado, segundo a Serasa Experian. Trata-se de um número 51% maior do que o registrado em 2015.

A Handbook entrou com pedido de recuperação judicial na quarta-feira 1, na 1.ª Vara de Falências e Recuperação judicial da capital paulista.

A dívida soma R$ 62,6 milhões, pouco abaixo do faturamento do grupo em 2016, de R$ 62,8 milhões.

Entre os maiores credores da varejista estão os bancos Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil e grupos de shoppings, como BR Malls e Multiplan.

Criada há 25 anos em São Paulo, a Handbook está presente também em shoppings de Minas Gerais, Goiás, Paraná, Santa Catarina, Ceará e Distrito Federal. A companhia, ao pedir recuperação, seguiu várias outras do setor.

Essa lista inclui GEP e Barred?s (de confecções); a B-Mart (brinquedos); e Darom Móveis e Eletrosom (móveis e eletrodomésticos).

Algumas empresas do ramo estão conseguindo evitar a recuperação judicial ao negociar a dívida diretamente com credores, sem a mediação da Justiça.

É o caso da camisaria Colombo, que tem uma dívida de cerca de R$ 1,5 bilhão. O presidente da Colombo, Warley Pimentel, afirma que a negociação direta é facilitada quando a dívida está concentrada em poucos credores - o que é raro em empresas de menor porte.

Para o consultor Marcos Gouvêa de Souza, da GS&MD, a crise econômica foi particularmente prejudicial para pequenas e médias empresas, mais dependentes de crédito. "A recuperação que se verá pela frente será lenta e cautelosa."

DIFICULDADES

Entre os problemas que afetaram a Handbook, que tem estrutura verticalizada de produção e criação, estão a queda nas vendas e os altos custos.

Com o dólar mais alto, a vantagem econômica que a empresa ganhou ao transferir boa parte de sua produção do Brasil para a China se dissipou. Diante dos problemas, a companhia fechou lojas nos últimos meses não rentáveis - o total de unidades caiu de 51 para 37 - e mudou a estratégia de seu negócio.

De acordo com Sergio Setrak Zeitunlian, dono da Handbook, a companhia vai tentar se transformar em uma loja âncora para os shopping centers.

A primeira experiência neste formato foi aberta em Goiânia, no fim de 2016. Além de roupas, a Handbook concentrará, nesses espaços, parceiros que venderão óculos, bijuterias e roupas de ginástica, por exemplo. "Uma loja âncora atrai muito mais consumidores, o que se reflete em vendas maiores."

A reestruturação da Handbook é assessorada pelo advogado Bruno Kurzweil, sócio do Thomaz Bastos, Waisberg e Kurzweil Advogados.

FOTO: Estadão Conteúdo