Leis e Tributos

Feirão do Imposto busca criar contribuintes conscientes de seu papel


Iniciativa do Fórum de Jovens Empresários da ACSP e do Conaje quer deixar claro aos brasileiros quanto de tributos se paga no dia a dia


  Por Redação DC 23 de Junho de 2021 às 21:02

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


O brasileiro já pagou mais de R$ 1,2 trilhão em taxas, impostos e contribuições neste ano, segundo o Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Sem que percebamos, somos seguidos em nosso dia a dia por uma horda de mais de 60 tributos, todos prontos para dar uma mordida em nossos ganhos.

Quando acordamos, ao acendermos a luz, lá estão o ICMS, PIS, Cofins e outros que, juntos, representam mais de 48% do valor da conta de energia que pagamos mensalmente. No preço do cafezinho que tomamos todas as manhãs, 16% são impostos embutidos. Do valor gasto com gasolina que usamos para ir e voltar do trabalho, 62% são tributos.

Todo esse dinheiro sai do nosso bolso, e entra nos cofres dos governos federal, estaduais e municipais. Não é à toa que muitos têm a sensação de que o patrão é o Estado; afinal, são mais de 150 dias trabalhando somente para gerar receita para ele.

Segundo um estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), em 2020, considerando o rendimento médio da população, todo o ganho obtido até o mês de maio pelo trabalhador foi direcionado exclusivamente para pagar tributos.

Com o pretexto de evidenciar à população essa realidade que dói no bolso, o Fórum de Jovens Empreendedores (FJE), da ACSP, organizou o Feirão do Imposto 2021, de maneira conjunta com a Confederação Nacional de Jovens Empresários (Conaje).

Segundo Nando Gaspar, coordenador do FJE, a ideia do Feirão é mostrar ao brasileiro o quanto de impostos ele paga no dia a dia para, assim, criar a consciência de que ele tem o direito de cobrar do poder público a aplicação honesta dos recursos arrecadados.

Tradicionalmente, o Feirão do Imposto faz eventos públicos, mas em meio à pandemia, as ações deste ano foram virtuais, com debates realizados por especialistas nas áreas contábil e tributária.

“Discutimos desde o custo diário de um paciente com covid-19, até a bitributação que sofrem muitos empresários, que pagam imposto ao comprar a laranja e quando fazem o suco para vender, pagam novamente o mesmo tributo”, exemplifica Gaspar.

Entre as ações do Feirão do Imposto deste ano, ele destaca que foram realizadas 35 impressões do evento em jornais, 26 entrevistas em rádio, sete entrevistas ao vivo em televisões, 4 matérias em jornais, entre outras.

O Feirão do Imposto foi um dos instrumentos usados pela ACSP para pressionar o legislativo a aprovar a lei que garantiu que o total de impostos fosse discriminado nos cupons fiscais - lei que ficou conhecida como Imposto na Nota, hoje em vigor.

Em 2011, na presidência de Guilherme Afif Domingos, hoje secretário especial do Ministério da Economia, a ACSP organizou a Caravana do Imposto, levando o Feirão do Imposto para várias cidades do interior de São Paulo.

O Feirão, montado em um caminhão, funcionava como uma espécie de micromercado onde produtos eram apresentados com duas etiquetas, uma com o preço e outra com os tributos embutidos nos preços.

Antes dessa iniciativa, em 2005 a ACSP já havia instalado o painel eletrônico do Impostômetro na fachada de sua sede, à rua Boa Vista, centro histórico da capital paulista. O painel estima a arrecadação em tempo real, mais uma vez, com o intuito de conscientizar a população a respeito do seu papel dentro da estrutura arrecadatória do Estado.  

IMAGEM: Thinkstock





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