Leis e Tributos

Ex-secretário da Receita propõe freio para disputas com contribuintes


Medida proposta por Everardo Maciel (na foto) visa diminuir autos de infração, que incluem multas infundadas e feitas sem embasamento


  Por Estadão Conteúdo 03 de Dezembro de 2018 às 09:15

  | Agência de notícias do Grupo Estado


Secretário da Receita Federal durante os oito anos do governo de Fernando Henrique Cardoso, Everardo Maciel defende a criação de um código do processo tributário para colocar freio na avalanche de disputas do Fisco com contribuintes que ocorre hoje no Brasil.

Pela proposta, União, Estados e municípios seriam obrigados a ressarcirem os contribuintes nos casos de perderem os processos contra suas atuações.

Com a medida, se espera diminuir os autos de infração, que incluem as multas infundadas e feitas sem embasamento.

Um dos principais pontos é a adoção da chamada compensação universal de créditos tributários, que permitiria aos contribuintes compensarem com qualquer tributo devido desde que tivessem crédito a receber.

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A dificuldade de compensação, principalmente de contribuições previdenciárias, é hoje uma das maiores reclamações das empresas. Até mesmo precatórios (pagamentos devidos pela União após sentença definitiva na Justiça) a receber poderiam ser compensados.

A proposta de Everardo Maciel está sendo analisada pela equipe do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes.

A ideia é acabar com a exigência de certidões negativas para a contratação de empresas no setor público, que seriam substituídas por uma espécie de "acerto de contas" entre o que a empresa deve e o que receberia pela prestação de serviço.

A proposta foi construída com auxílio de juristas e tributaristas no âmbito da CPI do Carf e da Comissão de Juristas para a Desburocratização, que teve a participação do atual presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.

Duas propostas de emenda constitucional (PEC) de números 112 e 57, que já tramitam no Congresso, poderão ser aproveitadas.

"Os autos não resultam em nenhum ônus para os Estados, ou seja, pode lançar o que quiser. Não há nenhuma responsabilidade?", diz Maciel.

A proposta avança num modelo de maior interação entre as esferas administrativa e judicial. "Isso vai produzir uma revolução", prevê. Hoje, não há cobrança da chamada sucumbência (honorários) para os Fiscos. "Se confirmar a derrota, vai ter que pagar", explica.

Para Maciel, as principais questões tributárias brasileiras nada têm a ver com os modelos tributários. Na sua avaliação, o que torna o sistema ineficiente e oneroso está relacionado à burocracia e ao processo tributário, que trata da fiscalização, lançamento e julgamento das autuações nas esferas administrativas e judicial.

Segundo ele, dos 80 milhões de processos em tramitação na Justiça, 38% são de execução fiscal. Há litígios, como os que tratam da tributação do ágio, que somam mais de R$ 100 bilhões.

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Maciel defende também que o Carf tenha apenas servidores concursados. O Carf é um conselho vinculado ao Ministério da Fazenda, cuja atribuição é analisar recursos de empresas multadas pela Receita Federal.

A proposta também inclui a criação de um cadastro único entre os Fiscos para as empresas abrirem e fecharem. Hoje, há um multiplicidade de cadastros. "Uma empresa não é diferente para o Fisco de São Paulo ou outro Estado", diz. 

FOTO: Agência Brasil