Inovação

Sim, é possível desenvolver a criatividade. Ela ensina o que fazer


Em tempos de competição acirrada, funcionários criativos podem ajudar a tornar uma empresa mais inovadora, disse Martha Gabriel, em palestra na Feira do Empreendedor


  Por Thais Ferreira 24 de Fevereiro de 2016 às 10:00

  | Repórter tferreira@dcomercio.com.br


Martha Gabriel não pode ser definida em uma palavra. Formada em engenharia, com pós-graduação em marketing e design e mestrado em artes, atualmente ela se divide entre os livros que escreve, as palestras pelo mundo e as carreiras de docente, pesquisadora e artista.

Com uma vida tão atribulada, ela podia ensinar as pessoas a como gerenciar o tempo ou ter múltiplas carreiras. Mas subiu ao palco da Feira do Empreendedor para falar sobre sua especialidade: criatividade.

No início de sua palestra, desmitificou algumas informações sobre o tema.

Muitas pessoas associam a criatividade a certas profissões como diretores de cinema, publicitários ou arquitetos. A verdade é que qualquer setor necessita de profissionais com essa competência, seja para criar novos produtos, seja resolver problemas de uma nova forma.

Outro mito que persiste: há pessoas que nascem com esse dom natural. Na realidade, todos têm o potencial para ser um indivíduo criativo, basta desenvolver essa capacidade.

A criatividade, de acordo com Martha, pode ser um importante instrumento para o sucesso de empresas. “Passamos da era da informação, em que o conhecimento era caro e restrito, à das inovações, em que todos os recursos estão disponíveis e é preciso criatividade para se diferenciar”, afirma.

Para ela, as empresas não têm a capacidade de serem criativas, mas sim inovadoras – aquelas que por meio de processos conseguem transformar a criatividade de seus funcionários num produto e serviço.

Durante sua apresentação, ela falou sobre como é possível estimular pessoas a desenvolverem suas habilidades.

IGNORE ESTEREÓTIPOS

Muitas empresas associam criatividade com ambientes coloridos, puffs, sofás e jogos de vídeo game para os funcionários. Essas salas modernas talvez funcionem para algumas empresas de tecnologia ou startups.

Mas é importante entender que existem diversas formas de criatividade e cada pessoa é estimulada de uma forma diferente.

Martha menciona como um bom exemplo de espaço criativo o laboratório do Massachusetts Institute of Technology (MIT).  Nesse local, há cadeiras e mesas de diversas formatos, além de diversos materiais que ajudam no processo.

Cada empresa pode ter uma dinâmica diferente para estimular a criatividade de seus funcionários, vai depender do setor que ela atua.

QUESTIONE E COMETA ERROS

No sistema de ensino tradicional, as crianças não são estimuladas a criatividade. Ao contrário, é ensinado que existe uma forma correta e as demais não são aceitas. Dessa forma, o conhecimento se torna algo técnico e repetitivo e acaba contraindo a imaginação. 

Não são apenas as escolas que fazem isso: empresas, instituições religiosas e familiares acabam desestimulando a criatividade porque impõe verdades absolutas que não são questionadas. “A criatividade e a curiosidade estão intimamente ligadas”, diz Martha.

Para ser uma pessoa criativa é preciso percorrer um caminho de erros. As boas ideias surgem após uma sequência de outras que foram fracassadas. O processo, portanto, é algo que devia ser mais estimulado e não o resultado em si.

Outro fator importante é colocar ideias em prática. Muitas pessoas ficam presas a concepção, mas pecam na execução. 

BANHO, CAMA E CAFÉ

A criatividade é um exercício acumulativo. De acordo com pesquisas recentes, essa habilidade chega ao auge quando uma pessoa chega com os 50 anos.  

Para estimular uma pessoa ser criativa, existem diversos exercícios de neuróbica que podem ser úteis. Alguns deles são muito simples, como escrever com a mão que você não está acostumado ou fazer caminhos diferentes dos rotineiros. O importante é estimular o cérebro para que ele pare de operar no modo automático.

Outra dica de Martha é: se você quer ter uma boa ideia tome um banho.

O conselho parece absurdo, mas de acordo com a palestrante, entrar no chuveiro ajuda bloquear o sentido da visão e, com isso, os outros sentidos ficam mais aguçados – o que ajuda a criatividade.

O mesmo pode ser feito durante uma pausa para café, permanecer em uma pequena copa durante alguns minutos sem distrações pode ser uma forma de pensar em novas ideias.

Para julgar se uma ideia criativa é realmente boa, Martha aconselha ir para a cama e ter uma boa noite de sono. Durante o repouso, os neurônios são capazes de processar os acontecimentos do dia e estabelecer melhores conexões.

“São coisas simples que fazemos todos os dias e que podem ser usadas para melhorar nossa criatividade”, afirma Martha.

 

Foto: Cris Castello Branco/Sebrae-SP