Inovação

Os jovens empreendedores e a Associação Comercial 4.0


O novo momento da ACSP, que passou a fomentar o empreendedorismo usando também inovação e tecnologia, foi o tema da palestra do segundo dia do 19º Congresso da Facesp


  Por Karina Lignelli 31 de Outubro de 2019 às 13:56

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Empreendedorismo, tecnologia e inovação. É dessa forma que os jovens empreendedores têm promovido a renovação na centenária Associação Comercial de São Paulo (ACSP), transformando-a numa "Associação Comercial 4.0". 

Esse, aliás, foi o tema da palestra comandada por Alessandra Ferreira de Andrade, VP de relações com a juventude e inovação da ACSP e gestora do FAAP Business Hub no segundo dia do 19º Congresso da Facesp. 

Alessandra, que abriu sua fala com um provocação aos presentes, citando o famoso romance Gabriela Cravo e Canela, de Jorge Amado, lembrou de uma época em que as associações comerciais tinham a mesma importância do prefeito em uma cidade, reforçou a importância de mudar o mindset, individual ou em grupo, para transformar.

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"Temos que sair da 'Síndrome de Gabriela' - do eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim - por que agora nós trazemos as principais referências para a economia, e com foco em resultados", disse. "Empreendemos  para criar tecnologias que exponencializem os negócios, usando a inovação e o inconformismo como forma de mudança."

Lembrando que os integrantes do grupo na ACSP não são "filhos de diretores", mas sim empresários jovens que acreditam no associativismo, Fernando Gaspar, coordenador do Fórum Jovem Empreendedor (FJE) falou sobre a importância de criar uma conexão empreendedora para entender que, se difícil, é porque está errado. 

"A revolução está chegando. Uma ideia sozinha não é nada, mas ação é tudo: por isso precisamos nos voltar para uma matriz empreendedora baseada em colaboração e cooperação para transformar a história da ACSP", afirmou. 

Gaspar também menciounou os diversos eventos que o FJE já promoveu, como os Lab Pitchs e a apresentação de fintechs com soluções para facilitar a vida dos jovens empresários, além da criação de um comitê de diversidade, que pela primeira vez na história da ACSP trouxe uma empreendedora transgênero para falar sobre o tema. 

"Emprender na vida real é muito mais legal. Você pode investir milhões em marketing digital, mas é a aquela indicação que faz toda a diferença. Conexão é tudo", reforçou.

Coordenador do FJE antes de Gaspar, Leonardo Ramos foi o responsável por diversas ações de reformulação e reinvenção dos processos do Fórum, que tem mais de 30 anos de existência.

Ele, que agora é o mais jovem superintendente a assumir uma distrital da ACSP, citou três pontos que fazem a diferença nessa trajetória: união,  empoderamento e relevância. 

"Tivemos essa responsabilidade de fazer com que jovens empreendores entendam que fazem parte de um movimento autêntico: que nossos sonhos possam virar realidade dentro de um espírito de união e que possamos transformar o produto do nosso manifesto em ações concretas, com a liderança de construir juntos a ACSP que queremos."  

Através do exemplo do pitch das startups, que devem convencer em poucos minutos as pessoas a entenderem seus negócios - e investir neles, claro -, Augusto Aielo, conselheiro de São Paulo na Conaje (Confederação dos Jovens Empreendedores) e idealizador do projeto Quem quer ser um unicórnio? (as startups que valem US$ 1 bilhão) e dos Lab Pitchs na ACSP, falou sobre a importância de pensar nas vendas para mudar as estatísticas da dos negócios que fecham as portas em menos de dois anos.  

"Se batemos na porta do cliente e não estivermos preparados, com um discurso maravilhoso, perdemos a venda", diz. "O mercado muda o tempo inteiro. Você quer ficar na zona de conforto ou ser um unicórnio?", questionou. 

Para finalizar, o presidente da Conaje, Marcelo Quelho, ressaltou a importância do trabalho dos coordenadores, conselheiros e membros das associações comerciais, que é voluntário. "É um trabalho que não tem preço, pois não há como remunerar um trabalho de tanta qualidade na ponta", afirmou ele, que foi incentivado, há cerca de oito anos, a se associar também, por um integrante de uma associação comercial de Marechal Rondon, no interior do Paraná. 

Com pouco mais de 50 mil habitantes, a associação comercial local tem 1,6 mil associados, segundo Quelho. "Quando eu perguntei como eles conseguiram isso, esse senhor, que foi integrante do conselho de jovens, disse que o trabalho começou com eles, porque 'os jovens podem mudar o mundo'. E esse é o nosso papel", concluiu. 

FOTO: Vinícius Cordeiro