Inovação

Os caminhos do frete


De moto, bicicleta ou caminhão: e-commerces encontram opções para fazer as entregas de seus produtos sem depender dos Correios


  Por Thais Ferreira 07 de Outubro de 2015 às 08:00

  | Repórter tferreira@dcomercio.com.br


Durante a recente greve dos Correios – que durou oito dias e se estendeu por mais de 11 estados brasileiros – era comum ver avisos em quase todas lojas online anunciando possível atraso nas entregas.

Não à toa. A empresa pública é considerada uma boa alternativa para os fretes do comércio eletrônico. De acordo com dados do ABCOmm e E-commerce School, os Correios mantêm parceria com nove de cada 10 lojas virtuais no Brasil. 

A empresa tem abrangência nacional, agilidade e preços competitivos para negócios de todos os portes. 

Apesar dessas boas condições, a maioria dos especialistas acredita que é fundamental que um e-commerce possua mais de um meio de entrega. Uma das razões é, justamente, a recorrência das greves dos funcionários que atrasam os pedidos dos clientes. Desde 2010, há quase uma paralisação por ano.  

Além disso, é importante ter múltiplos canais para atender às demandas de diferentes consumidores. 

Há quem prefira que o frete seja feito de forma mais rápida e está disposto a pagar um pouco mais por esse serviço. Há também os clientes que preferem esperar mais para receber o produto, se a taxa for menor.  

Outro motivo importante – para não ficar apenas nas mãos dos Correios – é evitar os gargalos que acontecem em alguns períodos do ano devido ao aumento da demanda, como na Black Friday ou Natal. 

Nos meses de novembro e dezembro, os Correios costumam alongar os prazos de entrega, o que pode deixar alguns consumidores insatisfeitos. 

Antes de escolher um ou mais meios de entrega, o empreendedor deve levar em consideração que é fundamental para o sucesso de um e-commerce: entregar o produto em boas condições e dentro do prazo. Tanto é que, nos últimos anos, a logística do comércio online se tornou um dos aspectos fundamentais para fidelizar os clientes. 

Alternativas de transporte não faltam. Conheça formas de entrega acessíveis a pequenos e médios e-commerces: 

DE MOTO

Entregas de documentos por meio de motociclistas se tornaram comuns nas grandes cidades há décadas. Mas usar esse meio de transporte para fazer um frete sistemático de produtos ainda é uma prática recente. 

Essa modalidade de entrega é uma solução para quem deseja uma entrega rápida e em curtas distâncias. Existem algumas empresas que oferecem esse serviço para lojas online. Uma delas é a empresa 99Motos. 

O negócio surgiu de uma necessidade pessoal de Jhonata Emerick, CEO da empresa. No meio da madrugada, ele não podia sair casa e precisou de medicamento com urgência. Mas as farmácias não faziam entregas. 

Depois dessa experiência e de observar a grande frota de motociclistas em São Paulo, ele fundou a 99Motos em outubro de 2013. A ideia é conectar motoqueiros autônomos com pessoas que precisam realizar a entregas – num sistema similar aos aplicativos de táxis. 

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Desde o ano passado, a 99Motos passou a focar no frete para empresas. Com uma tecnologia que consegue criar roteiros de forma eficiente, o preço final das entregas se torna viável para e-commerces de médio porte.  

Os preços variam de acordo com o volume de entregas e com as necessidades de cada loja online. Algumas empresas como a Reserva, e-commerce de roupas e acessórios de São Paulo, já oferece essa modalidade de entrega. 

Entregadores da EcoBike Courier. Foto: Divulgação

DE BICICLETA

Rapidez nas entregas a curta distância é o que prometem também as empresas que fazem frete por meio de bicicletas. Mas além da velocidade, a principal vantagem é a sustentabilidade. Sem a utilização de combustíveis e emissão de poluentes, essa forma de entrega se torna um diferencial para muitos consumidores.

Empresas com a Kanui, e-commerce de produtos esportivos, já oferecem essa possibilidade de entrega para seus clientes. 

A empresa responsável pelas entregas sobre duas rodas é a EcoBike Courier, de Curitiba. Fundada por Cristian Trentin em 2011, possui atualmente seis unidades no Paraná e em São Paulo. 

Outra vantagem para os e-commerces que adotam as bicicletas é o custo. Com os constantes aumentos da gasolina, o preço das entregas por bicicleta pode se tornar mais baratos – dependendo da distância a ser percorrida. A economia pode chegar a 30%. 

Essa modalidade de entregas já é amplamente utilizada em cidades como Nova York, onde existem diversas empresas especializadas nesse tipo de serviço.

TRANSPORTADORAS

Contratos com transportadoras podem parecer um serviço apenas para as empresas de grande porte. Mas a Intelipost, plataforma de gerenciamento de logística, garante que não. 

A história da empresa começou anos atrás quando o fundo alemão Project A Venture chegou no Brasil para investir em lojas virtuais brasileiras, como a Natue, que vende produtos naturais, e a Evino, que comercializa vinhos. 

Eles perceberam que o cálculo do frete no país era bastante confuso: cada transportadora tinha uma forma diferente de precificar as cargas. Eles decidiram criar uma plataforma para fazer o gerenciamento do frete.

O software deu tão certo que eles decidiram comercializar o produto para outras empresas. Surgiu assim a Intelipost. 

Apesar dos custos das transportadoras no Brasil serem elevados, essa modalidade é a melhor forma de alcançar longas distâncias. Os principais obstáculos para adoção ainda são o preço e o volume necessário de pedidos para que o contrato seja vantajoso para os empresários. 

Para facilitar para os pequenos e médios e-commerces, a plataforma – além de cotar quais são os preços do frete entre mais de 300 transportadoras – é uma forma de melhorar a negociação. 

“Juntando o volume de pequenos e-commerces em nossa plataforma é possível criar o volume necessário para contratar uma transportadora a preços mais competitivos”, afirma Gabriel Drummond, co-fundador da Intelipost.

*Imagens: ThinkStock