Inovação

O que sua empresa pode aprender com as líderes mundiais de inovação


Agilidade, simplicidade, tecnologia. Eis o que diferencia as companhias que estão no topo da lista, revela estudo do Boston Consulting Group (BCG)


  Por Italo Rufino 04 de Dezembro de 2015 às 08:00

  | Repórter isrufino@dcomercio.com.br


Ficar para trás e perder o impulso da inovação é o grande temor dos executivos das maiores companhias do mundo. É o que revela o mais recente levantamento The Most Innovative Companies 2015, conduzido pela consultoriua Boston Consulting Group (BCG).

De acordo com a pesquisa mundial, 79% dos entrevistados apontaram a inovação como a maior ou uma das três maiores prioridades da empresa. O número atingiu o maior percentual desde que a pergunta passou a ser formulada, em 2005.

Na lista das mais inovadoras estão gigantes da tecnologia, como Apple (1º) e Yahoo (16º), do setor automobilístico, como Toyota (6º) e Renault (33º) e financeiras, como Fidelity Investiments (34º) e JP Morgan Chase (43º). 

A pesquisa consultou 1 500 executivos de 50 empresas de diversos setores. 

Conheça outras constatações do estudo e saiba como atuam grandes companhias inovadoras. 

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ÊNFASE EM VELOCIDADE 

Agilidade em processos permite que as empresas captem as demandas dos clientes assim que surgem, deixa os concorrentes para trás e reduz custos. 

Uma empresa que vive da velocidade é a Zara, que transforma tendências de moda em produtos em no máximo quatro semanas. 

Design, compras, produção e entrega são responsabilidades de equipes que trabalham próximas aos gerentes de loja. As equipes são avaliadas com base em métricas comuns que estão relacionadas ao prazo de desenvolvimento e venda dos produtos.  

"Este negócio se resume a redução tempo de resposta. Na moda, o estoque é como comida – pode estragar rapidamente", disse José Maria Castellano, CEO da Inditex, controladora da Zara. 

Uma vantagem de manter processos ágeis é que produtos oriundos de tendências podem conquistar maior participação de mercado devido a menor concorrência inicial.

E como aumentar a velocidade? Primeiro é necessário simplificar os processos. Não se recomenda perder tempo com protótipos. A ideia é lançar o produto, mesmo com imperfeições, e usar os feedbacks dos consumidores para aperfeiçoa-lo. 

Também é necessário ter pessoas dedicar a captar tendências e transforma-las em inovação. É melhor manter 10 pessoas com dedicação exclusiva do que 100 pessoas que usam apenas 10% do seu tempo à inovação. Empresa com equipes dedicadas exclusivamente reduzem o tempo de desenvolvimento de produtos e serviços em quatro vezes.

PROCESSOS EFICIENTES E ENXUTOS 

Antes de tudo, inovação é uma função criativa. Muitas vezes, o gerenciamento excessivo de processo pode atrapalhar a criatividade. Mentes criativas clamam por liberdade e qualquer tipo de processo de gestão rígido pode afastar os criativos do negócio – ou fazer com que eles fiquem na empresa, mas não usem toda a sua capacidade. 

Outras pesquisas conduzidas pela BCG apontam que empresas que mantêm processos enxutos têm vantagem competitiva e desenvolvem produtos de maior qualidade em até seis meses antes que seus concorrentes. Essas empresas também reduzem os custos de produção em 35% e aumento a produtividade em até 20%.

Ao desenvolver processos enxutos, as empresas consideram os seguintes fatores:
Planejamento, programação e aprovação, que evitam tomadas de decisões inadequadas ou tardias. 

• Padronização e automação para minimizar variações de qualidade e maximizar a eficiência. 

• Clareza de responsabilidade para assegurar a coordenação das funções-chave e garantir trocas e reutilizações de informações. 

• Terceirização e distribuição geográfica de trabalho para reduzir custos e permitir que a empresa foque em suas atividades principais. 

• Métricas, monitoramento e feedback para manter a transparência nos custos e outros indicadores e evitar gargalos na mensuração da satisfação do cliente. 

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PLATAFORMAS TECNOLÓGICAS 

Os principais benefícios da tecnologia nas empresas são a redução de custos e cronogramas, aprimoramento de processos e, a mais significativa, criação de novos produtos e serviços. 

A GE, por exemplo, usou a impressoras 3D para reduzir o custo de fabricação de transdutores, os componentes mais caros empregados em equipamentos de ultrassom. Agora, a empresa está explorando usar impressão 3D em outros negócios, incluindo a fabricação de motores a jato. 

Empresas que querem buscar inovação tecnológica devem seguir algumas práticas: 

• Alocar orçamento e recursos para inovação tecnológica. Estabelecer uma equipe multifuncional num laboratório de inovação pode ser um bom começo. 

• Propor incentivos aos funcionários que desenvolvem inovação. A empresa pode organizar concursos e oferecer recompensas e reconhecimentos. 

• Fomentar experimentações e aprendizados. Incentivar a tomada de riscos por meio de relatórios que avaliam o sucesso e o fracasso de projetos – o que pode ser aprendidos com eles. A empresa tem que comunicar de forma explícita que está disposta a correr riscos e falhar em busca da inovação. 

• Incentivar a colaboração entre TI e unidades de negócios. Em empresas inovadoras, os técnicos de TI trabalham integrados a outros departamentos e em equipes de inovação. 

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EXPLORAÇÃO DE MERCADOS ADJACENTES

Crescer em mercados próximos ao core business da empresa é marca registrada de companhias líderes em inovação, como 3M, P&G, Amazon e Google. 

Essas empresas fazem isso por bons motivos. Em mercados maduros, o crescimento tende a estabilizar ou diminuir com o passar do tempo devido o aumento da concorrência. Investir em novos produtos em mercados em que a empresa já atua também pode ser arriscado – uma vez que os novos itens podem canibalizar as vendas de suas próprias marcas. 

Investir em novos mercados por meio de spin-offs (ideias de negócios promissoras que virão empresas independentes) pode representar uma nova fonte de receitas para o negócio principal. 

Há algumas metodologias para inovar em mercados adjacentes. A empresa pode criar uma equipe de inovação dedicada exclusivamente para a spin-off. Há vários motivos para separar os funcionários. Primeiro, se a mesma equipe trabalhar para os dois negócios, é muito provável que o orçamento destinado para explorar novos mercado seja também usado para suprir necessidades de curto prazo da empresa de origem. 

Os funcionários também não vão desligar sua mente do negócio principal, o que afeta o surgimento de ideias inovadoras. É necessário  que a equipe trabalhe considerando um horizonte de longo prazo e que seja mais propícia ao risco e tenha resiliência quanto a fracassos – o que pode não ser tão valorizado numa empresa estabelecida.  

Os funcionários também podem utilizar a estrutura da empresa de origem como laboratório. O Google, por exemplo, tem uma política de incentivar que os funcionários gastem 20% do seu tempo de trabalhando em suas próprias ideias, usando ferramentas e dados da empresa. A 3M, por exemplo, adota uma política similar que disponibiliza 15% do expediente do funcionário. 

Muitas empresas podem usar os processos de inovação que já funcionam internamente para atuar em novos negócios. Uma vez que a casa está em ordem, as empresas podem começar a olhar ao redor do bairro para encontrar novas oportunidades de crescimento incremental. 

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