Inovação

O que elas fazem para conquistar os seus pés


Redes do varejo de calçados se valem de tecnologia para garantir a fidelidade da clientela. Loja paulistana da Owme (foto) usa até chip nos sapatos para que clientes desfrutem de um longo test drive


  Por Mariana Missiaggia 31 de Julho de 2018 às 08:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Fato: as vendas de calçados no Brasil recuaram 8,4% em valor no acumulado de 12 meses até maio de 2018, em comparação aos 12 meses anteriores, de acordo com os dados da Associação Brasileira de Lojistas de Artefatos e Calçados (Ablac), em parceria com a Kantar Worldpanel.

Vitimado pela lenta recuperação da economia, o setor calçadista tem adotado estratégias inovadoras para estimular consumidores mais seletivos. 

Para tanto, é preciso ajudar a clientela a comprar o que lhe parece melhor e da melhor forma. Com tantas tendências e inovações no varejo europeu e americano, o mercado nacional também aposta em ações, que devem se intensificar entre as marcas que querem se manter competitivas. A seguir, alguns exemplos:

OWME COM CHIP NOS PÉS

Lançada no início do ano, a Owme é a sexta marca da rede do grupo Arezzo & Co., detentora das marcas Arezzo, Alexandre Birmann, Schutz, Anacapri e Fiever.

LOJA OWME LIBERA TEST DRIVE PARA CLIENTES

Direcionada a mulheres com mais de 35 anos em busca de conforto nos pés, a primeira loja da Owne inaugurada, em maio, na rua Oscar Freire, em São Paulo, chegou trouxe uma novidade: o test drive de calçados.

Oferece às clientess a possibilidade de passear com alguns modelos da coleção, equipados com um chip de localização. Após um cadastro, a cliente potencial pode caminhar durante duas horas num raio de um quilômetro da loja antes de decidir pela compra.

Os calçados custam em média R$ 290 o par e irão competir com outras marcas de calçados que focam na linha conforto, como Usaflex e a Beira Rio Conforto.

O QUE VOCÊ QUISER, ONDE ESTIVER

Com nove bandeiras de varejo de calçados (Paquetá, Gaston, Paquetá Esportes, Esposende , Dumond, Capodarte, Lilly’s Closet, Ateliermix e Ortopé), o grupo Paquetá–The Shoe Company está há quase um ano colhendo os bons resultados do sistema Multimix instalado nas lojas da Paquetá, Paquetá Esportes, Esposende e Gaston.

A tecnologia permite aos consumidores adquirir peças de qualquer uma das quatro marcas seja lá qual for a loja em que estiver. É como se fosse possível comprar um batom da “Quem disse, Berenice?” dentro de uma loja O Boticário.

Cada uma das 149 lojas recebeu um terminal com telão touch, que pode ser operado por clientes e vendedores para localizar algum produto no estoque e que poderá ser retirado na loja desejada em até 24 horas.

Logo no primeiro mês, a novidade trouxe um resultado de vendas 30% superior ao esperado, de acordo com Marcos Ravazzolli, diretor de varejo da companhia. O grupo também é adepto do mobile checkout para pagamentos.

VINCI SHOES É ADEPTA DO SISTEMA "JUST IN ORDER"

VINCI SHOES SOB DEMANDA

Já a Vinci Shoes trabalha com o sistema “Just in order” – isto é, sem estoque e sem uma coleção fixa. Os sapatos são produzidos de acordo com a demanda.

A estratégia foi na verdade, a saída encontrada por Bruno Henkel, sócio-fundador da Vinci Shoes, fundada em 2013, para vender pelo e-commerce sem precisar investir tanto em estoque. No entanto, a prática se tornou o conceito da marca que tem foco no desperdício mínimo e modo de produção desacelerado.

Foi o acesso e proximidade com um fornecedor que possibilitou a produção sob medida. Com foco nas vendas online, os sapatos possuem numerações que vão além da grade tradicional — elas vão do 33 ao 41 e levam em média 4 dias úteis para ficar prontos e até 12 dias para ser entregue ao cliente.

Com o crescimento da marca no e-commerce, outras 20 lojas de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais passaram a revender os produtos da empresa, e outras duas lojas físicas próprias foram abertas (São Paulo e Porto Alegre). Nelas, as vendas são feitas nos mesmos moldes do site -ainda que nelas seja possível encontrar um estoque mínimo de sapatos– é mais frequente é que o cliente prove o sapato, realize a compra e espere alguns dias para recebê-lo em casa.

Artesanal, a produção é feita com o couro dos curtumes do Rio Grande do Sul, onde a marca está radlcada.

FOTO: Thinkstock