Inovação

O que aprender com a nova loja conceito da Hering


Marca de 138 anos reinventa o ambiente da loja do Morumbi Shopping para oferecer uma nova experiência de compra para os clientes


  Por Italo Rufino 01 de Novembro de 2018 às 08:00

  | Repórter isrufino@dcomercio.com.br


No início de outubro, a Hering apresentou ao público um novo conceito de loja. Batizada de Hering Experience, o ambiente, uma antiga unidade do Morumbi Shopping, foi reformado para oferecer interatividade e conveniência para o consumidor.

Há diversas novidades. De pronto, quem passa em frente à loja se depara com uma vitrine instagramável – conceito que designa lugares que despertam o interesse espontâneo do consumidor em tirar e compartilhar fotos nas redes sociais.

A vitrine possui nuvens de algodão, matéria-prima dos produtos da marca, e um balanço. Aqui tem uma sacada: o movimento do balanço faz com que os clientes também criem vídeos e Boomerang (tipo de minivídeos com efeito do Instagram, em que a imagem avança e retrocede).  

UNIDADE POSSUI TELAS DE LED SENSÍVEIS AO TOQUE PARA
RECOMENDAÇÃO DE PRODUTOS

Do lado de dentro, há uma tela de LED dotada com uma câmera que identifica o gênero e idade de quem entra na loja. Assim, o painel exibe promoções condizentes com as características do cliente.

Nos fundos, há um espaço para quem deseja personalizar estampas e imprimir, na mesma hora, o desenho na sua nova camiseta.

O módulo é flexível e pode ter paredes e balcões alterados para realizar outras ativações, como uma oficina de bordados que a loja realizou recentemente.

Por usa vez, o provador é repleto de atrações. O espaço possui um lounge com café, poltronas e wi-fi gratuito.

Há também um painel de e-commerce para, caso a peça experimentada ser menor ou maior, o cliente comprar outro tamanho e receber em casa.

Já dentro das cabines há sensores que identificam as etiquetas da peça, dotadas de tecnologia RFID (que possibilita identificação automática por meio de sinais de rádio).

Num espelho inteligente, há uma tela touch screen em que o consumidor navega pela coleção da marca e escolhe novos itens ou peças, sugeridas pelo sistema, que combinam com as que já está experimentando.

A mesma tela é usada para chamar o vendedor no salão da loja, este já munido com um celular com aplicativo para fechamento de venda. 

O sistema é similar ao utilizado pela varejista americana Rebecca Minkoff, referência mundial no setor. 

Na hora de pagar, a parede por trás do caixa exibe uma linha do tempo que conta a história de 130 anos da marca. Há também menção ao projeto Trama Afetiva, iniciativa da Fundação Herman Hering, da família dos fundadores da empresa, que reúne estudantes e profissionais do mundo da moda e design para repensar o consumo.

O que antes era uma parede lisa se transformou num grande painel de storytelling.

Na saída da loja, o consumidor pode responder uma pesquisa de satisfação num totem.

“O objetivo do espaço é estabelecer um contato mais próximo com o consumidor”, afirma Rita Coelho, gerente de marketing da marca. “E também oferecer uma experiência positiva para que a Hering esteja em outro patamar dentro do rol de marcas que ele considera.”

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MAIS VENDAS

Além do impacto de lembrança e posicionamento de marca, a loja tem demonstrado bom desempenho financeiro.

Numa avaliação das primeiras semanas de operação, foi constatado crescimento das receitas em 40%, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Com relação às demais unidades da Hering que também passaram por reformas, a unidade Experience obteve 12% mais vendas.

Todo o projeto da loja durou 30 dias, da concepção à implementação. O tempo apertado aconteceu para evitar que o espaço ficasse fechado por muito tempo para a reforma, o que comprometeria o faturamento da rede – uma vez que unidade do Shopping Morumbi possui altas vendas.

FACHADA ANTIGA DA LOJA DO MORUMBI SHOPPING 

E quais foram os pontos de atenção para desenvolver a transformação da loja?

De acordo com Rita, a Hering tem como foco o consumidor no centro.

Isso quer dizer que a empresa precisa identificar os desejos do cliente, sua jornada de compra e de que forma é possível tirar o melhor proveito dos pontos de contato entre a marca e o consumidor.

Assim, a operação da loja passa a ser baseada nos anseios, necessidades e satisfação do consumidor – e não no que a marca quer empurrar para ele.

Do ponto de vista prático, a Hering teve que treinar os funcionários da loja por três semanas para que eles entendessem a dinâmica da nova unidade e a maneira que ela reflete o posicionamento da marca.

Outro fator de cuidado diz respeito ao aperfeiçoamento do espaço. Há arranjos de prateleiras, balcões e mesas de mostruários flexíveis que podem mudar de lugar para melhorar a disponibilidade das ofertas.

Há também a preocupação com manutenção e assistência técnica dos painéis de LED, que utilizam tecnologias de diferentes fornecedores.

Embora o modelo da nova loja não seja replicável para toda a rede – e nem é esse o propósito de uma loja conceito, Rita afirma que nos próximos meses outras unidades poderão passar por pequenas transformações.

“Agora, vamos observar o que deu certo para implementar pontos de melhorias nas demais lojas da marca”, afirma.

IMAGENS: Divulgação