Inovação

Mais uma revolução no comércio: comprar pela tela da televisão


Depois do comércio eletrônico (e-commerce) e das vendas pelas redes sociais (s-commerce), agora é possível comercializar produtos utilizando a TV como plataforma. É o t-commerce


  Por Thais Ferreira 08 de Junho de 2017 às 08:00

  | Repórter tferreira@dcomercio.com.br


A cena é bastante comum. Você está assistindo televisão e depara com uma camisa linda ou um objeto de decoração que estava procurando para sua casa. 

Agora, imagine que seja possível pegar o controle remoto, apertar alguns botões e realizar a compra daqueles itens que você acabou de ver na telinha. Os produtos serão entregues em poucos dias na porta da sua casa.

Essa forma de fazer compras pode parecer cena de filmes e séries futuristas. Mas, em breve, as compras pela televisão poderão fazer parte da realidade dos consumidores.

O t-commerce (television commerce) é uma nova modalidade de varejo que deve chegar à casa dos brasileiros nos próximos anos.

Cena do filme Joy: o nome do sucesso, que retrata o surgimento dos canais de compras nos Estados Unidos

COMÉRCIO PELA TV

A ideia de realizar vendas pela televisão não é nova. Canais exclusivos para o comércio existem há muito tempo. Neles,  apresentadores oferecem produtos e propagandeiam suas qualidades. Os consumidores são convidados a telefonar para fazer o pedido.

Essa forma de varejo é mostarda no filme “Joy: o nome do sucesso”, protagonizado pela atriz Jennifer Lawrence, que retrata a história real da inventora do “Mop”, um esfregão muito utilizado nos Estados Unidos.

O longa mostra a ascensão desses canais de compras e o sucesso dos produtos anunciados.  

No Brasil, existem canais dedicados a comercializar produtos, como o Shoptime. A própria marca Polishop se tornou popular ao comprar horários na televisão para expor seus itens.

Ou seja, faz tempo que vender pela televisão se tornou um bom negócio.

Mas o “t-commerce” é diferente. Essa nova modalidade se beneficia de duas novas tecnologias que estão se tornando cada vez mais populares no Brasil: a TV digital e Smart TV.

A primeira está relacionada ao desligamento do sinal analógico. A implantação da tevê digital possibilita uma melhora significativa da qualidade das imagens e maior interatividade com os telespectadores.

A mudança definitiva já aconteceu em algumas cidades brasileiras, como São Paulo e Brasília.

Já as Smart TVs permitem que os telespectadores permaneçam conectados à internet por meio da televisão. Dessa forma, eles podem acessar conteúdos ou fazer compras enquanto assistem à programação.

Durante programa da Rede Brasil,a barra mostra os produtos à venda

CINEMALL

Uma empresa americana começa a dar os primeiros passos para implantar essa tecnologia no Brasil. A californiana Cinemall, que desenvolveu um produto para viabilizar o t-commerce, abriu recentemente um escritório em São Paulo.

Por enquanto, a ferramenta está funcionando apenas para conteúdos online. Mas Anselmo Martini, vice-presidente de marketing do grupo CinemallTec, afirma que a empresa já está em negociação com grandes redes de televisão.

A primeira experiência no Brasil foi feita com Rede Brasil de Televisão (RBTV). Hoje, quem assiste aos programas online pode observar o logotipo da Cinemall no lado esquerdo da tela. Basta clicar no símbolo para ver os produtos à venda e o preço de cada item.

O telespectador/consumidor consegue adicionar os itens no carrinho de compras (similar ao das lojas online) e pode fechar a compra durante ou após assistir ao programa.

Os fornecedores dos produtos são e-commerces que têm parceria com a Cinemall.

A emissora consegue ter acesso aos relatórios que mostram quantas vendas foram geradas.

Além disso, ela é remunerada com um percentual das vendas.  Do outro lado, os e-commerces conseguem mensurar o retorno imediato da exposição de seus produtos.

“A ideia é mudar a forma como o audiovisual é patrocinado”, afirma Anselmo. “E para as lojas online é um novo canal de vendas.”

A Cinemall não é a primeira empresa a tentar transformar telespectadores em consumidores.  Na verdade, esse é um campo promissor, mas repleto de obstáculos.

A também americana Delivery Agent Inc. foi uma das pioneiras nessa tecnologia nos Estados Unidos. A empresa – fundada em 2005 –  teve em seu portfólio grandes empresas, como a Dunkin Donuts, HBO e a Toyota.  Mas a entrou com um pedido de falência no ano passado.

Uma das explicações está relacionada aos hábitos dos consumidores. Eles nem sempre conseguem associar um momento de lazer e descontração, com a compra imediata de produtos.  

Por mais que os telespectadores estejam habituados aos comerciais de televisão, eles ainda não têm o costume de fazer compras por impulso enquanto assistem aos seus programas favoritos.

Os desafios da Cinemall são mudar esse padrão de consumo e fazer o t-commerce relevante tanto para o mercado brasileiro, quanto para o americano. 

FOTOS: Thinkstock e Divulgação