Inovação

Internet das Coisas (2): as oportunidades de um novo mundo


Tanto multinacionais quanto pequenas empresas estão investindo na nova tecnologia. A mineira Denox, de Gustavo Travassos (na foto), está lucrando com os dispositivos conectados


  Por Thais Ferreira 01 de Setembro de 2015 às 13:00

  | Repórter tferreira@dcomercio.com.br


Se a Internet das Coisas (IoT)  promete mudar o dia  a dia das pessoas com objetos inteligentes capazes de controlar quase tudo dentro de uma casa, o potencial de transformar as empresas e gerar novos negócios  pode ser ainda maior. 

Uma pesquisa realizada pela Tata Consultancy Services (TCS) – empresa de TI e consultoria de negócios – revelou que grande parte dos 795 executivos de multinacionais entrevistados enxergam a Internet das Coisas como uma forma de aumentar as receitas nos próximos anos. 

"A era da Internet das Coisas já está bem avançada. A questão é se as empresas estão prontas para explorar todo o potencial dessas tecnologias”, afirma Natarajan Chandrasekaran, CEO e diretor de operações da TCS. 

“Nosso mais recente estudo revelou que aqueles que lideram o uso das tecnologias de IoT estão aplicando-as para reimaginar completamente suas operações, modificando todos os aspectos da empresa, desde o modelo de negócios e produtos até processos e ambiente de trabalho."

A pesquisa também mostrou que 4 em cada 5 companhias já utilizam a Internet das Coisas  para rastrear produtos, entender o comportamento dos clientes e monitorar lojas ou cadeias de suprimentos. 

Os investimentos nessa área estão crescendo. Os entrevistados pela TCS gastarão neste ano cerca de U$ 86 milhões com essa tecnologia – e até 2018, esses executivos acreditam que esse valor deve aumentar em 20%. 

PLACA DA AMERICANA PARTICLE FACILITA O TRABALHO DE QUEM QUER DESENVOLVER NOVOS DISPOSITIVOS

ESPAÇO PARA AS PEQUENAS E STARTUPS

Além do investimento das grandes empresas, pequenos negócios estão enxergando na Internet das Coisas novas oportunidades. A startup americana 2lementry, fundada em 2011, por exemplo, criou uma plataforma que faz a integração de dispositivos conectados de diferentes empresas. 

Com o uso desse recurso é possível fazer com que um freezer informe a quantidade de alimentos em estoque ou que sensores inteligentes detectem o volume de óleo deixado num oleoduto. Essas informações podem ser enviadas diretamente para os gestores por meio de outros dispositivos conectados à internet. 

Entre os clientes da 2lementry estão a Honeyweel, que produz  desde peças aeroespaciais até sistemas de controle climático e de segurança, e a Demeter, empresa do ramo de energia. 

Os contratos com grandes empresas chamaram a atenção dos investidores. No início deste ano, a empresa recebeu um aporte de US$ 4 milhões da Salesforce Ventures.  E, recentemente, a 2lementry foi comprada pela Amazon. 

Outro projeto interessante é da também americana Particle, uma empresa que vende kits prontos para quem quer criar objetos conectados à internet. Esses conjuntos são formados basicamente por placas que se conectam por meio da rede Wi-Fi, e são as principais bases para construir diversos dispositivos. 

São kits de fácil uso que possibilitam a prototipagem de produtos de Internet das Coisas de forma rápida e de baixo custo – os preços variam entre U$ 19 e 179. Os principais clientes são engenheiros, desenvolvedores e empresários interessados em desenvolvimento de produtos tecnológicos.  

Os dispositivos da empresa já foram usados para criar alguns produtos que estão no mercado, como o irrigador automático Lono e o CleverPet, um jogo para entreter os cães enquanto os donos estão fora.
 

SISTEMA DE CONTROLE DE FUNCIONÁRIOS DA DENOX

Algumas empresas brasileiras também estão investindo no desenvolvimento de objetos conectados à internet. Uma delas é mineira Denox. Fundada em 2013, oferece produtos para criar ambientes inteligentes tanto para uso doméstico quanto empresarial.  

A Denox vende uma série de dispositivos para segurança domiciliar, como câmeras, sensores de movimento e botões do pânico. Essas ferramentas são conectadas à internet e comunicam os usuários, por meio de um aplicativo, quando há algum movimento estranho. 

“Um dos principais empecilhos para que as pessoas adquiram esse sistema é o desconhecimento. As pessoas acham essa tecnologia é algo caro, complexo e supérfluo”, diz Gustavo Travassos, presidente da Denox. “Na realidade ele é bastante acessível custa entre R$ 39 e 89 mensais e não requer nenhum conhecimento específico.” 

Para empresas, um dos dispositivos oferecidos é o de controle de presença conectada à internet.  Além de registrar a entrada e a saída de funcionários, o sistema envia alertas em tempo real e gera relatórios. 

Essas informações são enviadas para o gestor de qualquer lugar, por meio de mensagens online recebidas no smartphone ou tablet. Esse sistema é ideal para monitorar equipes que trabalham fora da empresa ou para funcionários que precisam viajar constantemente. 

OS NOVOS NEGÓCIOS

Empresas como a Denox, a 2lementry e a Particle devem se tornar mais comuns daqui a alguns anos, quando a Internet das Coisas se tornar ainda mais popular. 

Há uma gama de oportunidades para pequenas empresas e startups nas áreas desenvolvimento de tecnologias para Internet das Coisas, de novos serviços para os consumidores e na área de melhoramentos e aperfeiçoamento de dispositivos. 

Há também uma série de tecnologias que servem de suporte para que os objetos conectados funcionem adequadamente, como os serviços armazenamento de dados em Cloud e o desenvolvimento de redes de internet. 

O impacto econômico da Internet das Coisas, somando as diversas áreas, deve gerar até 14 bilhões em 2020, de acordo com um estudo realizado pela Postcapes, que realiza o monitoramento do setor.