Inovação

Glossário do Empreendedor: o que é Demoday?


Evento que marca o fim de um programa de aceleração de startups, como o realizado pela Visa, é o momento em que empreendedores demonstram sua capacidade para entregar boas soluções para o mercado


  Por Italo Rufino 17 de Agosto de 2018 às 08:00

  | Repórter isrufino@dcomercio.com.br


Entre maio e agosto, 14 startups passaram por uma verdadeira maratona. Elas participaram do Programa de Aceleração Visa, organizado pela empresa de pagamentos digitais em parceria com a Kyvo, consultoria de inovação e aceleradora corporativa.

Durante três meses, as startups tiveram acompanhamento semanal de seus indicadores e acesso a uma rede de mentores da Visa e da Kyvo.

Também ganharam um pacote de benefícios, como mesas em um coworking, serviços jurídicos e contábeis, networking e consultoria em design thinking e user experience.

Cinco dos negócios foram selecionados para uma imersão de um mês no Vale do Sílicio, num convênio com a GSVlabs, aceleradora americana parceira da Kyvo.

Lá, houve encontros com outros mentores (alguns do Google), visitas técnicas a empresas e capacitação em marketing, produtos e vendas. Considerando o conjunto das ações, cada startup recebeu proventos entre R$ 200 mil a R$ 300 mil.

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No início de agosto, foi a vez da prova de fogo. As startups tiveram três minutos para apresentar um problema relacionado ao mercado, a solução para o desafio (seu produto), as características do time e do modelo de negócio.

Na plateia, havia investidores, empresários e executivos do mercado. Essa bateria de curtas apresentações, ou pitchs, é chamada de Demoday.

MENEZES, DA KYVO: RELACIONAMENTO CONTÍNUO COM
STARTUPS É A NOVA ÁREA DE P&D DAS COMPANHIAS

“É o dia em que as startups demonstram todo o aprendizado da aceleração e que estão maduras para entregar soluções para o mercado”, afirma Hilton Menezes, sócio da Kyvo.

Quatro startups foram eleitas as melhores. Na categoria Growth, de empresas já estabelecidas, mas que precisam ganhar tração, a banca de especialistas escolheu a plataforma de pagamentos CloudWalk.

Por sua vez, o público escolheu a Lapag, de sistema de gestão, máquina de cartão e agendamento de clientes para salões de beleza.

Na categoria Start, de empresas embrionárias e em validação de MVP (protótipo), a escolhida pela banca foi a Virtus, que possibilita que pessoas emprestem seus cartões de crédito para outras em troca das milhas de compras realizadas.

Já o público escolheu a Lapag, fintech que simplifica a concessão de crédito para pessoas físicas.

“Tenho certeza que o relacionamento entre a Visa e essas 14 startups não termina com esse Demoday”, diz Percival Jatobá, vice-presidente de produtos, soluções e inovação da Visa do Brasil. “Agora devemos trabalhar colaborativamente e fomentar novas parceria entre as startups, a Visa e nossos clientes.”

O executivo destacou a riqueza e diversidade das startups aceleradas. Entre os modelos de negócio, há gestão empresarial, de inclusão e educação financeiras, automação comercial, investimentos e big data (veja abaixo um vídeo sobre as startups participantes).

“Essas startups irão contribuir para a evolução da indústria de pagamento brasileira”, afirmou o vice-presidente.

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IMAGEM DE MARCA INOVADORA

Da mesma forma que as startups participantes, as grandes empresas que desenvolvem programas de aceleração também têm ganhos.

Quando uma companhia se abre para cocriar soluções com empresas emergentes de base tecnológica, há um ganho de velocidade para levar inovação ao mercado. Embora conte com volumoso orçamento, uma grande empresa não possui a gestão ágil e tem menos chances de arriscar (e falhar) em busca de inovação.

A companhia também passa por um processo de aprendizado em relação ao método de trabalho e tecnologias provenientes das startups. 

Para desenvolver um programa de aceleração, a empresa precisa aprimorar seus processos, para reduzir burocracia e conseguir se relacionar com as startups sem frear seu ímpeto inovador.

De acordo com Menezes, da Kyvo, empresas que fomentam programas de aceleração, como o da Visa, demonstram maturidade em inovação. Há, então, um ganho de imagem de marca inovadora.

Para ele, esse modelo é a nova área de pesquisa e desenvolvimento – agora, sem depender somente de funcionários internos, cientistas e universidades.

“Ao criar um ciclo de relacionamento contínuo com as startups, a empresa tem uma fonte de novas ideias e talentos empreendedores”, afirma Menezes.

Fundada em 2015, a Kyvo nasceu como uma consultoria especializada em implementar em grandes companhias métodos de trabalho e cultura organizacional propícios para a inovação.

Esses processos são similares aos utilizados em startups bem-sucedidas, com gestão rápida, equipe complementar e design thinking.

O preparo inicial é imprescindível para que uma empresa desenvolva um programa de aceleração, outro foco de atuação da Kyvo. Do contrário, o risco de conflitos entre uma gestão engessada e os jovens empreendedores é alto.

E Menezes traz boas notícias. Há cinco anos, existiam pouquíssimos programas de aceleração bancados por grandes empresas. Hoje, há cerca de cem.

Nessa busca por inovação como diferencial competitivo, tem sido valorizadas startups com serviços baseados em tecnologias emergentes, como IoT, Blockchain e realidade aumentada.

“Uma startup com boa tecnologia pode atender diferentes mercados, como financeiro, varejista e de saúde”, afirma Menezes.

 IMAGENS E VÍDEO: Divulgação