Inovação

Feijão, sabonete, detergente? Eles compram e entregam


A HomeRefill, que surgiu com investimento de R$ 10 milhões, organiza e entrega a domicílio aqueles produtos sempre necessários na despensa -sem custo de frete ou assinatura


  Por Mariana Missiaggia 14 de Outubro de 2016 às 13:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Quem está habituado a frequentar supermercados certamente já deparou com a falta de produtos nas prateleiras ou até mesmo, sofreu com o esquecimento de algum item da lista de compras.

Há ainda a obrigação de enfrentar filas de tempos em tempos, carregar sacolas e enfrentar o trânsito para se deslocar. Tudo isso acaba por tornar a experiência de compras estressante para muita gente.

Guilherme Aere dos Santos, 26 anos, presidente da HomeRefill, criou uma maneira de fazer com que todo esse processo seja evitado.

O jovem empreendedor desenvolveu umaplicativo que possibilita aos consumidores abastecer a despensa sem sair de casa.

Com entrega agendada e gratuita em toda a cidade de São Paulo, a plataforma HomeRefill está disponível para Android e Iphone.

A proposta da empresa é evitar que as pessoas gastem tempo na compra de itens básicos de limpeza, higiene, e alimentos não-perecíveis.

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Por meio da ferramenta é possível montar uma lista personalizada, e programar o melhor dia e horário para que tudo seja entregue.

O funcionamento é bem simples. Ao fazer o cadastro, a ferramenta disponibiliza mais de dois mil itens para que o usuário crie uma lista com todos os produtos que costumam estar presentes em sua rotina de compras. Por fim, basta agendar a frequência em que quer recebê-los em casa.

PERIODICIDADE DO SERVIÇO PODE SER ALTERADA OU CANCELADA

A periodicidade pode ser alterada ou suspensa a qualquer hora, como, durante uma viagem de férias, por exemplo. Perto da data de entrega, o usuário recebe um e-mail verificando se há necessidade de alterar algo a sua lista.

A entrega é realizada sete dias após pagamento com cartão de crédito, sem custo de frete. Também não há nenhum tipo de custo para a utilização do serviço, como mensalidade ou download.

Lançado oficialmente, há pouco menos de dois meses, o conceito foi testado por Santos durante nove meses. A principal preocupação do empresário era desenvolver uma estratégia de negociação diferente da de grandes varejistas.

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Na opinião de Santos, os supermercados ainda carregam uma grande ineficiência nesse sentido. Segundo ele, os produtos ficam acumulados de 90 a 180 dias entre centros de distribuição e lojas, e acabam gerando uma experiência negativa para comprador, tanto no que se refere a preço quanto a qualidade.

"A cada dez sacos de feijão, quatro vão direto para o lixo por conta de mal planejamento".

E é justamente, da negociação direta com 13 grandes fabricantes e mais de 200 distribuidores que vem a margem de lucro do negócio, que de acordo com Santos, fica entre 2 % e 8%, dependendo da categoria dos produtos (fatores como sazonalidade e volume de compras influenciam nestes números).

SANTOS E OUTROS DOIS SÓCIOS INVESTIRAM R$ 10 MILHÕES NA FERRAMENTA

Seu diferencial, diz ele, está na eficiência do modelo de compra, logístico e operacional, que apresenta um giro de estoque muito alto - a maior parte dos produtos ficam menos de uma semana no estoque de 21 mil metros quadrados da empresa, em Cajamar, a 44 quilômetros de São Paulo.

"Isso garante que as margens sejam mantidas, ainda gerando uma economia de até 20% para os consumidores na compra total”, diz.

A isenção de frete é possível porque a startup tem como sócia a Logos, uma das maiores empresas de logística do mercado brasileiro. Ela compartilha seus caminhões para transportar produtos e também os centros de distribuição.

Mais que gerar economia e reduzir compras por impulso, Santos acredita na tecnologia como um instrumento para melhorar todo tipo de compra obrigatória, com mais planejamento, custo menor de aquisição e maior qualidade de vida.

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"Quero simplesmente resolver problemas de um jeito tecnológico, e que isso cause um grande impacto na sociedade”, diz.

Dividindo a administração do negócio com outros dois sócios, Eduardo Chazan e André Machado, eles investiram R$ 10 milhões na criação da HomeRefill, apenas com capital próprio, sem ter de recorrer a empréstimos ou fundos de investimento.

Com cinco mil clientes e 60 funcionários, eles esperam chegar a 30 mil clientes até o fim do ano, e alcançar um faturamento de R$ 11 milhões.

Para criar a startup, Santos associou o interesse que sempre teve por tecnologia à experiência que adquiriu nos trabalhos anteriores. Embora seja ainda muito jovem, ele já sustenta um currículo experiente.

Com passagem pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e pela Universidade Federal de São Carlos, Santos convive com tecnologia desde os 16 anos, quando desenvolveu um sistema voltado para acessibilidade e gestão para escolas.

Empreender também não é exatamente, uma novidade na vida dele. Depois de alguns anos trabalhando como engenheiro líder de pesquisa e desenvolvimento na TOTVS, ele decidiu se dedicar a sua própria criação –a Umanni, uma espécie de plataforma de controle de ocorrências para o varejo, que substitui as intranets e softwares específicos para help desk e desenvolvimento organizacional.

Na Umanni, conquistou uma carteira de clientes que inclui Bematech, Pizza Hut, Bobs, Rei do Mate, e mais de 15 mil pequenas empresas.

*FOTO: Thinkstock