Inovação

Cores da Amazônia vão tingir automóveis brasileiros


Pela primeira vez, a Basf, maior fabricante global de tintas automotivas, desenvolveu uma cor especial para a próxima geração de carros que serão produzidos na América do Sul, em especial no Brasil, nos próximos anos


  Por Estadão Conteúdo 17 de Outubro de 2017 às 09:20

  | Agência de notícias do Grupo Estado


Inspirada nas nuances da floresta amazônica vista em diferentes horários, com claridades diversas, a Visual Arete, como foi batizada, é um verde metálico intenso com tons azulados que entrou na nova coleção de 65 cores da Basf, a ser apresentada hoje a representantes das principais montadoras da região.

"Foi um ano e meio de desenvolvimento que incluiu pesquisas, conversas com influenciadores, como artistas e gente ligada à moda, e visitas a vários locais para avaliar tendências", diz Zenon Paul Czornij (na foto acima), responsável global pela área de design da Basf. Segundo ele, a escolha se deve à conexão dos consumidores locais com a natureza.

As regiões América do Norte, Ásia e Europa já haviam ganhado uma"cor chave" em coleções anteriores."Entendemos a importância do mercado da região e por isso desenvolvemos essa cor, que será mostrada globalmente nas nossas apresentações", diz Czornij. Dependendo da claridade, a Visual Arete pode ser confundida com preto. Mas, ao mudar o ângulo ou a luz, logo o verde se sobressai.

A Basf apresenta anualmente aos clientes mundiais um cardápio de 65 novas cores que buscam atender as tendências do mundo automotivo e usa como base a moda, joias, produtos eletrônicos, entre outros.

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A pesquisa atual constatou que o azul será a cor mais quente para os automóveis nos próximos três anos."É a cor que fará a conexão entre o mundo digital e as pessoas; ela transmite confiança e segurança", informa o executivo.

Ele ressalta, contudo, que o branco, prata, preto e cinza, em diferentes nuances, continuarão à frente na preferência dos consumidores brasileiros, assim como dos demais países.

Globalmente, diz ele, cerca de 65% das vendas de automóveis estão concentradas nessas quatro cores. No Brasil, a participação passa dos 70%, segundo o último dados da Associação Nacional dos fabricantes Veículos Automotores (Anfavea).

O desafio da Basf, afirma Czornij, é criar tonalidades, brilhos e misturas para que essas cores não se tornem burocráticas. Foi o que ocorreu com o branco, antes visto como cor de carro de serviço, como táxis, no Brasil."Conseguimos transformar o branco numa cor sexy, elegante e sofisticada", diz. Hoje, quase 40% dos novos veículos vendidos no País têm essa cor.

O vermelho, também em diferentes tons, é outra cor que deve cobrir os automóveis que serão lançados entre 2020 e 2022, prevê o estudo da Basf.

Ao apresentar a nova coleção, a empresa também colocará à disposição dos clientes uma tecnologia com pigmentos que ajudam a barrar o calor no interior de carros pretos, hoje evitados em regiões como o Nordeste. Tradicionalmente, as montadoras escolhem uma cor exclusiva e, muitas vezes, berrante para o lançamento de novos modelos e nem sempre as colocam no catálogo de vendas.

É o que ocorre com o novo Polo, lançado pela Volkswagen no mês passado. O marketing do modelo está sendo feito em um inédito amarelo kurkuma, criado pela Basf.

Em nota, a Volkswagen informa que"dependendo da demanda do mercado, vai avaliar a possibilidade de produção em série do novo Polo nesta cor de lançamento." 

FOTO: Divulgação/Basf