Inovação

Conheça histórias de empresas que crescem junto com o Criatec


O fundo de capital semente, relançado em fevereiro, ajudou empreendedores inovadores a multiplicar o tamanho de suas empresas em poucos anos


  Por Italo Rufino 08 de Março de 2016 às 08:00

  | Repórter isrufino@dcomercio.com.br


Empreendedores à frente de pequenas empresas inovadoras receberam recentemente uma boa notícia. O fundo Criatec foi relançado.

Em sua terceira edição, o fundo de capital semente detém mais de R$ 200 milhões para investir em micro e pequenas empresas inovadoras do Brasil. 

O Criatec utiliza recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de investidores privados. O capital da terceira edição será gerido pela Inseed Investimentos, gestora de ativos mineira que irá selecionar e acelerar empresas que irão receber aportes entre 1,5 milhão e 10 milhões de reais até 2019. 

Desde a sua criação, em 2008, o Criatec já investiu em 51 empresas, que, além do recurso milionário, receberam consultoria para aprimorar o modelo de negócio, estruturar a organização e contratar profissionais. 

“O fundo atua ao lado do empreendedor na gestão da empresa e nas tomadas de decisões estratégicas”, afirma Gustavo Junqueira, sócio-diretor da Inseed Investimentos. 

Conversamos com empreendedores à frente de empresas que participaram da primeira edição do Criatec para conhecer a trajetória de crescimento dos negócios e os benefícios de participar do fundo.

LEIA MAIS: Quem quer um investimento milionário?

EMPREENDEDORES DOS INSETOS FATURAM QUASE 9 MILHÕES 

Em meados do ano 2000, três especialistas em biologia uniram experiências e fundaram a Bug Agentes Biológicos, empresa que desenvolve vespas e outros insetos que matam pragas agrícolas em lavouras de cana e soja. 

A empresa nasceu de uma pesquisa acadêmica dentro da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ-USP), em Piracicaba, no interior paulista. 

Os sócios fundadores da Bug, Diogo Rodrigues Carvalho, biólogo mestre em controle biológico; Alexandre de Sene Pinto, doutor em entomologia (ciência que estuda os insetos); e Heraldo Negri, técnico com 15 anos de experiência em produção de insetos e responsável pelo laboratório da Esalq, são referências na área de controle biológico no Brasil. 

No entanto, eles não possuiam muita experiência em administração, finanças e vendas – fatores primordiais que levam uma empresa a crescer. 

Em 2008, parte dos problemas da Bug acabou. A empresa recebeu do Criatec um aporte de 1,5 milhão de reais em troca de 20% de participação acionária. 

O recurso foi investido na fábrica de produção de insetos, no departamento comercial e contração de novos funcionários.

Os consultores da Inseed também atuaram na implementação de métricas de eficiência, como indicador de produção de ovos de vespas e de qualidade de atendimento ao cliente. 

“O fundo nos ajuda no planejamento em longo prazo”, afirma Carvalho.

PRODUÇÃO DE INSETOS DA BUG/DIVULGAÇÃO

Cerca de três anos após o aporte, tempo necessário para arrumar a casa, a Bug passou a crescer, em média, 30% ao ano.

A boa evolução chamou atenção do fundo Triguer, que realizou um novo aporte de 1,5 milhão de reais. Em 2012, a Bug foi eleita a 33ª empresa mais inovadora do mundo (e a mais inovadora do Brasil) pela revista americana de negócios Fast Company. 

Em 2014, a empresa recebeu um terceiro investimento do Fundo Rosag. Por questões contratuais, a empresa não revela o valor – mas Carvalho afirma que o aporte foi bem maior do que os dois primeiros. 

No mesmo ano, a empresa recebeu mais uma honraria – o prêmio Technology Pioneers de 2014, do Fórum Econômico Mundial

No ano passado, a Bug faturou 8,8 milhões de reais – três vezes mais do que em 2011. Em 2016, o contrato de investimento firmado entre a Inseed e a Bug chega ao fim. “Provavelmente, vamos renegociar o prazo e permanecer na carteira da gestora”, diz Carvalho. “A parceria trouxe resultados positivos para ambos os lados.” 

NEGRI, CARVALHO E SENE, FUNDADORES DA BUG: CRIATEC AUXILIA EM FINANÇAS, ADMINISTRAÇÃO E VENDAS/DIVULGAÇÃO

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DE HOMEOFFICE A CRESCIMENTO DE 40% AO ANO 

O paulista Douglas Pombo (na foto que abre esta reportagem) não tinha nenhum funcionário quando conquistou o aporte do Criatec para a sua empresa, a Inviron, que desenvolve serviços de tecnologia de distribuição de conteúdo multiplataforma, como TV Corporativa (digital signage). 

Na época, Pombo trabalhava em home office e já tinha ganho prêmios internacionais de inovação, como o Global Talent and Innovation Competition, realizado em Taiwan em 2007. 

Durante a viagem ao país asiático, Pombo conheceu o universo dos investimentos de risco. Na volta ao Brasil, buscou investidores que poderiam ajuda-lo a alavancar o seu negócio. 

“Mas não tive sucesso”, afirma Pombo. “Os investimentos em startups no Brasil eram bem mais escassos do que hoje em dia.”

A sorte de Pombo começou a mudar quando ele descobriu o Criatec em 2008. Após realizar a inscrição online e ser aceito pelo comitê paulista, o empreendedor defendeu sua tese de investimento na sede do BNDES no Rio de Janeiro. 

O aporte, que Pombo não revela o valor exato, foi entre 1 milhão e 3 milhões de reais, divididos em três vezes – um novo aporte só seria liberado se o empreendedor alcancasse uma série de metas. Um dos primeiros objetivos foi desenvolver um escritório mobiliado e equipado para a empresa. 

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“Desde o aporte, somos auditados mensalmente por uma consultoria independente para manter a transparência dos gastos”, diz Pombo.

Pombo avalia que o maior benefício da parceria com a Inseed Investimentos foi implantar boas práticas de governança corporativa na Inviron. Nos primórdios da empresa, era comum Pombo usar recursos pessoais para custear despesas da empresa. 

Atualmente, a Inviron segue um planejamento estratégico e um orçamento bem definido para cada ano. A cada seis meses, acontece a reunião do conselho, formado por Pombo, Jairo Margatho, gerente da Inseed, e Waltely Longo, executivo experiente no segmento de mídia out of home

DIRETORES DA INSEED: PAULO TOMAZELA, GUSTAVO JUNQUEIRA E ALEXANDRE ALVES/FOTO: PEDRO QUEIROZ

“Discutimos decisões estratégicas e como usar os recursos para que o negócio cresça de maneira sustentável”, diz Pombo. “Nunca tivemos dívidas.”

Em média, desde 2008, a Inviron cresceu 42% ao ano. Durante o período, a empresa adaptou o modelo de negócios para as novas demandas de mercado. Por exemplo, a produção de softwares de envio de mensagens SMS via web foi descontinuada. 

Hoje, o foco é desenvolver tecnologias de distribuição de conteúdo integrado para grandes empresas. Provedores de conteúdo como Clima Tempo, UOL e IG usam a tecnologia de Inviron para divulgar notícias em dispositivos fixos e móveis.

“Esperamos manter o crescimento e uma das novas metas é faturar mais de 5 milhões até 2019”, diz Pombo.

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FOTO: Claudio Cammarota/Divulgação