Inovação

Como a OLX, Twitter e Easy Taxi conquistam os nativos digitais


Velocidade, eficiência e simplicidade são algumas das características que esse grupo de consumidores busca nas marcas que consomem e nos ambientes de trabalho


  Por Thais Ferreira 09 de Outubro de 2017 às 08:00

  | Repórter tferreira@dcomercio.com.br


De um lado, jovens e adultos que estão conectados à internet o tempo todo. De outro, empresas que precisam se adequar aos novos tempos. Nem sempre essas duas partes estão em perfeita sintonia.

Para discutir essa relação, subiram ao palco da Futurecom 2017 –recente evento de tecnologia da informação e comunicação realizado em São Paulo – representantes de três empresas: Fernando Matias, gerente da Easy Taxi no Brasil, Fiamma Zarife, diretora geral do Twitter no Brasil, e Janet Baireva, diretora de produtos da OLX.

A primeira foi fundada em 2011 e as outras duas em 2006. São, portanto, negócios que já nasceram com DNA digital.

O consenso geral afirma que os nativos digitais são as gerações que começam a partir dos Millennials, grupo na faixa entre 18 e 35 anos.

Mas para Fiamma, do Twitter, essa classificação está bem mais relacionada ao comportamento dos usuários em relação à tecnologia, do que necessariamente à faixa etária.  

O pressuposto é que há jovens que não interagem como o mundo digital de forma intensa. O oposto é igualmente verdadeiro. Há grupos acima dos 40 anos que usam as tecnologias cotidianamente.

 “Hoje, entendemos que esses nativos digitais são grupos que têm grande dependência do mobile”, disse Janet.  

FERNANDO MATIAS, FIAMMA ZARIFE E JANET BAIREVA NA 
FUTURECOM 2017

MARCAS

Esses nativos digitais (de todas as idades) adotam comportamentos similares: eles desejam rapidez e simplicidade.

Os clientes da Easy Taxi, por exemplo, querem chamar um motorista com poucos cliques. Os da OLX buscam realizar compras de forma simplificada. Já os usuários do Twitter querem se comunicar com poucas palavras.

“Eles têm baixa tolerância com a ineficiência”, afirma Fiamma. “Por isso, as marcas têm poucos segundos para chamar atenção e agradar o cliente”.

Nesse contexto em que tudo é imediatista, a primeira experiência com os produtos e serviços é essencial para conquistar esses consumidores.

Mais um elemento é importante para atrai-los: conhecimento. Cada vez mais a decisão da compra se dá no mundo online.

“Antes um consumidor sabia exatamente qual o modelo de carro desejado. Hoje, ele busca na OLX uma indicação de qual é o melhor carro para suas necessidades”, diz Janet.  “Eles procuram por recomendações dos outros usuários”

A comunicação é também um ponto importante na atração dos nativos digitais. Eles querem ser tratados de maneira menos formal e mais interativa.

Uma das empresas que realizam essa comunicação de forma eficiente é a Nubank, a startup de serviços financeiros, que conversa com seus clientes como se eles fossem amigos.

“Não dá para vir com discurso pronto”, afirma Fiamma. “As empresas precisam escutar os consumidores e entender suas necessidades”.

Um dos exemplos por ela citados foi a campanha criada pela Visa no final das Olimpíadas. Por meio das mensagens do Twitter, os criadores perceberam que os usuários estavam chateados com o fim da competição. A empresa, então, criou um vídeo com retrospectivas dos melhores momentos.

Essas interações com os usuários são responsáveis criar e manter um relacionamento próximo com os consumidores, sem explicitamente vender algo.

AMBIENTE DE TRABALHO

Esses novos comportamentos não influenciam somente o consumo, mas também o ambiente de trabalho das empresas. Os nativos digitais estão mais preocupados com o propósito, do que com os salários.

“A Easy contrata em média um novo funcionário por dia”, afirma Matias. “A forma de recrutar essas novas gerações também mudou. Precisamos encontrar pessoas que estão em sintonia com os valores da empresa”.

E se no mundo online não existem formalidades e hierarquias, eles querem que o mesmo aconteça no offline.

Essas gerações querem trabalhar em empresas que tenham uma gestão horizontal. “Não tenho uma sala, trabalho ao lado dos estagiários”, afirma Matias. “Todas as informações e decisões são compartilhadas”.

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