Inovação

Com a internet, empresas popularizam produtos e serviços


Com poucos cliques é possível contratar arquitetos e personal trainers ou alugar malas e carros por preços mais em conta. A economia para os clientes pode chegar a 50%


  Por Thais Ferreira 28 de Maio de 2016 às 01:00

  | Repórter tferreira@dcomercio.com.br


No final da década 1990 – quando a internet começou a entrar nos lares brasileiros –, a primeira grande revolução que promoveu foi na comunicação. Depois, foi o acesso à informação. Hoje, o mundo online transforma a relação entre empresas e consumidores.

Produtos e serviços –antes inacessíveis para grande parte da população – agora estão ao alcance do teclado e a preços reduzidos.

Com pequenas estruturas físicas, equipes enxutas e muitos recursos tecnológicos, essas novas empresas online conseguem oferecer serviços com a mesma qualidade das concorrentes físicas.

MARCELA TORRELIO E MARCEL DUNKER: SÓCIOS DA ARQUILEGO

 

ARQUITETURA

Uma pesquisa realizada pelo instituto Datafolha constatou que apenas 15% das pessoas que reformam ou constroem imóveis no Brasil utilizam os serviços de um arquiteto. As principais justificativas são a falta de dinheiro e os altos valores cobrados pelos profissionais.

Empresas como a Arquilego, que faz projetos de arquitetura e decoração online, podem mudar esse cenário. O negócio – fundado em 2012 – surgiu da vontade da arquiteta Marcela Torrelio de empreender.

Junto com seu sócio Marcel Dunker, eles criaram um modelo de plataforma de arquitetura inspirado em exemplos que viram nos Estado Unidos e na Europa.

Todos os processos são feitos online. O cliente entra no site da empresa e envia a planta de sua casa, apartamento, cômodo ou terreno.

Com o material em mãos, a equipe da Arquilego prepara uma versão preliminar do projeto. Após a aprovação do cliente, eles produzem uma versão definitiva e mais detalhada. O tempo médio é de 20 dias.

Após a entrega do trabalho, eles prestam suporte para esclarecer as dúvidas dos pedreiros ou mestres de obras. “Apesar da distância mantemos um contato constante com nosso cliente por meio de mensagens no WhatsApp e conversas pelo Skype”, afirma Marcela.

Os projetos variam entre R$ 850 e R$ 3 mil. Os valores chegam à metade do preço das empresas convencionais de arquitetura. “Como não temos custos com deslocamentos, conseguimos deixar os preços mais baixos”, afirma Dunker.  

Com esse modelo de negócio, a empresa pretende crescer 20% no próximo ano.

ROSÂGELA CASSEANO, SÓCIA DA RENT A BAG

MALAS DE VIAGEM

Com a ascensão da classe C nos últimos anos, viajar deixou de ser um privilégio das camadas mais altas da população.

De olho nesse novo público, surgiram diversos novos negócios que ajudaram a "democratizar" o turismo. Grande parte dessas empresas é formada por agências que parcelam em muitas vezes o valor dos pacotes e das passagens áreas.

A Rent a Bag, fundada em 2014, focou num outro serviço para esse mesmo público: o aluguel de malas. Primeiramente, os sócios Rosângela Casseano e Domingos Coppio compraram duas malas usadas para testar a demanda pelo serviço.

Eles anunciaram em grupo de viagem no Facebook e logo perceberam que havia grande demanda de interessados.  

Após esse período de teste, concluíram que seus clientes queriam produtos de alta qualidade. Eles abandonaram a ideia das malas usadas e compraram nova e importadas, que custam cerca de R$ 1 mil no mercado.

Os valores do aluguel vão desde R$ 4,33 até R$ 30,57 por dia. O preço varia de acordo com o tamanho a quantidade de dias que será usada.

Hoje, o público da Rent a Bag é formado principalmente por famílias que viajam para Orlando e Miami – considerado o paraíso dos outlets. Geralmente, esses clientes moram em apartamentos pequenos e não tem espaço para armazenar uma mala.

 “Mesmo com a crise, os brasileiros continuam viajando”, afirma Rosângela Casseano, sócia da empresa. “Os destinos é que mudaram.”

Por enquanto a empresa atua limitada à Grande São Paulo, mas está começando um projeto de expansão por meio de franquias. Até o fim do ano, a Rent a Bag pretende ter quatro franqueados.

APLICATIVO FREELETICS, OPÇÃO MAIS BARATA QUE AS ACADEMIAS

PERSONAL TRAINER

A mensalidade de uma academia em São Paulo não sai por menos de R$ 100 –o valor pode dobrar ou triplicar, dependendo do bairro e das aulas oferecidas. Já os serviços de um personal trainer podem variar entre R$ 20 e R$ 120 por hora.

Os custos para manter o corpo em forma são elevados. Mas um aplicativo, criado em Munique, na Alemanha, está ajudando a reduzir esses gastos não apenas no Brasil, mas nos 160 países em que atua.

O app Freeletics cria treinos individuais para os usuários. Ele utiliza informações como idade, peso e altura para indicar um programa de exercícios.

 O aplicativo também leva em consideração o condicionamento físico e os objetivos do usuário, por exemplo, ganhar massa muscular ou perder gordura.

Todos os exercícios são demonstrados em vídeos para que as pessoas acompanhem enquanto praticam o treino. As atividades podem ser realizadas em espaços pequenos e não necessitam de nenhum aparelho porque são realizadas apenas utilizando o peso do corpo.  

A Freeletics começou como uma startup em 2013. E teve um crescimento rápido graças aos usuários que começaram a compartilhar os resultados nas redes sociais. Hoje, 9 milhões de pessoas no mundo utilizam o aplicativo – a cada semana são cerca de 10 mil novos usuários.

No Brasil, a empresa começou a atuar no ano passado e já possui mais de 500 mil clientes.

“É muito vantajoso porque no plano anual os custos são de cerca de R$ 13 por mês, valor muito mais barato do que uma academia ou um personal trainer”, afirma Gabriel de Oliveira, representante da Freeletics no Brasil. “Queremos que todos pratiquem exercícios. Por isso. nosso lema é: 'a qualquer hora, em qualquer lugar'. Sem pesos, sem aparelhos, sem desculpas."

LÚCIO GOMES E FELIPE FARIA: FUNDADORES DA PARPE

ALUGUEL DE CARROS

O Uber está mudando o transporte urbano. O aplicativo conquista cada vez mais adeptos porque os valores das corridas são mais baratos do que os praticados pelos táxis. O Parpe pretende fazer algo semelhante, mas com o aluguel de carros.

Fundado pelos empreendedores Lúcio Gomes e Felipe Faria, a empresa permite que usuários aluguem seus carros.

“A ideia é unir uma pessoa que tem um veículo ocioso com alguém que precisa alugar um automóvel”, afirma Guilherme Cury, gerente de operações da empresa.

A ideia foi inspirada em empresas americanas que promovem compartilhamento de carros. Os donos dos veículos escolhem quando querem alugar o carro e qual o valor desejam cobrar – o site fica com 20%.

Tanto os donos dos automóveis quanto os motoristas que alugam o carro têm que ser aprovados pela seguradora Mafre, que é responsável em caso de acidentes ou problemas mecânicos.

De acordo com Cury, o aluguel de carro da Parpe é 30% mais barato do que nas locadoras convencionais.