Inovação

A hora e a vez das startups de saúde


Impulsionadas por um mercado que movimenta cerca de 8% do PIB nacional, empresas nacionais e estrangeiras que atuam no setor da saúde estão se multiplicando pelo país


  Por Thais Ferreira 28 de Março de 2016 às 08:00

  | Repórter tferreira@dcomercio.com.br


A frase “o importante é ter saúde”, nunca fez tanto sentido no Brasil. Em 2013, o consumo de bens e serviços de saúde no país foi de R$ 424 bilhões, cerca de 8% do PIB (Produto Interno Nruto) , de acordo com os dados da Conta-Satélite de Saúde, divulgados pelo IBGE.

A estimativa da consultoria McKinsey & Company é que mesmo com a recessão econômica esse mercado deve manter o crescimento anual de 8% em média até 2017.   

O cenário favorável está estimulando que empreendedores apostem no setor. De acordo com o estudo Lado A e Lado B – Startups, realizado pelo Sebrae-SP, o segmento da saúde está entre os mais perseguidos por fundos de investimento, antecedido até mmesmo por educação e tecnologia.

Ainda assim, trata-se de um setor carece de inovação. Não somente em relação a equipamentos médicos, mas também nos processos que circundam o cotidiano de médicos e pacientes. 

SHASHANK ND, DA PRACTO: EMPRESA INDIANA QUE CHEGOU AO BRASIL

Na semana passada, a indiana Practo desembarcou no Brasil interessada nessas oportunidades. Fundada em 2008 em Bengaluru, cidade ao sul da Índia, a empresa oferece uma plataforma que oferece diversas serviços para setor da saúde.  

Por enquanto, apenas duas ferramentas estão disponíveis no país. Uma delas é a Practo Search, um banco de dados em que pacientes podem procurar por médicos e, após as consultas, avaliá-los.

As opiniões ficam disponíveis para todos os usuários. Um sistema similar ao dos aplicativos que buscam quartos de hotéis, como tripadvisor ou booking.  

Outro produto lançado é Practo Ray: um programa de gerenciamento de consultórios na nuvem. Esse software automatiza a marcação de consultas, cobranças e inventários. Além de criar registros médicos e receitas digitais.

“Nós somos capazes de fazer todo o ecossistema de saúde mais eficiente, e também ajudar os consumidores a achar o médico correto, de uma forma melhor e mais rápida”, afirma Shashank ND, fundador e CEO da Practo.

A plataforma está presente em 15 países e em mais 50 cidades. Por enquanto, a empresa cadastrou por volta de 5300 médicos apenas na cidade de São Paulo, mas pretende expandir os serviços para outras capitais.

Mesmo com a crise econômica e política, o empresário indiano acredita no potencial do país. “O Brasil é um dos mais importantes mercados de saúde do mundo. Há 200 milhões de pessoas no país que podemos ajudar com os nossos produtos”, diz Shashank ND.

RICARDO MORAES, FUNDADOR DA MEMED: STARTUP DO SETOR DE SAÚDE

EMPRESAS BRASILEIRAS

A Memed também está de olho nesse extenso mercado. A empresa foi fundada em 2012 pelo empreendedor Ricardo Moraes, após observar as dificuldades que Rafael – seu irmão e dermatologista na cidade de Avaré, interior de São Paulo – tinha para receber informações da indústria farmacêutica.

Os representantes comerciais se concentravam nos consultórios das grandes capitais. Para os médicos das cidades menores, as novidades demoravam a chegar.

Assim surgiu a ideia de montar um catálogo online de medicamentos para auxiliar os profissionais da saúde. Além disso, Moraes percebeu que precisa resolver outro problema do setor: as receitas.

De acordo com Organização Mundial da Saúde, 75% das prescrições médicas escritas à mão correm o risco de apresentar algum tipo de erro. Por isso, a plataforma – feita exclusivamente para médicos –também gera a prescrição impressa.

A Memed foi umas das startups pioneiras nesses serviços no Brasil e foi a primeira do setor a receber aporte da 21212, uma aceleradora de startups. 

Apesar de ter a vantagem de estar num mercado ainda pouco explorado, as empresas inovadoras da área da saúde encontram outros obstáculos.

O principal está relacionado com questões burocráticas. “Diversas empresas não se desenvolvem por causa das barreiras impostas pela Anvisa ou pelos conselhos regionais de medicina”, afirma Moraes.

Nos Estados Unidos, por exemplo, startups cresceram prestando serviço de consultas a distância. Essa prática, no entanto, é proibida no Brasil.  

Outra barreira é própria resistência dos médicos em adotar novas tecnologias numa das profissões mais tradicionais. Moraes acredita que essas barreiras serão transpostas aos poucos e com ajuda dos médicos mais novos que estão começando na profissão.

“Queremos trazer inovações para país”, afirma. “Acredito que uma revolução tecnológica está para acontecer primeiro no setor automobilístico, e acredito que o próximo área da  saúde será a próxima.”

Uma mudança que pode deixar a medicina mais eficiente e, talvez, mais acessível.

UM CAMPO ABERTO DE OPORTUNIDADES

A Memed e a Practo não são as únicas. Uma série de startups surgiu nesse mercado nos últimos anos, entre elas: Anestech, desenvolvido para anestesiologistas, Beep Saúde,  app que localiza médicos que façam atendimento domiciliar; iClinic, software para gerenciamento de clínicas; PEBmed, plataforma de informações médicas, Medicinia, que auxilia a comunicação com pacientes e Healthme, app que localiza e avalia consultórios.  

Para citar apenas algumas. A expectativa é que a lista cresça nos próximos anos.