Gestão

Techshow 2015 começa hoje em São Paulo


Evento promovido pelo Sebrae se propõe a orientar pequenas e médias empresas nas operações de comércio eletrônico


  Por Karina Lignelli 21 de Julho de 2015 às 10:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Com todo o barulho que se faz em torno da necessidade de se conectar com os clientes por diferentes canais, o fato é que a tecnologia ainda está distante das pequenas e médias empresas.

É o que revelam levantamentos conduzidos pelo Sebrae dando conta de que somente 27% das empresas deste porte comercializam seus produtos e serviços por meio da internet. Outras 67% ainda não estão nas redes sociais, e 52% das que usam computadores não fazem uso de softwares integrados.

Para muitos varejistas, o comércio eletrônico tem sido mais um, ou o mais importante canal de vendas para aumentar a rentabilidade da empresa – principalmente em tempos de recessão econômica.

No universo das pequenas empresas, porém, ainda falta planejamento e há muito desconhecimento, em especial de gestão do negócio, para começar a engordar o caixa vendendo pela internet.  

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O imediatismo inerente do brasileiro faz com que o seu interesse principal ao buscar apoio do Sebrae para implementar uma loja virtual seja “a melhor solução tecnológica”, afirma Jairo Lobo Migues, consultor do Sebrae-SP e coordenador do MPE Techshow 2015, evento que se propõe a orientar MPEs em operação no e-commerce, que começa nesta terça-feira (21/07).  

“Não é assim que funciona: tenta-se passar a ilusão de que comércio eletrônico é sinônimo de ganhar rios de dinheiro", diz Migues. "Mas é exatamente pela falta de planejamento a razão do fracasso de muitas pequenas empresas.”

Migues cita dados do Sebrae Nacional que apontam que, 24% das pequenas empresas, sejam físicas ou virtuais, quebram antes de completar o segundo ano de atividades. No estado de São Paulo, esse número cai para 22%. "É preciso ter uma estrategia 'antes' de montar, para só depois correr atrás", afirma. 

Outro levantamento, da consultoria E-commerce School, revela que 70% das 23 mil lojas pesquisadas estão no ar, mas foram “abandonadas”. Ou seja, mesmo abertas, os donos deixaram de operá-las. 

Além dos já citados falta de conhecimento e planejamento como empecilho para continuar a operação, o insucesso é justificado pela baixa barreira de entrada nesse mercado. “Com R$ 50, é possível abrir uma loja virtual”, informa a pesquisa. 

SALVAÇÃO NA CRISE?

Entre os pontos que podem tornar uma pequena empresa bem-sucedida no e-commerce e serão abordados no evento, estão a necessidade de conceber e montar um modelo de negócios, estudar e definir o mercado de atuação –considerando a existência de grandes concorrentes.

“Também é preciso a definir viabilidade econômica, o que inclui análise do melhor custo de provedores, e selecionar o que demonstra ter mais aderência ao tipo de negócio”, afirma.

Mas, investir em comércio eletrônico seria uma boa opção em tempos de crise? Apesar da expectativa de alta de dois dígitos para o setor em 2015, como aponta a consultoria E-bit, Migues afirma que as vendas do varejo que já estão em queda, não voltarão a crescer.

“Para alguns, pode ser um bom canal e a salvação para aumentar o faturamento. Mas sem planejamento e sem saber se o produto e o público alvo são bons para explorar, não dá para montar (uma loja virtual) da noite para o dia”, diz.

Para participar do workshop, das palestras e painéis do evento, que será realizado na Escola de Negócios do Sebrae-SP na capital paulista, basta se inscrever pelo site, ou no 0800-570-0800. 

CAPACITAÇÃO

A capacitação dos interessados em empreender no e-commerce ou dos que já atuam na área, também é foco de uma iniciativa da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e.net). Realizado há 12 anos, o Ciclo MPE.net já qualificou mais de 60 mil MPEs, segundo Fernando Ricci, secretário executivo da Câmara. 

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Realizado anualmente em 22 cidades do país, o Ciclo, que é gratuito, procura mostrar as ferramentas necessárias para ter uma loja virtual, desde infraestrutura, operação, hospedagem do site e logística, até meios de pagamento, marketing e redes sociais. 

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Para saber se todo esse trabalho traz resultado positivo às lojas virtuais, a Câmara criou em 2014 o "Movimento E-MPE", que, concede a seus associados o direito de uso do selo Clique e-Valide, além do acesso a um Kit de Competitividade Digital para as MPEs que usarem as melhores práticas do e-commerce. 

“Agora podemos ter uma noção do quanto essas empresas progridem, além de dar uma chancela da Câmara atestando que determinada loja virtual está ativa, possui CNPJ válido e cumpre todas as exigências legais que lhe permitem vender pela internet”, afirma Ricci. 

Informações sobre os próximos encontros do Ciclo MPE-net estão disponíveis no site. Em setembro, serão realizados nas cidades paulistas de São Bernardo do Campo e São José dos Campos. 

A camara-e.net ainda capacita MPEs para receber o selo Black Friday Legal, ou seja, para as lojas virtuais que atendam os requisitos da Lei de Defesa do Consumidor.

A próxima capacitação online para quem pretende ter o selo – e aumentar as vendas em uma das maiores ações promocionais da internet - está prevista para 12 de agosto. 

Ilustração: Thinkstock