Gestão

“Só com a PPP vamos conseguir iluminar São Paulo com LED”


Denise Abreu, diretora do Ilume, pede pressa à Justiça de São Paulo para aprovar o projeto de Parceria Público Privada que viabilizará a implantação de iluminação com LED no município


  Por Wladimir Miranda 20 de Novembro de 2017 às 13:10

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


“Sou uma guerreira”. Alta, voz potente, gestos largos, Denise Maria Ayres de Abreu, 56 anos, é diretora Departamento de Iluminação pública da Prefeitura de São Paulo (Ilume), desde o início da gestão de João Doria.

Ela dispensa o Maria e o Ayres do nome para ficar apenas com o Denise Abreu. Foi para falar sobre iluminação pública e, por consequência, na segurança que a claridade pode proporcionar à população, que foi a palestrante da vez na noite de quinta-feira (16/11), na Distrital Norte da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

O evento foi presidido por Luís Eiras, diretor superintendente da Distrital Norte. João Bico, vice-presidente da entidade, esteve no ato representando Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais de São Paulo – Facesp -.

Denise Abreu falou para uma plateia de 150 pessoas, formada por comerciantes e moradores da região. Disse logo que não faria uma palestra. Preferia responder perguntas, ou seja, ser questionada pelos presentes ao evento.

A maioria das questões teve relação com a falta de iluminação na região. O que facilita a ocorrência de assaltos a moradores e comerciantes.

Explicou que a Prefeitura de São Paulo tem um projeto para implantar iluminação com lâmpadas LED, que é um componente eletrônico semicondutor, um diodo emissor de luz. LED (em inglês, Light Emitter Diode), é a mesma tecnologia utilizada nos chips dos computadores, que tem a propriedade de transformar energia elétrica em luz. 

150 PESSOAS NA PLATEIA DA DISTRITAL

“Só com uma Parceria Pública Privada (PPP), vamos ter condições de dotar São Paulo de uma iluminação com LED. Acho que no começo do ano que vem teremos uma solução para esta questão. O projeto de implantação da PPP está no Tribunal de Justiça de São Paulo. A população quer LED. E é um absurdo que não se dê uma solução para este problema”, disse. 

A veemência é uma característica da paulistana Denise Abreu. Ela nasceu e foi criada no bairro da Bela Vista, na região central.

É filha de Olten Ayres de Abreu (1928-2015), ex-árbitro de futebol, que ficou muito conhecido na década de 1960, principalmente por apitar muitos jogos do Santos de Pelé.

Olten se notabilizou por aplaudir, como árbitro, em campo, vários lances protagonizados por Pelé. Também ficou marcado por ter apitado a partida que inaugurou o Estádio do Morumbi, em 1960.

Formada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), ela fez mestrado em Direitos Constitucional. Entre 1983 e 1985 foi professora assistente do então professor Michel Temer, na cadeira de Direito Constitucional da PUC/SP.

Mas foi em 2007, que Denise Abreu se projetou nacionalmente. Então ligada ao petista José Dirceu, ela era diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), quando ocorreu o acidente do avião da Tam, que não conseguiu parar na pista do Aeroporto de Congonhas e explodiu, matando 199 pessoas.

Ela afirma que foi absolvida em segunda instância no processo aberto contra ela por ter permitido a utilização da pista naquele final de tarde chuvoso em São Paulo. E que nada tem mais a ver com o PT.

Vestiu a camisa da campanha de João Doria. Em seu Gabinete, na Rua Líbero Badaró, no centro de São Paulo, faz questão de ser sempre fotografada tendo ao lado uma foto do prefeito.

“Doria vem perseguindo esta questão da iluminação pública de qualidade com afinco. Ele determina todos os dias a seu secretariado que trabalhe neste sentido", afirmou. "O objetivo é acabar com a insegurança na cidade. E ele sabe que o sistema de iluminação de LED vai contribuir e muito para melhorar a claridade de nossas ruas e, principalmente, das calçadas.”

No Rio de Janeiro é o IFC, braço financeiro do Banco Mundial, que trabalhará com o município para desenhar uma parceria público privada (PPP) para modernizar a rede de iluminação da cidade, reduzir o consumo de energia e promover eficiência energética. O orçamento estimado é de R$ 1,93 bilhão.

Denise Abreu gosta de falar mirando o interlocutor nos olhos. Curva-se para a frente, num claro sinal de quer convencer a qualquer custo quem a ouve:

“Tenho a postura de um índio guerreiro. Pode observar que ele sempre aparece nas fotos com o peitoral para a frente. Eu nasci assim. Sou como meu pai. Ele morreu em pé. É assim que quero morrer. Com dignidade”.

“O Haddad (o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad), colocou iluminação LED só na periferia. Claro, a preocupação dele era garantir os votos das pessoas mais carentes. Só que não adiantou nada. O João Doria ganhou na periferia também”, diz.

LEIA MAIS: Com um evento por dia distritais atraem 50 mil pessoas

Denise Abreu lembra que, mesmo sem ainda poder implantar o projeto LED, o Ilume tem iluminado praças nos bairros mais distantes.

“A periferia tem importância muito maior. Em bairros nobres, no final de semana a pessoa viaja para a casa de campo, para a casa de praia, ou vai para um bom restaurante", disse. "Já o morador da periferia não sai de seu bairro nos finais de semana. Portanto, fica mais exposto a assaltos, à violência.”

A libriana Denise foi Procuradora do Estado de São Paulo, em 1987, Consultora Jurídica da extinta Fundação do Bem-Estar do Menor (Febem), e Assessora e Subchefe-adjunta da Casa Civil da Presidência da República em 2003.

LEIA MAIS: O que ainda falta para a revitalização do centro

Foi pré-candidata à Prefeitura de São Paulo pelo Partido da Mulher Brasileira (PMB), nas eleições de 2016. Seu partido, porém, acabou apoiando a candidatura de João Doria.

O fato de ser do PMB, no entanto, não a obriga a ser feminista. Aliás, ela faz questão de dizer que não é feminista.
“Sou antifeminista convicta”, diz.

Afirma que as mulheres sofrem com a falta de iluminação na cidade. E são elas, as principais vítimas de assédios e casos de violência.

“Nossa maior preocupação é iluminar as calçadas. É na calçada que as mulheres são abordadas e, muitas vezes são vítimas de violência, por causa da escuridão. O projeto da iluminação à LED vai melhorar muito a vida das mulheres”, afirma.

Denise lembra que a iluminação não substitui a presença da polícia.

“Mas inibe a ação e gera barreiras para impedir que o crime seja praticado. Junto com a iluminação, são instaladas câmeras para você filmar e ter um acervo de imagens, que são ligadas à Polícia Militar. A implantação da iluminação à LED é uma proposta de ação conjunta, respeitando as individualidades de cada uma das polícias, a Militar e a Civil”, disse.

FOTOS: Divulgação/Distrital Norte da ACSP