Gestão

Setor de saúde ganha um aliado na Associação Comercial de SP


Com a criação de um conselho exclusivo, a ACSP oferece ao mercado de saúde um espaço independente para buscar soluções para os grandes problemas e para fortalecer os empreendedores


  Por Inês Godinho 21 de Julho de 2016 às 08:30

  | Jornalista especialista em sustentabilidade e gestão, a editora atuou no Estadão, na Editora Abril e na Folha de S. Paulo


No Brasil, os gastos com saúde atingiram 9,2% do PIB e não param de crescer. O setor se tornou um gigante, com um volume de gastos de R$ 450 bilhões, dos quais 56% vindos do setor privado. Na prestação de serviços, 184 mil empresas participam deste mercado. 

Porém, ao contrário dos setores de indústria e comércio, não contava ainda com um sistema de representação unificado. Esta lacuna foi constatada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP). 

A entidade iniciou um movimento de articulação setorial com a criação do Conselho de Empresas do Setor de Saúde (CESS).

“Pretendemos ser um centro de referência de estudos e debates sobre os mais relevantes temas da área de saúde”, diz Dimitrie Josif Gheorghiu, médico endocrinologista e coordenador do núcleo. “A força institucional da associação comercial nos legitima para essa iniciativa. Trata-se de uma entidade independente, com uma folha de serviços centenária em defesa do país.”

FORÇA PARA OS EMPREENDEDORES

A estratégia estabelecida para o novo conselho teve como ponto de partida um dos principais objetivos da ACSP: incentivar o empreendedorismo, além de trabalhar para melhorar a infraestrutura de saúde do país e as práticas de negócios. 

“A partir de São Paulo, queremos fortalecer o pequeno e médio empreendedor que compõem a maioria das empresas de saúde do Brasil”, disse Gheorghiu, membro do Conselho Deliberativo da ACSP e conselheiro da Distrital Oeste.

Segundo estudo encomendado pela Federação dos Hospitais do Estado de São Paulo (Fehoesp) ao Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), das 184 mil empresas presentes no mercado, 95% são de PMEs, entre as quais os consultórios médicos, odontológicos e de outras especialidades. No total, empregam cerca de 2,03 milhões de profissionais.

MULTIPLICAÇÃO DOS ESFORÇOS

A criação do CESS, lançado em junho de 2016, foi concebida a partir da organização matricial da ACSP, com 14 distritais da capital paulista e vinculada a mais de 400 associações comerciais no Estado de São Paulo e 2.400 no país. 

Para chegar à ponta da cadeia setorial, onde está a maioria das empresas, o conselho estabeleceu um cronograma de encontros em todas as 14 distritais da capital paulista.

“Vamos construir relacionamento com o pequeno empreendedor do setor e convidá-lo a fazer parte da ACSP”, explica o coordenador.
 
Ao mesmo tempo, foram convidados a integrar o conselho os principais órgãos e grupos empresariais de saúde, como os grandes hospitais e as redes de farmácia e laboratório, entre outros, e lideranças políticas. 

Um dos diferenciais do novo órgão está em aglutinar empresas dos três setores - serviços, indústria e comércio – e de todas as especialidades sob o guarda-chuva da saúde.
  
Com este movimento de articulação, os mentores do conselho acreditam que darão capilaridade  à iniciativa, com o que criarão massa crítica para sustentar as demandas do setor.

Entre as iniciativas, estão previstas a organização de seminários, workshops, pesquisas, produção de conteúdo e uso intenso das mídias digitais. 

A NECESSIDADE DE TERCEIRIZAÇÃO

Entre os temas de interesse que despontaram nas primeiras reuniões, a regulamentação da terceirização dos serviços surgiu como uma demanda comum a todos, pequenos e grandes.

Um dos aspectos levantados se refere ao modelo de trabalho da maioria dos profissionais de saúde e que caracteriza o setor. 

Por tradição, eles preferem não ficar vinculados a uma única instituição, e sim manter relações flexíveis por meio de contratos de pessoa jurídica. A modalidade, no entanto, vem sendo combatida por setores sindicais e órgãos do governo. 

Este desencontro de interesses está trazendo incerteza ao setor e causando grande dificuldade para a montagem de equipes em instituições de saúde.

Imagem: ThinkStock