Gestão

Saiba como a iGUi Piscinas nada de braçada na crise


A empresa passou a diversificar seus negócios e se abriu para um público mais amplo. Como resultado, Felipe Sisson, fundador da marca, espera faturar este ano até 15% a mais do que em 2016


  Por Mariana Missiaggia 10 de Novembro de 2017 às 15:45

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


A combinação da crise hídrica com o período de recessão poderia ter sido fatal para a iGUi Piscinas. Só não foi porque muita coisa mudou. A empresa diversificou seus negócios, passou a oferecer serviços de manutenção a clientes antigos, desenvolveu produtos mais baratos e fortaleceu suas vendas internacionais. 

A iGUi é apontada como a rede de franquias mais internacionalizada do país. Além das 650 franquias no Brasil, possui outras 170 lojas em 40 países, abastecidas por seis fábricas de piscinas (três na Argentina, uma no México, uma em Portugal e uma no Paraguai). 

As vendas externas da empresa ultrapassaram R$ 83 milhões em 2016, atingindo 18% das receitas. A internacionalização compensou a queda nas vendas no mercado interno e ajudou o faturamento da empresa a aumentar de R$ 509 milhões, em 2015, para R$ 600 milhões no ano passado. 

DIVERSIFICAÇÃO

Dentro do país, a aposta em novos formatos de negócios foi a solução encontrada por Felipe Sisson, fundador e presidente da iGUi. Comprar piscina em período de recessão pode ser considerado uma excentricidade. Com base na taxa de desemprego, na queda da intenção de compra e na diminuição da renda das famílias, a rede decidiu voltar os olhos para os clientes que já tinham comprado piscinas.

"Temos cerca de 350 mil piscinas instaladas em todo o Brasil e estávamos perdendo a oportunidade de prestar o serviço de manutenção", diz Sisson.

SÃO MAIS DE 200 QUIOSQUES TRATA BEM EM TODO O PAÍS

Com um atendimento similar ao de pós-venda, a empresa formatou um novo modelo de loja, a iGUi Trata Bem, especializada em tratamento, assistência técnica e manutenção de todos os tipos de piscinas.

Além da aspiração e limpeza de borda, a proposta da rede é identificar e relatar defeitos na piscina e equipamentos, e sugerir a solução de cada um deles.

Há pouco mais de um ano, o novo formato de quiosques começou a ser instalado em postos  de combustíveis de todo o país. Por mês, são abertos de dez a 15 novos quiosques Trata Bem, de acordo com o presidente da empresa.

Com estrutura em aço inox, as lojas da Trata Bem são práticas de serem instaladas, pois seguem o modelo de container. A novidade foi desenvolvida para reduzir os custos do franqueado e também para facilitar a abertura ou a mudança do ponto de venda, diz Sisson.

De baixo investimento (em torno de R$ 18 mil), o negócio especializado em tratamento de piscinas já soma mais de 200 franqueados e mantém uma parceria com uma rede de postos de gasolina. O compromisso é instalar dois mil quiosques da marca em quatro anos. 

Para controlar os custos, assim como ocorre com as piscinas, a rede produz mais de 90% dos insumos que estão à venda nas lojas da Trata Bem - produtos e acessórios especializados.

A companhia também investiu na fabricação de filtros e equipamentos sob a marca Progeu, e conta com cinco unidades fabris no Rio Grande do Sul.

PRODUTOS PARA TODAS AS CLASSES

Sisson destaca que assim como todo o setor de bens duráveis, a iGUi começou a sentir os primeiros efeitos da crise quando o varejo ainda estava aquecido. “Por isso, já vemos alguns resultados das nossas ações”, diz.

O posicionamento da iGUi sempre foi direcionado às famílias de classe média, com os preços das piscinas flutuando entre R$ 50 mil e R$ 100 mil – valores acima da média da concorrência. Com a crise, não restou alternativa: foi preciso diminuir a margem de lucro em até 20% para atingir um público maior, explica Sisson.

De olho em famílias da classe C, com uma renda mais enxuta, o grupo criou uma nova marca, a Splash, com exemplares vendidos a partir de R$ 5 mil.

Já para os menos afetados pela crise e que seguem consumindo produtos diferenciados, a iGUi desenvolveu uma piscina mais sofisticada, de até R$ 200 mil, que permite colar pastilhas na fibra de vidro, ficando parecida com uma piscina de alvenaria tradicional.

Outra providência para conquistar o público A foi se aliar a arquitetos renomados e negociar a entrada dos produtos em diversos eventos de arquitetura e decoração como a Casa Cor.

PROJETOS DA IGUI PARA CLASSE A

Hoje, a versão popular da Igui passou a representar 20% das vendas totais, enquanto o segmento de luxo tem potencial para chegar a 30%.

Nos últimos dois anos, a rede conseguiu elevar o faturamento em 3%, apesar de ter registrado uma queda superior a 10% no volume de vendas.

“Já não estamos mais no vermelho (em vendas), como 2015 e 2016. Quantitativamente ainda está nebuloso, mas financeiramente devemos crescer entre 5% e 15% em relação ao ano passado”, diz.

APOSTAR EM INOVAÇÃO É FUNDAMENTAL

Depois de se destacar por instalar estrategicamente unidades junto às maiores rodovias do país e de readequar a empresa à nova realidade econômica, Sisson também teve de pensar em incorporar a tecnologia ao seu negócio. 

A cada dia, mais brasileiros mergulham no mundo digital - milhões de consumidores se conectam por meio de seus smartphones.

Para entrar neste mundo, a rede criou um sistema de automação, que permite controlar pelo celular a filtragem da água, iluminação, aquecimento e hidromassagem.

Além disso, o usuário também pode personalizar o equipamento com funções para a casa como portão eletrônico, ventiladores e som ambiente, ou seja, ele controla o que quiser dentro da piscina pela tela do celular.

Sisson recorda que quando a marca passou a oferecer projetos 3D para seus clientes, a ação era muito inovadora.

“Agora, esse tipo de projeção é trivial. Percebemos que não dá para desenvolver uma tecnologia e parar no tempo, temos que acompanhar tudo o que surge”.

Hoje, mais de 30 arquitetos desenvolvem mais de mil projetos por mês, como cortesia, para o consumidor identificar a área de lazer, posição solar e tamanho da piscina.

Além disso, há também a ferramenta 360 graus, em que o vendedor fotografa a casa do cliente, que tem uma visão perfeita de como vai ficar sua piscina no local escolhido com deck e decoração.

FOTO: Divulgação