Gestão

Produtividade da PME representa só 10% das grandes empresas


Informalidade é obstáculo para as pequenas acessarem crédito, tecnologia, novos mercados e instrumentos de gestão


  Por Estadão Conteúdo 11 de Setembro de 2015 às 13:28

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, disse nesta sexta-feira (11/09) que o Brasil precisa reformular o setor das micro e pequenas empresas, que representa 98% do número total de estabelecimentos produtivos. 

Isto porque a produtividade deste segmento representa 10% do que registram as grandes empresas. Em países como a Alemanha, por exemplo, essa relação é de 60%.

"Isso é um impedimento estrutural para qualquer estratégia de desenvolvimento produtivo. É preciso considerar ainda o fato de que grande parte dessas micro e pequenas empresas está na informalidade, o que as impede de acessar políticas publicas básicas de acesso a crédito, tecnologias, mercados e instrumentos de gestão", afirmou durante debate no XXI Congresso Brasileiro de Economia, promovido pelo Conselho Federal de Economia (Cofecon), em Curitiba.

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Ele lembrou ainda que essas empresas que estão na informalidade contratam uma força de trabalho também informal, o que gera uma situação de desproteção laboral e social, impedindo a superação da desigualdade.

Lúcio avalia que, antes de políticas públicas setoriais, seria preciso reorganizar a macroeconomia brasileira.

A taxa média de retorno esperada para um investimento produtivo no Brasil é de 8%, com inflação média de 5% nos últimos anos, enquanto investidores que aplicam na dívida pública recebem um retorno médio de 22%.

"Não há políticas públicas que melhorem as condições produtivas quando o sistema econômico dá, sem nenhum risco aos rentistas, sem nenhum trabalho, um retorno três vezes maior", afirmou.

"Essa é uma dimensão básica, a partir da qual qualquer outra política pública é anulada ou fica fragilizada", acrescentou.

O diretor citou ainda o caso da indústria, que sofreu na última década com a política macroeconômica de valorização cambial.

Para ele, o câmbio foi usado como instrumento de formação de reservas internacionais e controle da inflação.

"Há duas décadas a indústria se bate para reorganizar-se do ponto de vista produtivo. Muitas vezes um incremento produtivo fantástico que levou anos para ser desenvolvido é destruído em segundos por uma pequena valorização cambial", conclui.

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