Gestão

"Planeje, faça, cheque e aja"


Em "Vicente Falconi - O que Importa é o Resultado", que acaba de ser lançado, a jornalista Cristiane Correa disseca o método do "guru" da gestão


  Por Estadão Conteúdo 22 de Novembro de 2017 às 09:50

  | Agência de notícias do Grupo Estado


Após escrever sobre a trajetória dos empresários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, fundadores da Ambev, e sobre Abilio Diniz, que transformou o Grupo Pão de Açúcar em um gigante do varejo, a jornalista Cristiane Correa escolheu Vicente Falconi para compor a trilogia de exemplos marcantes do capitalismo brasileiro.

"Em Sonho Grande, abordei a formação de uma cultura empresarial vencedora. Com Abilio, quis falar de um dos mais bem-sucedidos self-made men do País.

Com o Falconi, reforço a importância do método. A maior parte das pessoas se interessa pela estratégia. Mas uma boa ideia sem uma boa execução não vale nada", explica Cristiane.

Lançado nesta terça-feira (21/11), no Rio de Janeiro, o livro Vicente Falconi - O que Importa é o Resultado aborda como um professor de engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais revolucionou a gestão no País.

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Nos anos de 1980, Falconi começou a trazer para o Brasil conceitos inspirados na eficiência de empresas japonesas.

O modelo, que combina disciplina e foco financeiro, baseado em liderança e estabelecimento de metas, foi adotado por empresas como AB InBev, Sadia (hoje BRF), Petrobras, Gerdau e Kraft Heinz.

Falconi também atuou no setor público, como na definição da meta de consumo de energia recebida por cada família brasileira na época do risco do apagão, em 2001.

Para Cristiane, a força do método de Falconi está na simplicidade, o que acabou aproximando o consultor dos fundadores da AB InBev.

"É um método que pode ser resumido na designação PDCA (da sigla em inglês para "planeje, faça, cheque e aja"). Baseado no bom senso e na busca da verdade, traz o problema ao centro da mesa e serve para empresas de qualquer tamanho", explica.

RUMO À CHINA 

Vicente Falconi desembarca na China para negociar parceria com uma consultoria local também especializada em gestão, a Hejun Consultancy.

Falconi pretende ampliar a internacionalização de seu negócio. Com subsidiárias no México e Estados Unidos e atuação em mais de 30 países, a Falconi Consultores de Resultados quer fincar os pés de vez na China.

Hoje, Falconi participa de um evento na Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e de uma rodada de conversas com empresários. No dia seguinte, lança na Hejun a versão em chinês de seu livro O Verdadeiro Poder, considerado uma cartilha de gestão pelos empresários.

O método de gestão começou a ser formulado por Falconi no início dos anos 1980, durante uma viagem ao Japão. "Quero deixar claro que melhoria de gestão não significa necessariamente corte de custos. Fazemos, primeiro, uma avaliação da empresa. Se uma companhia quer reduzir custos, avaliamos quais são os desperdícios", diz.

Desperdício, segundo Falconi, é tudo aquilo que o cliente não percebe como valor.

Gestão eficiente pode ser aplicada em diversas áreas, desde setor público como privado. Em alguns casos, as empresas terão de investir mais e não cortar custos, explica o professor.

Um diagnóstico da Falconi em uma empresa pode ser feito em duas semanas ou durar até quatro meses, dependendo do tipo de mudança que uma companhia deseja.

Replicar o modelo de gestão Falconi para outros países requer uma certa flexibilidade. "O livro é bom, mas não resolve tudo", diz Falconi.

As conversas para uma possível parceria com a Hejun, que fatura por ano US$ 1 bilhão ainda estão em fase inicial, mas devem avançar a partir desta semana.

"Surgiu uma oportunidade (de negociar a parceria), que não foi nada planejada. Eles traduziram o nosso livro e nos chamaram para conversar. Vamos discutir como podemos trabalhar juntos", disse Falconi ao Estado. "Se faturarmos um décimo do que eles (Hejun) faturam, teremos um crescimento expressivo", brinca, ao comparar a receita das duas companhias.

A meta da Falconi é elevar sua receita para R$ 500 milhões até 2021. A consultoria, que hoje fatura R$ 300 milhões, tem uma equipe de 800 pessoas, incluindo 10% de profissionais estrangeiros.

FOTO: Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo