Gestão

Pequenos negócios buscam o associativismo para enfrentar a crise


A união em torno de um objetivo comum traz mais eficiência e maior poder de negociação em tempos difíceis: só na ACSP, adesão de novos associados cresceu 25% desde o início da pandemia


  Por Karina Lignelli 13 de Novembro de 2020 às 15:30

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Se a crise da covid-19 provocou a quebradeira de boa parte dos pequenos negócios ao longo dos últimos meses, uma outra parcela desse grupo já entrou em 'modo recuperação'. 

Dois levantamentos do Sebrae apontam isso: um, em conjunto com a Receita Federal, sinaliza que MEIs e MPEs ainda na ativa apresentam sinais de retomada em V em quase todas as UFs do Brasil.

Outro, com base em dados do Ministério da Economia, mostra que os pequenos negócios geraram mais empregos entre julho e setembro (443 mil postos formais) do que empresas de médio e grande porte (245 mil). 

LEIA MAIS:  No varejo da construção, a união faz a força (e aumenta os ganhos)

Para garantir a sobrevivência das empresas, muitos desses empreendedores têm buscado o associativismo, que nada mais é do que a organização de pessoas em busca de um benefício comum. 

Em momentos como o atual, a tendência desses pequenos negócios é procurar ajuda, segundo Guilherme Santos e Campos, consultor do Sebrae-SP. E o associativismo tem sido uma dessas alternativas. 

"Na crise, o problema não é ser pequeno, é estar sozinho. Isso diminui o poder de negociação", explica. "Buscar essa organização e participar de ações localizadas é uma forma de trabalhar para superar as dificuldades."

Juntos, os empreendedores conseguem mais facilmente acesso à capacitação, à orientações legais e tributárias, sobre gestão, e até acesso ao crédito e a informações que podem fazer toda a diferença não só em tempos normais, mas principalmente em períodos de crise como o atual. 

Para se ter uma ideia dessa procura por alternativas na crise, só na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), por exemplo, a adesão de novos associados nos meses de pandemia está 25% maior do que em igual período de 2019, segundo Douglas Formaglio, vice-presidente da ACSP e coordenador das distritais da entidade. 

Engajada em temas pertinentes e já consolidados do empreendedorismo, como a criação do Simples Nacional, da figura jurídica do MEI e, recentemente, no diálogo com os governos estadual e municipal para a reabertura consciente do comércio, a ACSP já vinha com saldo positivo de associados por 16 meses consecutivos. 

Com a pandemia, esse número ampliou mais, diz Formaglio, pois, em sua avaliação, os empreendedores, para sair da crise, têm procurado amparo em entidades que briguem por seus interesses - como a ACSP, que incentiva o comércio local, o e-commerce e empresas a criarem novas alternativas de prestação de serviços. 

"O importante é esse empreendedor saber que ele não está sozinho", destaca. 

VIA DE MÃO DUPLA

Renan Luiz da Silva, gerente institucional da ACSP, lembra que empreender no Brasil, e especialmente em São Paulo, é um grande desafio independentemente da pandemia, tanto do ponto de vista de capacitação, financiamento ou legislação devido aos obstáculos que o Estado impõe. Daí a importância do associativismo. 

"Em especial nos momentos de crise, ele pode auxiliar a superar dificuldades, seja junto aos fornecedores, seja para facilitar o acesso ao crédito ou até no cumprimento das obrigações legais", afirma. 

Ao citar serviços oferecidos pela ACSP, como a Certificação Digital, o Balcão do Empreendedor da Jucesp, a Faculdade do Comércio, o ACCelular, o app Profis Online, com mais de 200 cursos profissionalizantes pagos ou gratuitos, entre outros, Silva reforça que, para superar desafios, o importante é fazer parte. 

"A pandemia tornou tudo mais difícil, mas o empreendedor que se associa sabe que vai encontrar auxílio para sua empresa superar esse momento, seja com produtos, serviços, informação ou orientação."

Mas se envolver com o dia a dia de uma organização associativista, e ser membro atuante das reuniões e assembleias faz toda a diferença, afirma Guilherme Santos e Campos, do Sebrae-SP. 

A rotina pesada da gestão geralmente cria uma tendência individualista no empreendedor, que fica muito focado em sua empresa e não procura participar de uma ação coletiva que facilite o seu dia a dia. 

Por isso, antes de qualquer coisa, esse empreendedor precisar olhar primeiro para a própria empresa, destaca o especialista. "E não pensando no que vai ganhar, mas como ele poderá contribuir para a associação." 

É preciso que ele pergunte para si mesmo se está preparado ou tem tempo para se dedicar ao grupo, e não apenas 'dar o nome' e ficar sem saber o que acontece, destaca Campos. 

"Os benefícios do associativismo são pensados em termos coletivos. Por isso, cada participação conta."   

IMAGEM: Thinkstock  





Publicidade





Publicidade





Publicidade