Gestão

O que vem por aí nos negócios da alimentação


Evento promovido pela Associação Comercial de São Paulo expôs as novas tendências do mercado, a marca da Summer Fancy Food que acontece em junho, em Nova York


  Por Mariana Missiaggia 13 de Maio de 2016 às 09:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Como parte da preparação para missão empresarial que levará um grupo de empresários para a Summer Fancy Food 2016, em Nova York, nos Estados Unidos, consultores e especialistas se reuniram com representantes da Associação Comercial de São Paulo (SP), , para apresentar as principais tendências do mercado de food service encontradas na feira, que acontecerá entre os dias 26 e 28 de junho.

Para Nelson Keyrallah, vice-presidente da ACSP, participar de feiras internacionais, como a Summer Fancy Food, significa se antecipar a tendências como, por exemplo, o chamado mobile payment.

Keirallah lembra que, tempos atrás, um dos temas discutidos abordava a importância de se oferecer wifi dentro das lojas. “Apesar de os empresários americanos apontarem que sim, muitos diziam que não. No ano seguinte, a discussão se dividiu. E em seguida, a concordância foi unânime.”

Simone Galante, presidente da Galunion consultoria e gestão, apresentou um panorama que projeta crescimento de 6% para o mercado de food service, em 2016.

Entre as principais tendências na área, destacaoua cozinha étnica, como a peruana, orgânicos, e hamburguerias premium. São exemplos da novidade no Brasil Burger Lab e Madero, que utilizam carnes nobres, molhos diferentes, e maior variedade de queijos e pães, com uma ambientação diferenciada.

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Desponta, de acordo com a consultora, outro novo segmento,o fast casual, em crescimento desde 2008, ano de crise dos Estados Unidos, quando o acesso a restaurantes mais sofisticados ficou restrito, embora houvesse um nicho de consumidores que queriam comer bem, com preço justo, em um ambiente agradável.

“A diferença do fast casual para o fast food é a oferta de alimentos feitos na hora, e com um tiquete médio um pouco mais alto, com pratos que variam de US$ 9 a US$ 14”, diz. 

As sobremesas também ganharam vida própria. Já não são mais vistas como um complemento, o que justifica a explosão de lojas monoproduto (de um único item), como churros, caramelos, gelatos, petit gateau, tapioca, e outros. “Pesquisas indicam que 20% das pessoas saem de casa só para comer doces", diz Simone. "Não dá para ignorar.”

Sabores suaves e diferentes caíram no gosto popular, e podem contribuir para a criação do tão desejado produto único, que todo restaurante deveria ter.

Envolver o cliente em toda a preparação também é um diferencial. Contar ao cliente que a carne foi marinada, grelhada, ou defumada, valorizam o prato final, e demonstram um cuidado especial.

“Deixar que os aromas dessas refeições estejam presentes no estabelecimento é muito interessante. Um cheiro, como o de pão fresquinho é irresistível.”

EXPERIÊNCIA

Com base nas experiências observadas na ultima edição da feira em 2015, Renata Pires, franqueada e diretora da rede de cafés Casa Pilão, mostrou como foi possível transformar sua cafeteria em uma das principais lojas de Sorocaba, distante 80 quilômetros da capital. Ela também fundou uma creperia, inspirada no metrô de Nova York. 

“Quando contei à minha equipe que iria até Nova York em busca de inspirações para o negócio, eles acharam que era puro lazer”, diz.  No entanto, a cada visita técnica que fazia, Renata fotografava detalhes que pareciam possíveis de ser transplantados para a Casa Pilão, e enviava as imagens para seus funcionários.

Uniformes, embalagens, copos de café, logomarcas formaram um verdadeiro dossiê sobre como os americanos valorizam cada processo de construção de uma marca. Tanto aprendizado lhe rendeu o primeiro lugar em um ranking dos cafés da rede. 

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“É um investimento, que faz o seu negócio girar. Hoje, temos famílias empregadas, e ainda nem tive tempo de pensar em crise”, afirma. “Estou imersa no trabalho, e movimento a economia local, comprando frutas e saladas de pequenos produtores.”

Foi também da feira, que Renata trouxe a ideia de montar uma creperia – a Crepe Town, que em menos de um ano de operação já se prepara para entrar no mercado de franquias.

Como relatou, a viagem também lhe rendeu boa parceria com outros empresários do grupo. Foi durante a missão que Renata conheceu a chef que, hoje, assina o cardápio da Crepe Town.

“Formatos de lojas menores, embalagens diferenciadas, a valorização da história do negócio, um atendimento cortês, e a boa procedência dos alimentos utilizados foram algumas das mudanças que trouxe para a Casa Pilão”, diz.  

*Foto: Thinkstock