Gestão

Le Postiche entra em recuperação judicial


A dívida que será renegociada soma hoje R$ 64,6 milhões, montante que não inclui os passivos fiscais da empresa


  Por Estadão Conteúdo 30 de Abril de 2021 às 14:21

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Depois de acumular dívidas de R$ 64,6 milhões e ver suas receitas desabarem ao longo de mais de um ano de pandemia, a varejista de malas, bolsas e mochilas Le Postiche entrou em recuperação judicial. A segunda onda da covid-19, que mais uma vez fechou o comércio e retardou a retomada da economia, fez a empresa, fundada na década de 1970, não conseguir ver uma saída para se reerguer sem a proteção da Justiça.

Além de ter lidado com um período com lojas fechadas na quarentena, a Le Postiche viu dois de seus principais pilares de demanda por seus produtos ruírem na pandemia: o de turismo (malas de viagem) e o escolar (mochilas), com viagens suspensas e alunos com aulas on-line.

A recuperação judicial da Le Postiche evidencia uma realidade de varejo. Enquanto há empresas capitalizadas e prontas para se tornarem consolidadoras do mercado - caso de Renner, Arezzo e Grupo Soma, por exemplo -, há outros negócios que, por causa de falta de escala ou de fôlego financeiro, se veem em dificuldades.

Segundo consultores em varejo, a tendência de os mais fortes incorporarem os mais fracos deve se intensificar nos próximos meses.

REDUÇÃO DE TAMANHO

No processo de reestruturação, iniciado no ano passado, a empresa começou a ajustar seu tamanho: 37 lojas em shopping centers foram fechadas - todas essas unidades já não tinham rentabilidade mesmo antes do início da crise. Mais enxuta, agora a Le Postiche tem 45 lojas próprias e 98 franquias - esse número de pontos franqueados já chegou a ser de 200.

O presidente da Corporate Consulting Estratégias, Luis Alberto de Paiva, que conduz o processo de reestruturação, diz que, no ano passado, com os bancos postergando o vencimento das dívidas e com um crédito que a empresa obteve por meio de uma das linhas de socorro que foram liberadas pelo governo, a Le Postiche conseguiu ganhar fôlego e atravessou o segundo semestre.

A expectativa era de que a pandemia arrefecesse, com a companhia ganhando fôlego com dois fenômenos que costumam animar as vendas: as viagens de fim de ano e a volta às aulas. No entanto, nem o turismo nem a educação voltaram em larga escala, prejudicando os planos da companhia. A segunda onda de covid acabou sendo a gota d'água. "O que aconteceu, na realidade, foi exatamente o contrário", comenta Paiva.

DIGITALIZAÇÃO

Agora, depois dos primeiros ajustes já feitos, a empresa já está debruçada para começar a desbravar novos mercados, para se tornar menos dependente de nichos específicos, e está em busca de mais digitalização.

Outra questão que será trabalhada é a profissionalização da gestão da empresa, ainda de perfil familiar. O trabalho, além da diversificação, será buscar a abertura de lojas em locais mais estratégicos em pontos de alta circulação - e fora dos shoppings, onde suas lojas hoje se concentram, exceto uma na zona sul de São Paulo, onde também funciona seu outlet.

Para conseguir fazer esses investimentos, a empresa já conversa, segundo o presidente da Corporate Consulting, com investidores que têm foco em aporte em empresas que estão em recuperação judicial. "Estamos falando com investidores nacionais e têm também estrangeiros querendo entrar, mas isso depende da equalização da recuperação", diz.

Essa entrada de recursos deverá ocorrer, segundo ele, em um prazo de seis meses a um ano, após a entrega do plano de recuperação, programado para daqui a 60 dias, e a assembleia de credores, em 180 dias.

O pedido de recuperação da Le Postiche foi deferido na quinta-feira (29). A dívida que será renegociada soma hoje R$ 64,6 milhões, montante que não inclui os passivos fiscais da empresa.

 

IMAGEM: divulgação






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