Gestão

Lava Jato puxa número de pedidos de recuperação judicial


De janeiro a setembro, 33 empresas de óleo e gás entraram com solicitação de RJ, de acordo com o INRE


  Por Estadão Conteúdo 11 de Outubro de 2015 às 18:29

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O estrangulamento provocado pela Operação Lava Jato na cadeia de óleo e gás e de construção está engrossando, neste ano, a fila de companhias que requerem a recuperação judicial (RJ).

Até setembro, o volume de pedidos de recuperação feitos por empresas de todos os segmentos já é recorde, e estima-se que os registros seguirão em patamares históricos pelo menos até o ano que vem.

No setor de óleo e gás, os pedidos de RJ atingiram 33 companhias entre janeiro e setembro, mais de 50% do total das empresas do segmento com faturamento acima de R$ 100 milhões, segundo levantamento do Instituto Nacional de Recuperação de Empresarial (INRE). Isso representa um crescimento de 12% em relação ao ano passado.

Na cadeia de construção, os pedidos este ano subiram 25%, com 253 companhias na lista. Entre as maiores, com faturamento acima de R$ 5 milhões anuais, o número de requerimentos de recuperação judicial avançou 35%, concentrados na região Sudeste (37%).

"Esses setores são afetados pela falta de investimento, pela conjuntura e ausência de interesse do estrangeiro em investir", disse Carlos Abrão, desembargador do Tribunal da Justiça de São Paulo e cofundador do INRE. Ele prevê um crescimento de 20% nos pedidos de recuperação judicial em ambas cadeias no ano que vem.

O desembargador nota que muitas empreiteiras, em vez de recorrer à recuperação, têm trocado de razão social.

Nesse grupo estão as classificadas como grandes, que prestam serviços municipais, principalmente no Estado de São Paulo, e que têm passivos trabalhistas e fiscais, como alternativa a um fechamento irregular. Os maiores grupos e os citados na Lava Jato não compõem essa estatística.

O segmento de óleo e gás padece ainda da conjuntura global, com a queda do preço do petróleo, contribuindo para o enxugamento das companhias exploradoras, o que implica corte e renegociação de contratos de afretamento de navios-sonda.

Profissional que atua em reestruturação de empresas nota que uma nova leva desses equipamentos está chegando ao mercado, encomendados há três ou quatro anos.

Para ilustrar, o profissional diz que empresas como a Paragon, que opera navios-sonda para a Petrobras, já contratou assessores financeiros e deve entrar com pedido de recuperação judicial no ano que vem nos Estados Unidos.

As cadeias de construção e óleo e gás são, entretanto, parte de uma estatística que abrange vários outros segmentos da economia brasileira.

O INRE calcula em 1,115 mil pedidos feitos até setembro, um crescimento de 25% em relação ao mesmo período do ano passado. Esse número é recorde, de acordo com o desembargador.

"Incluindo todos os setores da economia, a tendência é de que o número de pedidos de recuperação judicial e falências feitos desde 2005, quando entrou em vigor a nova lei, supere os 10 mil neste ano. Se esta mesma curva se mantiver, chegaremos aos 15 mil em 2017."

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