Gestão

Grupo Pão de Açúcar integra áreas para reduzir custos


Com freio no consumo, rede varejista quer driblar pressões nas despesas com energia, câmbio e inflação


  Por Estadão Conteúdo 18 de Agosto de 2015 às 22:06

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O cenário de freio no consumo dos brasileiros e aumento dos custos fez a maior varejista do Brasil acelerar processos internos para redução de gastos. 

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) está integrando áreas administrativas e redirecionando investimentos, por exemplo, para economizar energia com novos equipamentos. 

Em entrevista exclusiva, o vice-presidente de Desenvolvimento Estratégico, Peter Estermann, afirma que as mudanças se aceleraram em reação ao ambiente de crise

De acordo com o executivo, a companhia intensifica neste segundo semestre a integração. O GPA tem unidades de negócio diferentes, como o varejo de alimentos, a Via Varejo, de eletroeletrônicos, e a Cnova, de comércio eletrônico. 

Áreas como recursos humanos e manutenção de lojas estão sendo unificadas, um processo mais complexo do que a integração entre serviços que já havia até aqui, mais limitada à área financeira, diz Estermann. 

Segundo ele, o objetivo é chegar a 2016 num novo patamar de despesas gerais e administrativas, ainda que o custo de energia, o câmbio e a inflação de forma geral representem uma pressão de custos. 

No segundo trimestre de 2015, o GPA já havia promovido alguns ajustes que culminaram no fechamento de 7 mil vagas de emprego, cerca de 4,5% do total de colaboradores do grupo. 

Novas reduções no quadro de funcionários não estão descartadas, mas Estermann diz que não é esse o objetivo da companhia. 
"Algum tipo de impacto sempre tem, mas não é o nosso foco principal. Não tem nenhuma meta de reduções nos níveis feitos anteriormente", afirma o executivo. 

Questionado sobre se os esforços poderiam fazer com que a margem Ebitda da companhia voltasse a crescer apesar das pressões de custo no atual ambiente, Estermann afirma que "o desafio é muito grande, mas as metas vão nessa direção".

Mesmo com os cortes do segundo trimestre, o GPA encerrou junho com perda de margem Ebitda. No acumulado do primeiro semestre, ela caiu 2,3 pontos, para 4,8%, afetada também pela consolidação das operações internacionais da Cnova. 

A companhia ainda passa neste terceiro trimestre a capturar novas economias em logística. Segundo Estermann, o comércio eletrônico começa nesse e no próximo mês a compartilhar mais rotas de entrega de produtos com o varejo físico, um processo que dependia de alguns avanços em processos de tecnologia e na parte tributária. 

Atualmente, dois centros de distribuição já são compartilhados entre Via Varejo e Cnova e a redução de gastos na operação e com frete foi de 35% em 2014 comparado com 2013. 

INVESTIMENTOS
Ao mesmo tempo, o GPA está mudando o destino de R$ 1,8 bilhão em investimentos previstos para o ano. Apesar de a abertura de novas lojas continuar em foco, a empresa está buscando investir em projetos que reduzam custos. 

Estermann menciona que algumas das sinergias a serem capturadas dependem, por exemplo, de investimentos em TI. 

Além disso, para economizar energia, a empresa vai em dois anos trocar lâmpadas e refrigeradores em todas as lojas do varejo de alimentos. Até setembro, as trocas já terão terminado nos hipermercados. 

Segundo a empresa, a economia de energia é da ordem de 25% nos hipermercados que já estão no programa. "No fundo, o que fizemos foi repriorizar alguns investimentos", diz o executivo. 

Ele afirma, porém, que a companhia mantém o plano de expansão do Assaí, bandeira de atacado de autosserviço, e o projeto de investimento de R$ 100 milhões em reformas no Extra. 

O controlador do GPA, o grupo francês Casino, anunciou no mês passado a união das empresas do grupo na Colômbia, Uruguai, Argentina e Brasil. 

De acordo com Estermann, as companhias vão discutir nos próximos meses a possibilidade de capturar sinergias entre si, mas ele pondera que o foco inicial é compartilhar conhecimentos sobre os formatos de loja operados nos diferentes países. 

Questionado sobre a possibilidade de realização de compras conjuntas de fornecedores das lojas nesses países, ele ponderou que a empresa "vai olhar todas as oportunidades que possam existir". Atualmente, o GPA já faz compras de forma conjunta entre Via Varejo, a operação de eletroeletrônicos do Extra e a Cnova.

FOTO: Estadão Conteúdo