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Glossário do Empreendedor: o que é cashback


Benefício, adotado por lojas como Netshoes, Drogasil e L'Occitane, permite que consumidores recebam de volta parte do dinheiro gasto em compras no e-commerce


  Por Italo Rufino 26 de Novembro de 2018 às 08:00

  | Repórter isrufino@dcomercio.com.br


Imagine comprar numa loja e receber parte do dinheiro gasto de volta. E quanto mais consumir, mais retorno terá. A cena pode parecer promoção maluca, mas é mais ou menos isso que acontece no sistema de cashback.

De origem americana, o termo significa “dinheiro de volta”. O cashback não é novidade. Mas, nos últimos anos, tem ganhado popularidade no e-commerce brasileiro.

A prática não deve ser considerada uma forma de desconto, mas sim um benefício para o consumidor e uma ferramenta de marketing para a loja virtual.

Funciona assim: a loja sela parceria com uma plataforma de cashback. Há várias no mercado. Uma das maiores é a Meliuz, que possui 1,6 mil empresas parceiras e mais de 4,8 milhões de usuários cadastrados.

Por meio de um aplicativo de celular ou de uma extensão no navegador do PC, a plataforma indica as lojas que utilizam cashback. Depois de realizar um cadastro gratuito, o usuário ativa a funcionalidade e faz as compras normalmente no site do e-commerce.

Entre as lojas que aceitam o modelo estão grandes marcas de diferentes segmentos, como Netshoes, Eudora, Ray-Ban, Amazon, Drogasil, Microsoft e Avianca.

A percentagem que as lojas oferecem de retorno varia. Em média, é taxa é de 5% sobre o valor total das compras. Numa consulta feita na segunda-feira (12/11) no site da Meliuz, havia benefícios maiores: 15% na Zattini; 20% na L’Occitane e 23% na Quem Disse Berenice.

Após as compras, o usuário precisa acumular um saldo de no mínimo R$ 20 para resgatar o dinheiro, que será depositado em sua conta poupança ou corrente.

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A vantagem para o consumidor é muito clara: economizar ao fazer compras.

E para o lojista?

São várias. A primeira é fidelizar o consumidor, que poderá eleger sua loja preferida devido o acesso ao benefício. De acordo com um estudo da Universidade Northwestern, dos Estados Unidos, cerca de 15% dos consumidores mais leais a uma empresa são responsáveis por 55% a 70% do total de vendas.

Ter acesso ao benefício também pode fazer com que o consumidor escolha uma loja que não está acostumado a comprar e faz com que ele arrisque uma primeira compra.

Outra vantagem para o varejista é ter acesso aos hábitos de compra dos clientes da plataforma de cashback.

As informações digitais também são utilizadas para criar campanhas mais assertivas, como quais linhas de produtos tem mais saída e como calcular a melhor taxa de retorno –aquela que convence o cliente a comprar e que menos onera a empresa.

Estar numa plataforma de cashbak também garante maior exposição da marca na internet. Ou seja, a loja ganha mais um ponto de contato e canal de comunicação com o consumidor.

O cashback também é uma oportunidade de oferecer um agrado para o cliente sem alteração de preço diretamente no site. O valor gasto com as campanhas pode ser alocado dentro do orçamento de publicidade, previamente calculado de acordo com os objetivos e condições do negócio.

Para a empresa, o custo ocorrre somente quando há venda, o que é um ponto positivo em termos de retorno sobre investimento. Por sua vez, a remuneração da plataforma também está atrelada ao valor das vendas geradas entre os usuários cadastrados em sua base.

EXEMPLOS DE LOJAS QUE OFERECEM CASHBACK: VALOR RESTITUÍDO VARIA DE ACORDO COM ESTRATÉGIA DE MARKETING 

MERCADO EM EXPANSÃO

Além da Meliuz, existem outras plataformas de cashback no mercado.

A MyCashBack, com cerca de 300 empresas parceiras, oferece o resgate de até 10% do valor do produto diretamente em uma conta bancária ou no PayPal.

Na Poup, as regras são similares às da Meliuz, mas o valor mínimo de resgate é de R$ 30.

Na Cashola, que possui em sua rede de parceiros muitos e-commerces de moda, como Amaro, Le Lis Blanc, C&A, Malwee, Levi’s e Posthaus, o valor de resgate é menor, a partir de R$ 15.

Integrante do grupo Reclame Aqui, a plataforma Moova utiliza o nome do site de defesa do consumidor para atestar que só possui parceria com lojas de boa reputação.

Além disso, a Moova paga R$ 5 para o usuário que indica um amigo para a base –e a cada compra que esse amigo fizer, o usuário recebe 5% do valor que ele recebeu de volta.

Nesse mar de concorrentes, há também o BeRuby, site criado na Espanha, presente em 14 países, que também atua no Brasil. Na lista de 350 lojas parceiras, está o Aliexpress, gigante chinês do e-commerce.

CASHBACK DA CASA

Em maio deste ano, a B2W Digital, detentora das Americanas, Submarino, Shoptime e Sou Barato, lançou sua própria conta digital, que também possui sistema de cashback.

Nomeada de Ame, a conta não oferece as opções de depósito, transferência e nem saque. O valor obtido pelo cashback só pode ser utilizado em outras compras onlines.

Há poucos meses, o Banco Original lançou um programa de cashback para seus correntistas. O sistema é similar a um programa de milhas, em que parte das compras feitas cartão de crédito e de débito do banco viram pontos.

Cada ponto equivale a um real (R$) –e os pontos podem ser resgatados em forma de crédito na fatura do cartão ou direto na conta corrente digital.

O fator de conversão de compras em pontos inicia em 0,15%, no cartão de débito, e pode chegar até 1,5% no cartão de crédito, a depender do volume de compra e tipo de cartão (Internacional, Gold, Platinum e Black). No Black, top de linha, é possível resgatar até R$ 1,2 mil por ano.

IMAGEM: Thinkstock