Gestão

Glossário do Empreendedor: entenda o que é Product Market Fit


Termo usado por empreendedores à frente de startups e investidores designa quando um produto satisfaz a real necessidade do mercado que a empresa almeja atender


  Por Italo Rufino 09 de Março de 2021 às 07:00

  | Repórter


Logo nos primeiros meses após a criação do Snapchat, rede social de compartilhamento de fotos e vídeos, o aplicativo já tinha sido baixado por 200 mil pessoas. Metade dos usuários acessava o app diariamente. No total, eles compartilhavam 1 milhão de fotos a cada dia.

Os números iniciais do Snapchat demonstraram que a startup possuía uma curva de crescimento diferenciada. Ao mesmo tempo, mantinha uma alta taxa de retenção e engajamento.

O que isso significa?

O Snapchat possuía Product Market Fit, conceito que designa um produto que satisfaz a real necessidade do mercado em que a empresa atua. O diferencial do aplicativo, à época, era a possibilidade de veicular vídeos e imagens automaticamente eliminados em até 24 horas após a publicação.

O negócio foi tão bem recebido entre os jovens, público-alvo da marca, devido ao fato de que conteúdos embaraçosos disseminados indevidamente na internet são motivos de bullying, dissolvem a autoestima e chegam a causar tragédias entre adolescentes.

Atualmente, o Snapchat possui quase 240 milhões de usuários ativos.

E como ter um produto que seja altamente desejável? Product Market Fit diz respeito a tudo aquilo que diferencia uma empresa e seu portfólio de produtos.

Para atingir esse nível, é preciso identificar oportunidades de mercado, instigar discussões sobre o melhor produto e validar hipóteses – sempre com foco no ser humano.

Os três princípios básicos do Product Market Fit são:

*Encontrar um problema que represente uma dor para um grupo real e considerável de pessoas.

*Desenvolver um produto que possa resolver completamente este problema.

*Criar um modelo de negócio para comercializá-lo, sendo executável, rentável e sustentável.

Nesse processo, o empresário pode lançar mão de um Minimum Viable Product (MVP), um tipo de protótipo, para saber se as pessoas terão interesse de pagar pela solução. É indicado que o MVP seja uma solução rápida e barata para validar uma hipótese.

O MVP da Easy Taxi, por exemplo, era um site com apenas uma página, onde o usuário preenchia seu nome, telefone, endereço onde estava e destino final.

As informações eram enviadas para o e-mail de Tallis Gomes, fundador da empresa, que entrava no Google Maps, buscava o ponto de táxi mais próximo da localização do cliente e solicitava por telefone a corrida.

Em seguida, Gomes ligava para o usuário e informava o nome do taxista, modelo e placa do veículo. 

Como é bem difícil que um produto nasça perfeito, o empreendedor precisa focar no refinamento contínuo, ao mesmo tempo em que busca formas de viabilizar sua execução, avaliando se o produto oferece uma boa experiência e se é viável economicamente.

É necessário aprender com o cliente – e, simultaneamente, ensinar para ele como o produto solucionará seu problema.

Já ouviu falar sobre “construir, medir e aprender”? Então, é isso. Para chegar ao product market fit é preciso percorrer ciclos, baseados em construção de MVPs, criação de hipóteses (e métodos para validá-las), submeter o produto no mercado e medir os resultados da experiência.

Depois, aprender e corrigir – e preparar a empresa para o crescimento.

ORIGEM

O termo foi criado pelo americano Marc Andreessen, fundador de empresas de tecnologia, como Netscape, e investidor no Vale do Silício.

Num artigo publicado no site da Universidade de Stanford, em junho de 2007, Andreessen explica os motivos que levaram algumas startups ao sucesso.

Para Andreessen, o sucesso depende de três variáveis: equipe, produto e mercado.

Se o mercado é grande (formado por muitas pessoas), necessita de um produto que resolva suas dores. E vencerá quem entregar a solução adequada.

Se o mercado não for grande o bastante ou o produto não satisfazer as pessoas, não importa ter uma ótima equipe ou um produto incrível, mas que ninguém deseja.

EXEMPLO BRASILEIRO

O mercado de cartão de crédito brasileiro, até 2014, era extremamente burocratizado e dominado por grandes empresas, que com grande poder de barganha acabavam regulando o mercado – e impondo produtos (e suas taxas de juros) para os consumidores.

Então, foi criado o Nubank, empresa que emite cartão de crédito. O diferencial da empresa é a possibilidade de o usuário administrar o cartão por meio de um app (o que diminui a burocracia).

O cartão também não possui taxa de anuidade e, na época do lançamento, tinha taxas de juros de 7,75% ao mês – quase a metade da média do mercado.

Depois que o produto passou por reformulações, o Nubank engrenou. Hoje possui cerca de 20 milhões de clientes.

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IMAGEM: Tinkstock


 

 






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