Gestão

Gigantes da construção investem em programa de fidelidade


O programa será voltado ao varejo de material de consrução, profissionais de vendas e de obras


  Por Estadão Conteúdo 28 de Novembro de 2018 às 16:50

  | Agência de notícias do Grupo Estado


A Votorantim Cimentos, a Gerdau e o Grupo Tigre anunciaram nesta quarta-feira (28/11), a criação de uma nova empresa para gerir e promover um programa de fidelidade no varejo de materiais de construção civil no Brasil, a Juntos Somos Mais.

O programa de fidelidade será voltado a lojistas e profissionais de vendas e de obras. Na compra de materiais de construção, esse público poderá se cadastrar e acumular pontos para troca por equipamentos, ferramentas, cursos e serviços diversos em uma plataforma online que conta com 14 companhias parceiras, como Vedacit, Eternit, Suvinil e Bosch, entre outras.

A nova empresa é um desdobramento do programa de fidelidade criado internamente na Votorantim Cimentos em 2014 e que cresceu nos últimos anos.

"Nesse período, ele se tornou o maior programa de fidelidade no varejo de construção, com 40 mil lojistas já cadastrados e mais de 100 mil profissionais", afirmou o presidente da Votorantim Cimentos, Walter Dissinger, durante apresentação da nova empresa à imprensa. "O crescimento do programa entre 2014 e 2017 o levou a dar um próximo passo. Estamos vemos agora a criação de um novo negócio de fidelidade", completou.

O presidente da Juntos Somos Mais, Antônio Serrano, observou que todos os itens disponíveis para resgate têm o objetivo de desenvolver e capacitar os agentes da cadeia varejista de materiais de construção, que é formado, principalmente, por lojistas de pequeno e médio porte, além de pedreiros, pintores, encanadores e profissionais sem os devidos cursos técnicos de aperfeiçoamento.

"Para as lojas, os resgates poderão ser de empilhadeiras ou computadores, por exemplo. Para os profissionais, há cursos de gestão, vendas, técnicas de obras e ferramentas", comentou.

A Votorantim Cimentos é a principal sócia do negócio, com participação de 47%, enquanto Gerdau e Tigre ficaram com fatias de 27,5%, cada.

A expectativa é de um faturamento superior a R$ 50 milhões no primeiro ano, com tendência de crescimento, embora o montante ainda seja pequeno perto das receitas volumosas de cada uma das sócias. "O principal foco é aproximar as empresas dos lojistas e criar um relacionamento com os profissionais da obra", salientou Serrano.

A Juntos Somos Mais terá abrangência nacional e buscará expandir suas operações no curto a médio prazo. Nos próximos seis meses, a expectativa é de elevar de 14 para 20 a quantidade de empresas parceiras. E em quatro anos, o grupo quer elevar seu público de 40 mil para 100 mil lojistas, além de ultrapassar o número de 2 milhões de profissionais cadastrados. Para isso, serão investidos R$ 50 milhões, em dois anos, em marketing para atração de clientes e tecnologia no desenvolvimento da plataforma online.

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O novo negócio está nascendo em um momento em que o mercado de materiais de construção está em fase de crescimento, apontaram os empresários.

O presidente da Gerdau, Gustavo Werneck, disse que tem expectativa de retomada do crescimento da economia nacional no próximo ano, o que deverá beneficiar o setor de construção.

Essa melhora deve ser vista mais rapidamente nas vendas de materiais no varejo, voltadas para pequenas obras e reformas domésticas.

Na sequência, virá a retomada de obras residenciais por parte das construtoras, que já vêm lançando mais empreendimentos. E no médio a longo prazo, projetos públicos de infraestrutura. "Vemos o Brasil de forma positiva, com retomada da economia a partir do próximo ano. Mas a recuperação da construção se dará em velocidades diferentes em cada setor", ponderou.

"O setor da construção civil talvez tenha sido o mais afetado da economia brasileira nos últimos quatro anos. Mas neste ano, já observamos uma inflexão", complementou o presidente do Grupo Tigre, Otto Von Sothen, referindo-se à melhora das vendas de materiais para o varejo quanto para as obras de construtoras.

Segundo o executivo, essa tendência deve se acentuar no ano que vem, e a companhia prevê ampliar entre 3% a 4% os volumes de materiais expedidos e elevar em 10% a 11% o faturamento graças a uma melhora das vendas no mercado interno, além de exportações.

Na mesma linha, o presidente da Votorantim Cimentos, Walter Dissinger, também disse acreditar em melhora do mercado em 2019. "O setor de cimento acumula queda de 26% nos últimos quatro anos. "Estamos esperando, sim, uma mudança, e um novo ciclo de crescimento", afirmou.

A projeção, segundo ele, é de crescimento do mercado de cimento na ordem de 3% a 4% em 2019, especialmente a partir do segundo semestre. Ele ponderou, entretanto, que o setor produtivo está no aguardo da implantação das esperadas reformas estruturais - previdenciária e tributária - por parte do governo federal, o que será vital para destravar investimentos.

O diretor presidente da Eternit, Luis Augusto Barbosa, ainda lembrou que o Produto Interno Bruto (PIB) do setor da construção historicamente registra altas em torno de 1 a 2 pontos porcentuais acima do desempenho do PIB nacional, o que indica uma melhora do mercado no ano que vem.

"Nesse cenário esperado de retomada das obras, as vendas de materiais vão se beneficiar. Primeiro, os vendedores de produtos básicos. Depois, os de acabamento", pontuou. A companhia atravessa recuperação judicial e fará assembleia juntos aos credores em janeiro visando a aprovação de seu plano de equalização das dívidas de R$ 245 milhões. "Estamos confiantes de que iremos aprovar o plano", comentou Barbosa.