Gestão

Entenda como vai se comportar o consumidor em 2018


Relatório de tendências da americana Ford traça mudanças sociais e novos comportamentos que terão impacto nos negócios


  Por Italo Rufino 19 de Dezembro de 2017 às 18:52

  | Repórter isrufino@dcomercio.com.br


Recentemente, a americana Ford, fabricante de veículos, divulgou seu relatório de tendências para 2018. O documento destaca mudanças globais e novos comportamentos de consumidores que vão causar impacto na sociedade – e, consequentemente, nas empresas.

O relatório não é dirigido, exclusivamente, à indústria automotiva. A ideia é apresentar interesses e receios relacionados a temas que regem a vida dos consumidores. E é por isso que o levantamento se torna interessante.

Marcas de diferentes mercados e categorias podem interpretar as informações e desenvolver produtos, serviços e comunicação personalizados aos novos tempos.

Por exemplo, cerca de metade dos consumidores espera que as marcas assumam uma posição em questões sociais.

Neste caso, sair de cima de muro em relação a temas contemporâneos pode ser encarado como uma forma de buscar diferenciação e reforçar a identidade da marca frente aos consumidores.

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Embora confiem no futuro de tecnologias emergentes, como os veículos autônomos, 52% dos entrevistados afirmam que a inteligência artificial vai fazer mais mal do que bem.

A informação pode levantar um questionamento: como as marcas poderão educar os consumidores sobre a aplicabilidade da tecnologia

“Mudanças nas prioridades globais, a agitação política desenfreada e o foco na desigualdade social deixaram muitos desorientados”, disse Sheryl Connelly, gerente de tendências globais de consumo e futuro da Ford no lançamento do relatório. ”Mas do caos e do conflito surge uma nova energia e criatividade que estão motivando as pessoas como nunca".

 
TENDÊNCIAS

Algumas tendências identificadas no levantamento poderão ser usadas por marcas para engajar o consumidor.

Com cada vez mais pessoas preocupadas com a desigualdade social, marcas que consigam desenvolver ações que podem melhorar o acesso à educação de qualidade e ao mercado de trabalho ganharão cada vez mais respeito dos clientes.

Da porta para dentro, empresas com programas para reduzir a disparidade de salários e que fomentam a capacitação profissional entre os funcionários podem melhorar sua imagem de marca empregadora (employer branding).

Este é o caso da Leroy Merlin. A rede varejista mantém convênio com mais de 50 universidades para oferecer desconto em cursos para funcionários e seus dependentes. Numa parceria com a ESPM, criou um programa de MBA corporativo, de 18 meses de duração, formatado exclusivamente para os funcionários.

Toda a estratégia de treinamento e incentivo educacional e o pacote de benefícios correspondem a quase 25% dos custos com pessoal.

As ações de valorização dos funcionários fazem com que a empresa obtenha uma taxa de rotatividade entre 15% e 22%. A média geral do varejo brasileiro é de 38,5%, de acordo com pesquisa da Serasa Experian e Insper.

O relatório da Ford também aponta que os consumidores estão percebendo que não se pode ter um corpo saudável sem uma mente também sadia. Dessa forma, bem-estar se torna prioridade.

LOJA DA LUSH: BEM-ESTAR EM VÁRIAS FRENTES

A afirmação pode parecer frívola. Mas vai contra a práticas bem usuais do mercado.

É comum marcas com peças publicitárias que reforçam padrões de beleza que dificilmente podem ser alcançados sem horas na academia, dietas restritivas e intervenções cirúrgicas.

A busca por padrões, porém, pode gerar frustração e ansiedade nos consumidores, que poderão ter sua saúde mental comprometida.

Uma empresa pautada no bem-estar em diferentes frentes de atuação é a Lush, fabricantes de cosméticos.

Um dos diferenciais da marca é manter um portfólio 100% vegetariano e 80% vegano, com fabricação baseada em processos artesanais e com baixo impacto ao meio ambiente.

A empresa também não utiliza ingredientes que foram testados em animais. A estratégia é mostrar que o consumo de produtos de beleza naturais é tão importante quanto seguir uma dieta saudável.

IMAGEM: Thinkstock e divulgação