Gestão

Diretoria da Facesp aponta Cotait para sucessão de Burti


Essa indicação é apoiada por Alencar Burti, também presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que escolheu o empresário Alfredo Cotait como seu candidato à presidência da ACSP


  Por Redação DC 25 de Outubro de 2018 às 08:30

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Atual diretor vice-presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o empresário Alfredo Cotait Neto foi indicado para assumir a presidência das entidades no biênio 2019-2021.

Em manifesto assinado pelos 20 vice–presidentes regionais e vice-presidentes da Executiva da Facesp, a entidade declara apoio unânime ao nome de Cotait como para a sucessão à frente da entidade.

De acordo com o documento, essa decisão vem ao encontro do posicionamento do atual presidente Alencar Burti, que também indica o empresário como seu candidato para a sucessão à presidência na Associação Comercial de São Paulo.

Historicamente, o processo eleitoral da Facesp, que reúne 420 Associações Comerciais, ocorre em sintonia com o movimento de indicação de sucessão da ACSP. Alencar Burti preside as duas entidades.

Em reunião com o conselho diretor da Facesp, realizada na terça-feira (23/10), Burti explicou que desde sua formação, a Federação sempre elegeu a mesma governança para ambas entidades. No total, a federação conta com 20 regiões administrativas no estado de São Paulo, cobrindo a totalidade dos municípios.

“Nosso intuito é manter a unidade do sistema. A Federação carrega a força política das entidades e, neste ano, inverteu o posicionamento: estamos indicando para futuro presidente de ambas as entidades um candidato único”, disse Burti.

Embora exista um movimento para formação de chapa de oposição na ACSP, dirigentes da Facesp enfatizaram na reunião que não aceitarão outra indicação de nome além de Cotait para a sucessão de Burti.

"Assim, a união das duas casas permanece -mais de meio século de uma história construída por grandes empresários -desde a criação desta Federação, em 16 de setembro de 1963", finaliza o manifesto.

PERFIL

Engenheiro civil de formação, Cotait foi Secretário do Planejamento de São Paulo (1998-1999) e secretário de Relações Internacionais da Cidade de São Paulo (2007-2012). Como primeiro suplente de Romeu Tuma (PTB-SP), falecido em outubro de 2010, Cotait assumiu como senador por São Paulo (2010-2011).

Na iniciativa privada, liderou diferentes empreendimentos nas áreas da construção civil, mercado de capitais, financeira, hoteleira e hospitalar. Preside atualmente o conselho de administração da Boa Vista SCPC, empresa da qual a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) é principal acionista.

Em 2006, foi condecorado pelo Itamaraty com o grau de Comendador da Ordem de Rio Branco, por serviços prestados ao Comércio Exterior brasileiro.

As eleições serão realizadas no início do próximo ano. Sobre seus planos, Cotait diz que pretende dar continuidade ao trabalho de reorganização da ACSP, missão que conduz a convite de Burti.

“Há um ano e meio, a entidade deu início a um processo de equilíbrio das contas da ACSP e que deve ser concluído no decorrer de 2019. A proposta está bem esclarecida no novo orçamento a ser aprovado pelos conselheiros e diretores da entidade”, diz Cotait.

Segundo afirma, o equilíbrio financeiro da ACSP criará condições para que a entidade reforce sua presença institucional  a fim de aproximar seus associados, ofertar novos serviços e produtos úteis para o comércio e materializar projetos que estão sendo desenvolvidos.

TRIBUNA NO SENADO

Com a eleição da deputada federal Mara Gabrilli (PSDB) como senadora por São Paulo, Cotait, que é primeiro suplente da candidata eleita, diz que a classe empresarial ganhou uma tribuna no senado.

Em um vídeo, gravado pela própria senadora, Mara se compromete a representar as principais causas da categoria, garantir conquistas e se aproximar das demandas das associações comerciais.

“Ela (Mara) está acima deste contexto eleitoral polarizado. A aproximação dela com a classe empresarial ampliou seu público eleitor. E hoje, ela se compromete a abrir uma tribuna para que nós, da ACSP e Facesp, tenhamos a possibilidade de defender nossos ideais e direitos”, diz.

Às vésperas do segundo turno, Cotait avalia o momento eleitoral do País como atípico e extremamente polarizado. Na visão do empresário, o país atravessará momentos de grande instabilidade. "Como varreram bons candidatos para formar um novo centro conciliador, vai ser difícil fazer articulação política", diz.

Nas palavras de Cotait, essa eleição mostrou a quem milita há algum tempo na política que os conceitos anteriores já não valem mais como antigamente. E as redes sociais exerceram um papel fundamental nesse processo, na percepção do empresário.

Para Cotait, além de transparecer o caráter ideológico motivado pelo sentimento anticorrupção, as redes sociais, que tiveram maior influência que a televisão nas campanhas, também serviram de instrumento para desconstruir candidatos e o sistema político brasileiro.

Neste processo, Cotait diz que o candidato Jair Bolsonaro (PSL) personificou o movimento “anti-PT” e angariou milhões de votos para uma bancada de políticos sem experiência, deixando de fora políticos com bom histórico e competência.

Ele cita candidatos ligados à ACSP que não foram eleitos, como Walter Ihoshi, Guilherme Campos e Coronel Camilo, todos do PSD, que na visão do empresário, defendem causas importantes do empresariado.

“Apenas um candidato com 2 milhões de votos leva outros 20 nomes para a Câmara sem nenhuma representatividade, que não sabemos quem são e entraram de graça no sistema”, diz.

 

IMAGEM: Beto Barata/Presidência da República