Gestão

Conta de luz que cabe no orçamento


Mercado Livre de Energia tem crescido entre pequenas e médias empresas, como a rede de supermercados Enxuto, que economizou, em média, 35% nas tarifas após a migração


  Por Italo Rufino 28 de Novembro de 2018 às 08:00

  | Repórter isrufino@dcomercio.com.br


Há poucas semanas, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou reajuste médio de 19,25% nas tarifas dos consumidores atendidos pela CPFL Piratininga.

A concessionária tem uma base de 1,7 milhão de unidades consumidoras no interior e litoral de São Paulo. Entre as cidades atendidas estão Santos, Sorocaba e Jundiaí.

A EDP SP foi outra concessionária que teve os preços atualizados para cima. A empresa atende 28 cidades, como Guarulhos e Pindamonhangaba, com cerca de 1,9 milhão de unidades consumidoras.

Meses antes, foi a vez do reajuste da Elektro, que atende 2,6 milhões de unidades, em 223 municípios de São Paulo. A alta foi de 23,12% para consumidores residenciais e de 26,75% para estabelecimentos que utilizam alta tensão, como indústrias.

Do litoral sul ao cerrado paulista, está difícil para o consumidor de São Paulo escapar alto custo da energia elétrica. Mas não impossível. A rede de supermercado Enxuto conseguiu. Também reduziu os gastos com energia em 35%, em média.

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A empresa mantém sete lojas, localizadas nos municípios de Campinas, Cosmópolis, Limeira, Piracicaba e Rio Claro. Ao mês, cerca de 300 mil consumidores visitam os estabelecimentos.

Não, a Enxuto não fez nenhum “gato” ou gambiarra na rede elétrica.

A solução foi migrar para o Mercado Livre de Energia, que possibilita contratos de compra e venda de energia diretamente, entre consumidores e geradores, com negociações de preço e prazo de fornecimento.

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A modalidade é bem diferente do mercado cativo, em que os contratos são firmados em leilões, com duração entre 15 e 30 anos, e o consumidor final não participa da negociação.

O mercado livre também é uma maneira de escapar das alterações de preços causadas pelas mudanças mensais das bandeiras tarifárias (verde, amarela e vermelha).

As cores indicam se haverá ou não acréscimo no valor da energia a ser repassada ao consumidor final, em função das condições de geração de eletricidade.

Até novembro, foram cinco meses com bandeira vermelha patamar 2, a mais cara, em que é adicionado R$ 5 a cada 100kW consumidos.

Outra vantagem do mercado livre é que o valor da energia não varia de acordo com o horário do dia, em que o de pico (entre 18h e 21h) é mais caro.

“Com o mercado livre, conseguimos prever no orçamento o quanto a empresa gastará com energia ao longo do ano”, afirma Daniel Destefani, gerente de infraestrutura da Enxuto. “Antes, era impossível traçar uma expectativa devido a volatividade dos preços”.

COMO ADERIR

DESTEFANI, DA ENXUTO: PREVISIBILIDADE DE
GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA

O Mercado Livre de Energia não é propriamente uma novidade. Foi criado em 1995. E graças à possibilidade de redução de custos, tem atraído empresas de pequeno e médio porte.

De acordo com Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), o mercado livre deverá faturar R$ 127 bilhões em 2018 – alta de quase 30% em relação a 2017.

O sistema integra mais de 240 empresas de comercialização e 5,6 mil negócios consumidores. Hoje, o mercado livre representa 80% do consumo industrial do país.

Para participar, a empresa precisa ter um consumo mínimo. Na categoria Especial, o contrato de fornecimento é de 500 kW a 3,5 mil kW, que equivale, no sistema cativo, contas mensais entre R$ 80 mil e R$ 300 mil.

Enquadram-se nesta modalidade pequenas e médias indústrias, redes de lojas, shoppings e supermercados.

Neste caso, a energia contratada costuma ser proveniente de fontes limpas, como eólica, biomassa e solar.

Na categoria Tradicional, o consumo precisa ser superior a 3,5 mil kW. Devido ao grande volume, é possível negicoar preços ainda mais baixos. 

No entanto, o mercado é restrito e abrange grandes indústrias, como montadoras de veículo e siderúrgicas.

“Outro critério para realizar a migração é a empresa estar em boas condições financeiras. Não pode estar em recuperação judicial”, afirma Otavio Santoro Jr, sócio da IndEco, consultoria que desenvolve projetos de eficiência energética para empresas.

Os custos para realizar a migração variam. Começa com uma taxa de cerca de R$ 6 mil, pago para a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, órgão que regula o mercado livre.

A empresa também precisará trocar o seu medidor. O preço do equipamento pode variar entre R$ 20 mil e R$ 100 mil. Por sua vez, a empresa continuará arcando com o custo de transporte, realizado pela distribuidora de energia.

É possível contratar uma gestora de energia. Esse tipo de consultoria ajuda o empreendedor a analisar o consumo do negócio, os fornecedores e as formas de contratação que mais se adequam as suas necessidades.

Na IndEco, o cliente pode escolher entre duas formas de pagamento pelos serviços.

No formato taxa de performance, a consultoria recebe uma percentagem sobre o total economizado com a migração para o mercado livre.

No formato ganho garantido, o contrato determina um percentual de economia fixo por mês (entre 15% e 20%) – e o restante dos ganhos são convertidos em prol da consultoria.

IMAGEM: Divulgação