Gestão

Como ganhar clientes pelas redes sociais?


A presença das marcas brasileiras nessas mídias não para de crescer. Essa interação envolve desde a criação de conteúdo de qualidade até investimentos em divulgação para o público correto


  Por Mariana Missiaggia 10 de Agosto de 2021 às 17:30

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Há poucas semanas, o Google nomeou o Grupo Boticário como a primeira empresa brasileira a alcançar o nível mais alto de maturidade digital no gMaturity, índice criado há dois anos para incentivar a evolução das estratégias de marketing digital de grandes empresas.

A empresa de cuidados pessoais obteve a classificação, fundamentada em 50 critérios, que unem desde a automação de campanhas à integração da jornada do usuário em diferentes canais.

Além disso, o grupo demonstra maturidade tecnológica na compra de mídia, utilizando ferramentas avançadas de analytics, e visão integrada dos dados de seus consumidores, o que permite uma estratégia única em todos os canais.

Há alguns meses, o Boticário viralizou uma história ao produzir alguns frascos de um perfume fora de linha para uma mãe que perdeu o filho vítima de covid-19.

Um comentário no Instagram revelou a tristeza da mãe que guardava um restinho do perfume preferido do filho como recordação. Ao ler o comentário relatando toda a história, muitos usuários replicaram o pedido, que chegou até o fundador d’O Boticário, Miguel Krigsner, que se sensibilizou, reproduziu a essência, e enviou algumas edições especiais para a consumidora com uma carta escrita à mão: 

O caso revela um bom trabalho de reconhecimento desde a equipe que fez o atendimento e gestão de redes sociais, aos colaboradores que se movimentaram na fábrica para atender o caso, e demais setores envolvidos. Seja para tirar uma dúvida ou resolver um problema, é esse tipo de atendimento humanizado que os consumidores esperam.

As mídias sociais já são adotadas por cerca de 69% das lojas on-line, de acordo com dados levantados por pesquisa Perfil do E-commerce Brasileiro, realizada pelo PayPal e da BigDataCorp.

O mesmo material mostra que o YouTube cresceu em importância na estratégia de divulgação do e-commerce brasileiro: 45% das lojas on-line utilizam a mídia social, que aumentou sua participação em 5% em relação a 2020. A plataforma fica atrás apenas do Facebook, usado por 53% dos comércios eletrônicos do país. Na sequência, o Twitter, com 31% de participação; Instagram, com 27% e Pinterest, com 5%.

Outro estudo da Nuvemshop aponta que as vendas no e-commerce por meio das redes sociais aumentaram de 22% para 34% em 2020.

Com um leque imenso de mídias sociais disponíveis, o vendedor pode, e deve, usá-las a seu favor. Um dos principais destaques para a criação de lojas virtuais é o Instagram. Além da pluralidade de ferramentas da plataforma, também é possível valorizar a estética do produto com vitrines on-line.

Outro ponto é que é nesta rede social que está o engajamento dos influenciadores digitais - que podem ser pessoas chave para as campanhas do seu e-commerce.

O Facebook ainda é a rede mais acessada do mundo. A plataforma possui alta segmentação de público e suas mídias pagas são mais acessíveis e com fácil mensuração - um ótimo lugar para captar leads e ajudar no aumento do faturamento.

Pouco explorada pelas marcas, o Pinterest, além de ser uma rede social muito acessada para buscar referências de produtos, decoração, vestuário, entre outros, também conta com os Pins Compráveis, em que é possível atribuir preço aos produtos expostos nas fotos e gerar vendas.

Para Roberto Vilela, consultor empresarial e mentor de negócios, a transição de muitos negócios para o meio virtual aconteceu de maneira inesperada, dificultando o planejamento e a elaboração de estratégias. Porém, junto das implicações trazidas pelas transformações, há um universo de oportunidades para os empreendedores.

As palavras norteadoras dos gestores frente às novas necessidades mercadológicas devem ser a adaptabilidade, a conexão e a comunicação, segundo Vilela.

"Somente com processos claros que as instituições poderão suprir as demandas dos novos consumidores, mais focados na geração de valores, impactos positivos e também participativos nas estratégias da marca".

Ele cita que o cenário digital apresenta novas possibilidades, sejam novas formas de fazer pagamentos, como é o caso do WhatsApp, que iniciou transações dentro do próprio aplicativo, ou de realizar compras, nos diversos marketplaces e e-commerces criados dentro e fora das redes sociais.

Veja como se reformular nesse novo universo para ganhar destaque no mercado:

ESTABELEÇA DIÁLOGOS

Para engajar o consumidor, é importante criar interações atraentes. Deixe o cliente escolher um produto novo, crie desafios com o uso de hashtags, faça promoções a partir do marcador de localização.

IMPULSIONE POSTS PAGOS

Com essa ferramenta, é possível mostrar uma postagem na timeline de pessoas que não seguem a marca nas redes, mas quem têm um perfil similar ao daquelas que são fãs. Cada visualização custa poucos centavos.

FAÇA TRANSMISSÕES AO VIVO

Os recursos em vídeo, como live e stories do Instagram, mostram o lado humano da marca. Minientrevistas, cobertura de eventos e depoimentos de clientes satisfeitos são exemplos de bom uso desse recurso.

DESCUBRA A FREQUÊNCIA IDEAL

Não existe uma quantidade recomendável de postagens por dia ou semana. Descobrir se a sua frequência é baixa ou excessiva depende de monitoramento - entender e estudar os hábitos de seus seguidores. Isso também é necessário para saber o melhor horário para postar.

FAÇA DAS REDES UM CANAL DE SAC

Segundo dados do Facebook, 64% das pessoas dizem que preferem enviar mensagens em vez de ligar para uma empresa. À medida que cada vez mais empresas entram nas redes sociais, essa dinâmica vai se fortalecendo.

A utilização do perfil como um serviço de atendimento ao consumidor (SAC) tem como objetivo sanar em poucos minutos as dúvidas sobre um produto ou resolver algum problema do usuário. Mas, para que isso funcione, é preciso uma equipe ou funcionários dedicados à função.

APOSTE EM TEMAS RELEVANTES

Os usuários têm usado o YouTube para levantar dicas ou aprender. O desafio das marcas é produzir vídeos que forneçam conteúdo relevante com dicas úteis sobre a sua área, ao mesmo tempo em que deixem claro como o produto pode ajudar o visitante. Vídeos de demonstração podem ser um diferencial na decisão de compra.

PROCURE OPORTUNIDADES

Aliar sua marca a um ou mais influenciadores digitais também é importante. Ao monitorar termos e combinações de palavras referentes a seu negócio, as empresas descobrem publicações de influenciadores, oportunidades para agradá-los e então exibir suas marcas. 

RIACHUELO: UM EXEMPLO NA PRÁTICA

Desde o início do ano, a Riachuelo passou a interagir com seus usuários também pelo TikTok, plataforma para vídeos curtos em dispositivos móveis.

"Notamos que o TikTok é uma plataforma que nos aproxima, de uma maneira leve e divertida, do nosso cliente, além de permitir o engajamento com uma audiência nova também. Seu poder de viralizar conteúdos orgânicos permite que, desde pessoas comuns, até influenciadores e celebridades criem postagens originais, o que tem muita sinergia com a nossa marca", diz Ligia Monici, Head de Marketing da Riachuelo, em nota.

Em março deste ano, a campanha "Riachuelo começou a Seguir você" convidou todos para dançarem uma coreografia. Ao todo foram mais de 112 milhões de pessoas alcançadas.

O resultado agradou tanto, que a Riachuelo apostou novamente no TikTok com uma campanha de Dia das Mães. Com o mote "Mãe, sua primeira influenciadora", a ação trazia Giovanna Ewbank e outras celebridades que iniciaram um challenge (desafio) com a hashtag oficial #AiAiAiAiChallenge, convidando os demais usuários a participarem do desafio e criarem seus vídeos a partir daquela inspiração.

A expectativa era conseguir viralizar o máximo possível entre a comunidade da plataforma e assim conseguir chegar a novos públicos. 

O resultado mostra que o objetivo foi atingido, foram 3,9 bilhões de visualizações na página; 12 milhões de comentários nos vídeos; 8 milhões de compartilhamentos; 1 milhão de vídeos criados; sete vezes mais seguidores no perfil orgânico e uma taxa de engajamento de 13,3%.

 

 






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