Gestão

Com gestão de estoque eficiente, rentabilidade da Brascol cresce 20%


Sistema de etiquetas eletrônicas ajudou a ampliar a presença da atacadista de moda bebê e infanto-juvenil do Brás em todos os canais de vendas possíveis


  Por Karina Lignelli 26 de Abril de 2018 às 08:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Imagine implantar um sistema capaz de reduzir o volume de estoque e as despesas decorrentes dessa movimentação em 25%. Tudo isso dobrando a capacidade de operação de entrada e saída de produtos de 35 mil para 70 a 80 mil itens/dia. E o melhor: com aumento da rentabilidade em 20%.

Foi dessa forma, implantando pioneiramente o modelo de etiquetas RFID que a tornou caso de estudo no Brasil e no exterior, que a Brascol, uma atacadista de moda bebê e infanto-juvenil, conseguiu alcançar o tão almejado objetivo de muitos varejistas: aumentar a produtividade e as vendas reduzindo custos fixos.

Também conhecidas por Identificação por Rádio Frequência, etiquetas RFID são dispositivos de identificação e rastreamento por meio de um pequeno sinal de radiofrequência.

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Implantada há quase quatro anos na empresa, prestes a completar 30 anos no Brás, conhecido polo atacadista paulistano, a tecnologia permitiu à Brascol concentrar seus 60 mil SKUs em itens de confecção, puericultura e brinquedos em um estoque único.

A princípio, foi necessário identificar todos os produtos da loja, para que as peças já viessem do fornecedor (são mais de 400) com as etiquetas e a descrição de cada peça. Hoje, 100% dos itens são conferidos em portais de RFID, e o inventário é feito rotativamente, em tempo real.

“Além de reduzir o inventário de estoque, aumentamos a capacidade de recebimento e da expedição”, afirma Antônio Almeida, superintendente da Brascol.

Uma mudança que facilitou a compra também para o cliente, que antes precisava fazer a leitura de código de barras produto a produto para saber o quanto tinha gasto até então –uma perda grande de tempo que muitas vezes levava à desistência da compra. Agora, basta colocar o carrinho no portal RFID para descobrir a quantidade e o preço em segundos.

ESTOQUE MOVIMENTA ATÉ 80 MIL PEÇAS/DIA

“Com ela, o tempo para passar compras no checkout reduziu de 40 para 6 minutos”, afirma Almeida, executivo com passagem por grandes varejistas como C&A e Pernambucanas e o responsável pela implantação do sistema de etiquetas eletrônicas. 

Mas, com tanta eficiência, o que fazer com o amplo espaço de 2,5 mil m2 localizados em três andares da lateral da loja, antes ocupado pelo estoque e expedição?

Rentabilizar a área ociosa através do modelo store-in-store, para marcas parceiras que quiserem oferecer um resumo do mix num espaço médio de 3 m2.

Nesse espaço, as lojas de marcas bastante conhecidas do segmento, como Kyly, Patrulha Street e a grife da atriz mirim Larissa Manoela, entre outras, pagam um pequeno aluguel, um percentual do faturamento e expõem a marca em destaque. “É uma espécie de 'marketplace físico'", diz. 

EM TODOS OS CANAIS POSSÍVEIS 

Na loja. No e-commerce. Pelo celular. Pelo televendas, pelo store-in-store e nas redes sociais –tudo isso dentro de um modelo de negócio que, ao longo de 2018 deve contar ainda com um marketplace virtual e uma franquia digital.

Antes, a Brascol só vendia pela loja física e pelo televendas para compradores do tal turismo de moda - ou seja, clientes de todo o Brasil, da Argentina, do Uruguai e até de Angola e Moçambique, que compram na região para revender em suas cidades de origem.

A gestão de estoque único por etiquetas RFID foi a responsável por ampliar os negócios da empresa em todos os canais possíveis. Como, por exemplo, no e-commerce: implantada há um ano e meio, a loja virtual da Brascol já nasceu integrada a uma estratégia mobile.

"Mudamos os fluxos internos para tornar a reposição de vendas mais ágil e pontual para o lojista", afirma o superintendente. 

Apesar de ainda representar 2% do faturamento do Brascol - que a empresa não divulga - 70% dos acessos à loja virtual são feitos via mobile. “Desse total, 30% são convertidos em vendas”, diz.

ANTIGA ÁREA DE ESTOQUE DEU ESPAÇO
AO STORE-IN-STORE DA BRASCOL

Até o televendas, que representa 20% dos negócios, foi integrado ao e-commerce com o atendimento via chat. Ou seja, as funções não aumentaram, apenas se adaptaram.

“Foi feito um trabalho para mudar a mentalidade interna dos colaboradores e evitar conflito com os novos canais de vendas”, afirma Almeida.

Os vendedores inclusive recebem comissão mesmo que seus clientes comprem pela internet, segundo o superintendente  – tática que ajuda a aumentar as taxas de conversão.  

Prestes a ser lançado, o novo canal de vendas da Brascol é o aplicativo de compras pelo whatsapp. 

Além do projeto de um marketplace, a atacadista deve lançar até setembro o modelo de franquia digital. Aqui, o pequeno lojista - principal cliente da empresa - poderá escolher um dos três layouts de loja virtual para anunciar produtos, pagando uma taxa mensal de hospedagem. 

A reposição de estoque será feita pela própria Brascol. "É um modelo para quem não tem condição nem conhecimento de abrir loja virtual sozinho", diz Almeida. "E para nós, será mais um canal de vendas."

UM NEGÓCIO PARA GERAR NEGÓCIOS 

Propriedade de uma família de origem libanesa que também é dona do Megapolo Moda, a Brascol, que possui duas unidades no Brás, tem planos de expansão no Centro-Oeste do país: até outubro, deve chegar ao novo Megapolo de Goiânia (GO). 

Com o e-commerce e as redes sociais, há cada vez mais clientes em todo o Brasil que pensam duas vezes antes de se deslocar. É o que afirma o superintendente Antônio Almeida. Além de ganhar escala com custo diluído, a ideia é aproveitar a estrutura já existente para a nova operação. 

"Queremos ficar próximos a outros mercados consumidores com um modelo que não só absorve a compra presencial, mas também oferece experiência de compra e educação para os negócios."    

Esse último item, aliás, virou tema recorrente na empresa desde janeiro, quando foi realizado o primeiro Expo Brascol. Focado em networking e empreendedorismo, o evento, que reúne grandes marcas para fomentar o fluxo de negócios, deve ganhar periodicidade mensal a partir de maio.  

ALMEIDA: QUANTO MAIS PONTOS
DE VENDA, MELHOR

A presença de palestrantes do Sebrae ou de especialistas em varejo e e-commerce, além de representantes de grandes marcas, como a Disney, reforça a proposta do evento de fazer com que os pequenos varejistas, clientes da Brascol, aprendam a operar seus negócios de forma mais simples. 

"Sabemos que o nível de exigências do consumidor aumentou. A ideia, então, é mostrar para o lojista como trazer as novidades para dentro da loja, como lançar coleções ou qual o sentido de vender pelo e-commerce e da integração de canais", afirma. 

Iniciativa que acaba beneficiando a própria empresa: só em janeiro e fevereiro, quando cada edição do evento reuniu cerca de 500 participantes de todo o Brasil, os negócios da Brascol cresceram 25%.

"Ganhamos, mas não vendendo informação, e sim ensinando os nossos clientes a serem mais eficientes nas operações deles", diz Almeida. "Afinal, nosso negócio é gerar negócios", finaliza. 

Na galeria abaixo, conheça um pouco mais da operação da Brascol.  

FOTOS: Karina Lignelli/Diário do Comércio